Nunes Marques pode restringir grupos grandes de WhatsApp às vésperas da eleição, aponta Demori

Iniciativa seria votada on-line e poderia restringir a divulgação de propaganda eleitoral nas 48 horas anteriores à votação
Brasília (DF), 30/06/2023 - O ministro Kássio Nunes Marques durante sessão que retoma o julgamento da ação (Aije nº 0600814-85) que pede a inelegibilidade de Jair Bolsonaro e de Walter Braga Netto, candidatos à Presidência da República nas Eleições 2022. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O jornalista Leandro Demori revelou uma apuração sobre uma possível iniciativa do ministro Kassio Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para restringir a propaganda eleitoral em grupos de WhatsApp com grande número de participantes nas 48 horas anteriores à votação. Leia em TVT News.

Segundo a informação divulgada por Demori, o ministro estaria articulando nos bastidores do tribunal uma alteração na resolução eleitoral. A proposta poderia ser levada a uma votação on-line entre o dia da divulgação da notícia e o dia seguinte, com prazo curto para manifestação dos ministros.

A medida, caso seja confirmada e aprovada, proibiria grupos com um número elevado de integrantes de veicular propaganda eleitoral nas 48 horas que antecedem a eleição. O limite de participantes que enquadraria os grupos na restrição ainda não havia sido definido ou divulgado, segundo a apuração.

Proposta pode afetar mobilização eleitoral pelo WhatsApp

A possível mudança teria impacto sobre estratégias de campanha que utilizam grupos numerosos para compartilhar mensagens e materiais eleitorais. Entre os grupos que poderiam ser atingidos está o ligado ao deputado federal André Janones (MG), citado na publicação de Demori.

A medida poderia afetar redes de mobilização em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como o “Exército do Lula”, canal de Whatsapp administrado por Janones que chegou a 7 milhões de seguidores na manhã desta quarta-feira (21).

Até o momento, as informações fornecidas não confirmam que a proposta tenha sido formalmente apresentada, colocada em votação ou aprovada pelo TSE. A iniciativa é descrita como uma articulação em andamento nos bastidores do tribunal.

A possível alteração das regras eleitorais levanta questões sobre os limites da propaganda política em aplicativos de mensagens e sobre a aplicação de restrições durante o período que antecede a votação. No entanto, sem o texto da proposta e sem uma decisão oficial, ainda não é possível determinar o alcance exato da medida.

A apuração de Leandro Demori atribui a Nunes Marques a preparação da iniciativa e indica que o assunto já estaria circulando entre integrantes do tribunal. O desenvolvimento do caso depende da confirmação oficial da proposta e de eventuais deliberações do TSE.

NOTA À IMPRENSA

Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral discutiram o tema em duas reuniões, realizadas na sexta-feira (16) e na terça-feira (20).

Nessas reuniões, houve consenso entre todos os ministros sobre a necessidade de tratar do assunto. Por decisão conjunta, ficou a cargo do Ministro André Mendonça elaborar o texto, que seria submetido à avaliação e à deliberação de todos.

Por tradição, cabe ao vice-presidente do Tribunal redigir os atos normativos que o colegiado vai apreciar. Era natural, portanto, que essa tarefa coubesse ao Ministro André Mendonça. A minuta não é uma iniciativa individual. A necessidade de sua elaboração parte de um entendimento construído em conjunto, o texto ainda está em discussão interna, e qualquer versão final depende de deliberação colegiada do Tribunal.

O objetivo discutido é proteger a integridade do pleito nas horas que antecedem e sucedem a votação, quando não há tempo hábil para resposta ou correção de conteúdos ilícitos.

Os critérios em análise são objetivos e impessoais e valem igualmente para todos os canais de natureza político-eleitoral de grande alcance, qualquer que seja o candidato, o partido ou a orientação política.

Gabinete do Ministro André Mendonça
Brasília, 21 de outubro de 2026

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