A Meta, empresa responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp, vem sendo alvo de diversas denúncias de viés em prol de Flávio Bolsonaro ao longo da campanha de segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
A empresa é alvo de mais de 1,1 mil denúncias de restrições a perfil, segundo o levantamento da organização CTRL+Z. O total inclui reúne relatos de bloqueios de contas, remoções de publicações e redução do alcance de postagens.
A entidade lançou a campanha “Meta, tira a mão da nossa eleição”, que cobra transparência da empresa e providências do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Leia em TVT News.
Também viralizaram nas redes testes com a Meta AI, ferramenta de inteligência artificial da empresa, que identificaram respostas diferentes a pedidos de produção de material eleitoral para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Conforme testes e prints divulgados nas redes, a ferramenta tem se recusado a cumprir solicitações relacionadas ao presidente Lula, mas gera peças com referências ao candidato Flávio Bolsonaro.
A própria IA, ao ser questionada, reconhece uma inconsistência e atribui a diferença a filtros automáticos de segurança, levantando questionamentos sobre o comportamento da tecnologia durante a disputa eleitoral.
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Instagram concentra denúncias de restrições a conteúdos políticos
Segundo os dados divulgados em 13 de outubro, 98% dos relatos recebidos pela CTRL+Z de restrição injustificada a perfis estão relacionados ao Instagram. A organização aponta que a maioria envolve perfis que publicaram conteúdos de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), incluindo cidadãos, influenciadores, jornalistas, movimentos sociais e entidades estudantis.
O levantamento classifica 36% das denúncias como redução de alcance, 32% como restrições de funcionalidades e 22% como banimentos de contas ou remoções de publicações. Entre os episódios relatados estão perfis impedidos de enviar mensagens ou compartilhar conteúdos, páginas de diretórios acadêmicos suspensas e publicações de comunicadores removidas.
A organização também aponta problemas nas justificativas apresentadas pela Meta. De acordo com os relatos, usuários receberam notificações genéricas ou tiveram conteúdos associados a violações graves, como suposto envolvimento com terrorismo e exploração sexual infantil. A entidade afirma que, em diversos casos, a empresa não especificou qual conteúdo teria infringido suas regras.
Entre os alvos citados estão páginas de movimentos sociais, coletivos ativistas e entidades estudantis de diferentes estados, além do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais. A CTRL+Z contabilizou 148 casos de banimento ou bloqueio de contas e afirma que parte dos perfis atingidos aparece em uma ação judicial apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro ao TSE. O pedido da campanha questiona contas apontadas como integrantes de uma rede de apoio a Lula.
Os dados foram compilados a partir de denúncias recebidas por e-mail e formulários, além de buscas em redes sociais, comentários e reportagens. Os números correspondem a relatos coletados pela organização e não constituem uma auditoria independente que confirme todas as ocorrências ou comprove que as medidas foram motivadas pela orientação política dos usuários.
Meta AI apresenta respostas diferentes a pedidos de material eleitoral
Além das denúncias sobre bloqueios e remoções, a atuação da inteligência artificial da empresa também passou a ser questionada. Os relatos viralizados nas redes foram confirmados pela coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo: testes com a Meta AI mostraram que a ferramenta recusou solicitações para produzir material eleitoral com o nome e o número de Lula, mas gerou peças com referências ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Questionada sobre a diferença de tratamento, a própria Meta AI reconheceu uma inconsistência e atribuiu o resultado à atuação de filtros automáticos de segurança, que podem apresentar respostas diferentes.
Os resultados levantam questionamentos sobre o funcionamento dos sistemas automatizados da empresa durante o período eleitoral. Os testes, no entanto, não demonstram, isoladamente, que exista uma política deliberada de favorecimento a uma candidatura.
Meta contesta metodologia do levantamento
Procurada pela CTRL+Z a respeito das denúncias de restrição indevida a perfis, a Meta questionou a metodologia utilizada para reunir as denúncias. A empresa afirmou que uma amostra selecionada intencionalmente não representa o alcance nem o rigor de seu trabalho de moderação. Também declarou atuar em conformidade com a legislação aplicável e as normas eleitorais, com o objetivo de garantir isonomia no uso das plataformas.
A CTRL+Z cobra que a companhia divulgue informações sobre o número de contas e publicações afetadas, esclareça os critérios de moderação e ofereça mecanismos efetivos para contestar decisões. A organização também disponibilizou uma petição pública que pede ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, que solicite explicações e medidas de transparência à empresa.
A campanha inclui ainda o chamado “Kit Derrubada”, com modelos de reclamações destinados à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), a órgãos de defesa do consumidor e ao Juizado Especial Cível. A entidade afirma que continuará recebendo relatos durante o período eleitoral e pretende encaminhar ao tribunal as assinaturas da petição e os casos documentados.
A organização aponta que os bloqueios, remoções e reduções de alcance sem justificativas claras prejudicam a circulação de informações políticas e a participação de cidadãos e entidades no debate público.