Ato em São Paulo denuncia interferência da Meta nas eleições brasileiras

Organizações apontam suspensões de perfis, queda de alcance e anúncios irregulares e exigem auditoria dos algoritmos, transparência e mecanismos de recurso
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Instagram e Facebook: redes sociais da empresa Meta. Foto: Brett Jordan/Pexels

Organizações da sociedade civil e movimentos sociais realizam nesta segunda-feira (19), em frente à sede da Meta, em São Paulo, um ato público para denunciar supostas interferências da empresa no processo eleitoral brasileiro. Leia em TVT News.

Com o lema “Meta, não se meta na nossa eleição”, a mobilização cobra transparência na moderação de conteúdos, o fim de restrições consideradas arbitrárias e a reparação de prejuízos atribuídos à plataforma durante a campanha eleitoral de 2026.

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Levantamento da CTRL+Z reúne mais de 1,1 mil relatos de bloqueios, remoções de publicações e queda de alcance; relatos de usuários também mostram favorecimento da Meta AI a pedidos de material eleitoral para Flávio Bolsonaro em detrimento de Lula. Foto: Reprodução/POPtime/X

A manifestação é organizada por CTRL+Z, Código Não Binário, Artigo 19, Diracom, Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e Sleeping Giants Brasil. A concentração está marcada para as 16h, com ato previsto das 17h às 20h, no prédio da Baleia (B32), na avenida Brigadeiro Faria Lima, 3732, no Itaim Bibi, zona oeste da capital paulista.

As entidades afirmam que, nas semanas anteriores à mobilização, foram registradas denúncias de suspensões de perfis, remoção de publicações, redução repentina de alcance e restrições de funcionalidades sem explicações claras. Também apontam a veiculação de anúncios eleitorais irregulares pagos com recursos do exterior.

Segundo as organizações, os episódios atingiram especialmente perfis e publicações ligados ao campo progressista e à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para os movimentos, a distribuição desigual de conteúdos nas redes sociais pode comprometer o equilíbrio da disputa eleitoral e limitar o acesso da população a informações políticas.

Levantamento aponta denúncias contra a plataforma

A plataforma De Olho na Meta, que reúne informações públicas sobre a atuação da empresa durante as eleições, compilou 430 notícias publicadas por mais de 200 veículos de comunicação. Desse total, 97 apontam possíveis interferências eleitorais e 46 tratam de desinformação.

O levantamento também indica que nenhum dos dez compromissos assumidos pela Meta perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estaria sendo cumprido integralmente, segundo a avaliação divulgada pelas organizações responsáveis pela mobilização.

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Censura digital nas eleições ganha canal de denúncias diante de prejuízos à campanha de Lula – Foto: Ricardo Stuckert

A preocupação dos movimentos está relacionada ao alcance dos serviços da companhia, que controla plataformas como Instagram, Facebook, WhatsApp, Threads e Meta AI. Conforme os dados apresentados pelas entidades, 70% da população brasileira utiliza o Instagram como principal meio para se informar, enquanto 91% dos brasileiros usam o WhatsApp diariamente.

Nesse cenário, as organizações argumentam que decisões sobre remoção de publicações, suspensão de contas e distribuição de conteúdo têm efeitos que ultrapassam as relações entre usuários e empresas privadas. A atuação das plataformas, afirmam, interfere nas condições de circulação de informações e no debate público durante as eleições.

Organizações cobram transparência e reparação

Além do protesto, as entidades entregaram uma notificação extrajudicial a Conrado Leister, diretor-geral da Meta no Brasil. O documento reúne dez reivindicações relacionadas à moderação de conteúdo, à publicidade eleitoral e à responsabilização da empresa por falhas apontadas durante o processo eleitoral.

Entre as exigências está a publicação de um comunicado no Instagram, em formato de anúncio direcionado a todos os usuários brasileiros, reconhecendo que falhas na distribuição e na disponibilidade de conteúdos durante as eleições prejudicaram usuários e campanhas, especialmente a candidatura de Lula. As organizações também pedem um pedido público de desculpas.

Outro ponto é o bloqueio imediato de anúncios eleitorais ilegais pagos do exterior, acompanhado da divulgação dos valores arrecadados com esse tipo de publicidade e da destinação dos recursos.

As entidades reivindicam ainda a criação de um painel público de transparência, atualizado em tempo real, com informações sobre contas suspensas, publicações removidas e anúncios aprovados ou recusados. Também solicitam um canal de revisão conduzido por pessoas, com respostas rápidas durante o período eleitoral e possibilidade de recuperar contas e conteúdos retirados por manifestações políticas legítimas.

A lista inclui o fim de práticas de redução seletiva de alcance, conhecidas como shadowban, e a exigência de que eventuais restrições sejam acompanhadas de justificativas específicas e mecanismos de contestação.

As organizações também pedem uma auditoria independente dos algoritmos de recomendação, o fim das remoções em massa sem possibilidade de recurso e medidas especiais de proteção a jornalistas, veículos de comunicação, movimentos sociais e entidades da sociedade civil.

Por fim, a notificação solicita que a empresa preserve registros de moderação e dados sobre a distribuição de conteúdos para permitir auditorias pelo TSE, pelo Ministério Público e pela sociedade civil. As entidades defendem ainda uma investigação interna das falhas denunciadas, com divulgação dos resultados e das medidas adotadas.

Entidades questionam atuação do TSE

A mobilização também critica a capacidade de fiscalização das autoridades eleitorais. Segundo as organizações, as resoluções do TSE para as eleições de 2026 estabelecem deveres de cooperação das plataformas para garantir condições equilibradas entre candidaturas.

As entidades afirmam que o tribunal determinou que a Meta não discrimine os candidatos, sob pena de multa diária de R$ 500 mil. Na avaliação dos movimentos, porém, o valor não seria suficiente para produzir um efeito dissuasório diante do faturamento da empresa.

Os dados citados pelas organizações indicam que a Meta recebeu R$ 282 milhões em pagamentos diretos de candidaturas durante as eleições, o maior valor entre as empresas, conforme informações atribuídas ao TSE.

Para os convocantes, a concentração de recursos e de poder de comunicação nas mãos de grandes empresas de tecnologia exige mecanismos de fiscalização capazes de assegurar transparência e igualdade de condições no debate político.

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