Operação Unha e Carne prende deputado federal eleito no RJ endossado por Flávio Bolsonaro

Márcio Canella (União Brasil) foi preso pela Polícia Federal sob suspeita de envolvimento em esquema bilionário de lavagem de dinheiro; político teve apoio de Flávio Bolsonaro para disputar o Senado e chegou a indicar a mãe do senador como suplente
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Márcio Canella (União Brasil) foi preso pela Polícia Federal sob suspeita de envolvimento em esquema bilionário de lavagem de dinheiro; político teve apoio de Flávio Bolsonaro para disputar o Senado e chegou a indicar a mãe do senador como suplente. Foto: Reprodução/Flávio Bolsonaro/Instagram

A Polícia Federal (PF) prendeu nesta quinta-feira (15) Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, e deputado estadual eleito no Rio de Janeiro. A prisão preventiva ocorreu na oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis para lavar dinheiro.

Segundo as investigações, o esquema teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos. A operação também resultou na prisão de agentes da Polícia Civil do Rio de Janeiro. A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Canella já havia sido preso em julho, durante outra fase da mesma operação, após a PF encontrar um fuzil de uso restrito em seu carro. Ele negou que a arma fosse sua e foi solto por decisão de Moraes.

Apoio de Flávio Bolsonaro

Antes da prisão, Canella era um dos nomes apoiados por Flávio Bolsonaro (PL) para disputar uma vaga no Senado pelo Rio de Janeiro. Em abril, o senador divulgou um vídeo em que declarou apoio integral à pré-candidatura do ex-prefeito.

A aproximação entre os dois também envolveu a família Bolsonaro. Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio e ex-mulher de Jair Bolsonaro, foi indicada para ocupar a suplência de Canella na disputa pelo Senado.

Após a prisão de julho, o político desistiu da candidatura ao Senado e voltou a concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ele recebeu 197.178 votos nas eleições de outubro, tornando-se o segundo deputado estadual mais votado do estado.

Até a publicação das reportagens consultadas, a equipe de Flávio Bolsonaro ainda não havia respondido aos pedidos de posicionamento sobre a nova prisão do aliado. A assessoria de Canella informou que não havia tido acesso aos autos da decisão judicial.

Investigação apura lavagem de dinheiro

A Operação Unha e Carne investiga uma organização criminosa suspeita de utilizar postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para ocultar a origem de recursos. Além das prisões, a Justiça determinou medidas patrimoniais e a suspensão das atividades de empresas relacionadas ao esquema, segundo informações divulgadas sobre a operação.

Suspeitas de ligação com milícias

A trajetória política de Canella também foi alvo de questionamentos eleitorais por supostas ligações com grupos milicianos na Baixada Fluminense. Durante sua gestão na Prefeitura de Belford Roxo, dois políticos posteriormente barrados pela Justiça Eleitoral por suspeitas de envolvimento com milícias ocuparam cargos de secretário municipal.

A Procuradoria Regional Eleitoral questionou a candidatura de Canella, mas o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro autorizou sua participação na disputa. As suspeitas relacionadas ao político devem ser tratadas como objeto de investigação, e não como culpa estabelecida judicialmente.

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