Brasileiros cruzam o país (e fronteiras) para votar e 2º turno tem menor abstenção em 20 anos

Vídeos mostram eleitores que percorreram centenas de quilômetros para participar da eleição
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População toma as ruas da Avenida Paulista em São Paulo para comemorar a reeleição do presidente Lula – Foto: Emanuela Godoy/TVT News

Brasileiros de diferentes regiões do país encararam longas viagens para votar no segundo turno das eleições presidenciais, realizado neste domingo (25). Vídeos publicados nas redes sociais mostram eleitores organizando caravanas, pegando estradas, embarcando em aviões e combinando diferentes meios de transporte para chegar às suas cidades e participar da votação. Leia em TVT News.

Os relatos incluem trajetos de centenas de quilômetros dentro do Brasil e viagens internacionais planejadas para que o eleitor pudesse exercer o direito ao voto. Em uma das gravações, uma pessoa afirma que saiu de São Luís, no Maranhão, para percorrer cerca de 630 quilômetros. Outra relata que enfrentaria mais de 30 horas de deslocamento, incluindo quase um dia de barco, para chegar ao local de votação.

Também houve quem viajasse de Florianópolis a Belo Horizonte, saísse do Reino Unido para retornar ao Brasil ou organizasse o percurso entre diferentes cidades para garantir a presença nas urnas. Em outros vídeos, famílias aparecem mobilizadas para acompanhar parentes, enquanto grupos convocam eleitores a sair de casa e participar da votação.

A mobilização ocorreu em uma eleição marcada pela disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Em diversas gravações, os eleitores associam a decisão de viajar à defesa da democracia e à importância de participar do processo eleitoral.

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Abstenção cai e atinge menor nível em 20 anos

A mobilização coincide com uma redução expressiva na abstenção eleitoral. Segundo dados divulgados pela Justiça Eleitoral e publicados pela Agência Brasil, o índice de eleitores que não compareceram às urnas caiu de 21,08% no primeiro turno, em 4 de outubro, para 19,22% no segundo turno, realizado no domingo (25).

O percentual é o menor registrado em segundos turnos nos últimos 20 anos. Em números absolutos, as ausências passaram de aproximadamente 33,47 milhões no primeiro turno para 30,51 milhões no segundo, uma redução de quase 3 milhões de eleitores.

A queda também chama a atenção por contrariar uma tendência histórica. Nas eleições presidenciais anteriores com segundo turno, a abstenção geralmente aumentava na etapa final da disputa. Em 2022, houve uma redução entre os turnos, mas de menor magnitude. Em 2026, a diferença foi de cerca de 1,86 ponto percentual.

Brancos e nulos também diminuem

Além da redução no número de eleitores ausentes, o segundo turno registrou queda nos votos brancos e nulos. Os votos em branco passaram de 2,3 milhões no primeiro turno, equivalentes a 1,84%, para cerca de 1,43 milhão, ou 1,12%, no segundo.

Já os votos nulos recuaram de aproximadamente 3,67 milhões (2,93%) para 2,72 milhões (2,12%). Somados, brancos e nulos representaram cerca de 3,24% dos votos depositados nas urnas no segundo turno, ante 4,77% no primeiro.

A diminuição desses índices ampliou o contingente de votos válidos na disputa presidencial. A redução da abstenção e dos votos brancos e nulos foi apontada por análises publicadas durante a apuração como um fator relevante para o resultado eleitoral, embora os números, isoladamente, não permitam determinar em quem votaram os eleitores que compareceram a mais.

Mobilização para defender o voto

Nos vídeos que circularam nas redes, a decisão de viajar aparece associada à ideia de que cada voto pode fazer diferença. Há relatos de pessoas que organizaram deslocamentos com familiares, convocaram conhecidos e defenderam a participação eleitoral como uma forma de honrar a luta de gerações anteriores pelo direito ao voto.

Uma das gravações destaca a importância da democracia para além das preferências partidárias e afirma que os direitos devem ser defendidos inclusive para quem pensa de maneira diferente. Outros registros, por sua vez, demonstram apoio explícito à candidatura de Lula, com eleitores afirmando que estavam dispostos a enfrentar longas jornadas para votar no candidato.

A combinação entre os relatos de mobilização e os dados oficiais mostra um segundo turno com maior participação eleitoral e menor proporção de votos brancos e nulos em relação à primeira etapa. As viagens e caravanas registradas nas redes sociais dão dimensão humana a esse movimento, com pessoas que transformaram o deslocamento até a urna em uma prioridade.

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