A ampliação da votação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em todas as 27 unidades da Federação e o avanço expressivo no Sudeste ajudam a explicar a virada que garantiu a reeleição do presidente. Leia em TVT News.
No segundo turno, realizado neste domingo (25), Lula passou de segundo colocado para vencedor da disputa presidencial, superando Flávio Bolsonaro (PL) por cerca de 4,4 milhões de votos.
Com 100% das seções eleitorais apuradas, Lula recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio terminou com 59.826.041 votos, ou 48,21%. No primeiro turno, em 4 de outubro, o candidato do PL havia saído na frente, com 56.104.503 votos, contra 53.879.538 do petista.
No segundo turno, Lula acrescentou 10.376.694 votos à sua votação inicial, enquanto Flávio obteve mais 3.721.538. Segundo a análise de Bruno Soller, sócio e CEO do instituto Real Time Big Data, o desempenho de Lula no Sudeste e a virada em Minas Gerais tiveram peso determinante para a vitória.
Sudeste concentrou o maior crescimento de Lula
O Sudeste foi a região em que Lula mais ampliou sua votação em números absolutos. O petista passou de 19,2 milhões de votos no primeiro turno para 24 milhões no segundo, um crescimento de 24,95%. Flávio também avançou, de 24,9 milhões para 26,8 milhões, mas em ritmo menor: 7,81%.
Com isso, a vantagem do candidato do PL na região caiu de aproximadamente 5,7 milhões para 2,8 milhões de votos. Embora Flávio tenha mantido a liderança regional, Lula reduziu a distância em um dos principais colégios eleitorais do país.
São Paulo liderou o crescimento dos dois candidatos. O petista recebeu cerca de 2,6 milhões de votos a mais em comparação com o primeiro turno, enquanto Flávio acrescentou aproximadamente 1,2 milhão. O candidato do PL venceu no estado, mas sua vantagem diminuiu de 3,4 milhões para 2 milhões de votos.
O Rio de Janeiro e Minas Gerais também tiveram papel relevante no avanço petista. Lula ampliou sua votação em cerca de 872 mil votos no Rio e em mais de 1 milhão em Minas. Em entrevista à CNN Brasil, Bruno Soller apontou o crescimento nas capitais do Sudeste como parte importante do resultado: segundo ele, a votação de Lula em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte aumentou, em média, mais de 7% entre os turnos.
Onde o PT virou a disputa

A virada em Minas Gerais aparece entre os fatores destacados na análise do resultado. Além de ampliar a votação no estado, Lula reduziu a distância em grandes colégios eleitorais do Sudeste, mesmo sem vencer em toda a região.
Lula virou em Macapá
A mudança também ocorreu em Macapá, capital do Amapá. O presidente acrescentou 11.300 votos em relação ao primeiro turno, enquanto Flávio perdeu 3.785. No resultado final da cidade, o petista ficou à frente, com 125.479 votos, contra 120.593 do adversário. Foi a maior queda de votação de Flávio em números absolutos entre os municípios brasileiros.
Lula aumentou votação em 27 capitais
O avanço de Lula não ficou restrito a esses locais: ele aumentou sua votação nas 27 capitais, incluindo Brasília. Flávio cresceu em 25 capitais, mas perdeu votos em Macapá e Boa Vista.
Na capital de Roraima, apesar da queda de 545 votos, o candidato do PL manteve uma vitória expressiva, com 75,75% dos votos válidos. O PT, por sua vez, somou mais 8.128 votos na cidade.
Nordeste reforçou a vantagem petista
O Nordeste foi a segunda região que mais contribuiu para o aumento da votação de Lula. O presidente recebeu 2.955.848 votos adicionais, enquanto Flávio ampliou seu total em 397.763.
A diferença entre os dois candidatos também foi favorável a Lula no Sul, no Centro-Oeste e no Norte. No Sul, o petista ganhou 1.332.846 votos, contra 866.745 de Flávio. No Centro-Oeste, foram 770.876 votos a mais para Lula e 470.431 para o adversário. No Norte, o presidente acrescentou 474.024 votos, enquanto Flávio teve saldo positivo de apenas 14.110.
No conjunto dos estados, Bahia e Pernambuco também se destacaram no avanço de Lula, com acréscimos de aproximadamente 820 mil e 563 mil votos, respectivamente.
Flávio perdeu votos em seis estados
Apesar de ter ampliado sua votação no total nacional, Flávio Bolsonaro terminou o segundo turno com menos votos do que no primeiro em seis estados: Acre, Amapá, Roraima, Maranhão, Amazonas e Tocantins. Cinco dessas unidades da Federação ficam na Região Norte.
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A maior queda ocorreu no Acre, onde o candidato do PL passou de 302.807 para 287.715 votos, uma redução de 15.092. Mesmo com a diminuição, Flávio venceu no estado.
O levantamento dos resultados por região, estado e município mostra que o crescimento da votação não significa, necessariamente, vitória em determinado território.
O petista avançou em todas as unidades da Federação, mas o resultado final também dependeu da redução das vantagens de Flávio em áreas populosas e de mudanças na liderança em localidades como Macapá.
Os dados utilizados na comparação são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e consideram a apuração concluída dos dois turnos.
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