O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aceitou as exigências apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para a abertura dos sigilos dos dois candidatos à Presidência. A disputa sobre a divulgação de informações bancárias, fiscais e telefônicas chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a três dias do segundo turno, marcado para domingo (25). Leia em TVT News.
A proposta foi lançada por Lula durante o debate da TV Band, no domingo (18). O presidente desafiou o adversário a abrir os próprios sigilos para que os eleitores pudessem avaliar informações sobre o patrimônio dos candidatos. Na terça-feira (20), Lula formalizou o pedido ao TSE, incluindo a possibilidade de divulgação dos dados de familiares.
Na quarta-feira (21), Flávio apresentou uma série de condições para aceitar o desafio. Entre elas estão a abertura de informações de familiares, assessores e empresas ligadas ao presidente, além de registros relacionados ao uso de cartão corporativo, viagens da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, e visitas a prédios da Presidência.
O pedido também inclui os sigilos de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, e de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. Flávio ainda solicitou informações sobre visitas da lobista Roberta Luchsinger ao Palácio do Planalto e ao Palácio da Alvorada, além de registros relacionados ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Em contrapartida, Flávio afirmou que autorizaria a abertura de seus sigilos e de empresas das quais é sócio ou administrador, com dados referentes aos últimos 20 anos. O senador, porém, excluiu a empresa Alcazar Holdings, alegando não ser sócio nem administrador da companhia.
O coordenador da campanha de Lula, Camilo Santana (PT-CE), afirmou que o presidente não se opõe às condições apresentadas, desde que o adversário também cumpra o compromisso de divulgar as próprias informações. As equipes foram convocadas para apresentar os documentos ao TSE nesta quinta-feira (22), às 11h.
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Campanha de Flávio condiciona entrega de sigilos à análise dos dados de Lula
A campanha de Flávio Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (22) que só apresentará os documentos referentes aos sigilos bancário e telefônico do senador depois de analisar o material entregue pela equipe de Lula. Representantes do candidato do PL estiveram no Tribunal Superior Eleitoral, mas não levaram os documentos do presidenciável.
“Se eles trouxerem tudo, a gente traz. Primeiro vou ver se ele trouxe”, declarou a advogada Maria Cláudia Bucchianeri, integrante da equipe jurídica de Flávio. Ela afirmou que a campanha não pretende recuar e que apresentará os documentos após a análise.
Segundo Bucchianeri, a equipe pretende examinar informações sobre o padrão de vida de Lula e da primeira-dama, incluindo registros de cartão corporativo e visitas aos palácios presidenciais. A advogada também defendeu que a divulgação abranja o período desde 2003, quando Lula assumiu pela primeira vez a Presidência da República.
O senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), escolhido pela campanha de Flávio para auxiliar na análise dos documentos, também esteve no TSE. Ex-procurador da República e integrante da força-tarefa da Operação Lava Jato, ele afirmou que a divulgação seria uma oportunidade de “resgatar” a operação.