La Liga parou de ser transmitida na China; Entenda crise com Mbappé por causa do meme “ditador”

Mbappé causa crise diplomática com a China e LaLiga para de ser transmitida no país; atacante, LaLiga e Real Madrid já se desculparam
Mbappé é retratado como Mao em meme "Mbappé ditador" – Foto: Reprodução

O que era para ser uma piada se tornou uma ofensa para a população chinesa. Nesta terça-feira (27), uma crise comercial começou após vídeo antigo em que o atacante francês Kylian Mbappé comentava sobre o meme do “ditador”. Leia em TVT News.

No vídeo, Mbappé falava de forma descontraída do meme que já disse outras vezes achar problemático. Dessa vez, no entanto, ele comentou que se divertia com as imagens e que a mais gostava era a que o colocava no rosto de um “ditador chinês”. O comentário não foi bem aceito pelo governo e empresas chinesas e voltou a repercutir nessa semana de forma negativa.

Entenda: Por que Mbappé é chamado de ditador ?

A fala ocorreu em entrevista a um podcast: “Estou sempre usando com os meus amigos (imagem dele como o ditador)”, afirmou, entre sorrisos, “A minha favorita é de um ditador chinês”. Mbappé se referia ao meme que o coloca no rosto do líder chinês e fundador da China moderna, Mao Tsé-Tung.

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Meme Mbappé “ditador” – Reprodução
Agora até mesmo Olise e Dembelé se tornaram ditadores ao lado de Mbappé – Foto: Reprodução/Redes sociais

Declaração resultou na suspensão das transmissões da LaLiga na China

A repercussão levou à suspensão das transmissões de partidas de LaLiga na China, anunciada pelo grupo estatal China Media Group (CMG) em 26 de outubro.

Mbappé publicou um pedido de desculpas, reconhecendo o impacto. “O meu comentário foi imprudente e compreendo agora que magoou muitas pessoas na China e nas comunidades chinesas em todo o mundo”, declarou.

O jogador também afirmou ter “um profundo respeito pelo povo chinês e pela sua história”. A manifestação, porém, não foi suficiente para reverter a decisão das autoridades chinesas. Ao menos três marcas do país asiático também romperam relações comerciais com o atleta.

Diante do prejuízo comercial, o Real Madrid precisou se manifestar oficialmente. O clube pediu desculpas ao público chinês e afirmou manter “um profundo respeito pela China, sua história, sua cultura e seus cidadãos”.

Segundo informações publicadas pelo jornal francês L’Équipe, as autoridades chinesas cobraram uma manifestação formal da equipe antes de retomar as conversas sobre a transmissão dos jogos.

Um porta-voz do grupo de mídia ligado à emissora estatal CCTV teria advertido: “Enquanto o Real Madrid não apresentar um pedido de desculpas formal, não há nada a discutir”.

A reação chinesa também foi expressa pelo Global Times, jornal estatal publicado em inglês. Em editorial intitulado “Talento abre portas e o respeito as mantêm abertas”, o periódico defendeu que atletas internacionais considerem os aspectos culturais dos mercados em que atuam.

“Ninguém espera que um atleta seja expert sobre a história da China. Porém, astros internacionais que ganham dinheiro com empresas chinesas deveriam fazer esforços para entender a cultura do país e o mínimo de respeito”, afirmou o jornal. Em outro trecho, a publicação resumiu sua posição: “A lição é clara: respeito não é opcional”.

Presidente da LaLiga se encontrou com embaixador da China na Espanha

Na terça-feira, Javier Tebas Medrano, presidente da LaLiga, comunicou ter realizado uma reunião com o embaixador da China na Espanha para tratar a situação causada pelas declarações de Kylian Mbappé e buscar soluções para a crise.

“Nos últimos anos, desde a LALIGA temos trabalhado lado a lado com as autoridades chinesas, as instituições do futebol, os operadores audiovisuais e as empresas do país para impulsionar o crescimento e a popularidade do futebol espanhol na China, mas também para contribuir para o desenvolvimento e o crescimento do próprio futebol chinês, compartilhando nossa experiência, conhecimentos e recursos“, escreveu Medrano em suas redes sociais.

No fim, concluiu: Nosso compromisso é continuar trabalhando juntos para que um episódio individual não prejudique os importantes avanços alcançados nem afete os milhões de torcedores chineses que acompanham nossas competições.

Interesses comerciais comprometidos

Além do impacto sobre a imagem do jogador e do clube, a suspensão das transmissões ameaça interesses comerciais importantes.

De acordo com as informações citadas pelo L’Équipe, o Real Madrid tem aproximadamente 100 milhões de torcedores na China, mercado responsável por cerca de 10% a 15% das vendas de produtos licenciados da equipe.

Segundo o jornal espanhol Marca, a camisa de Mbappé era o artigo do clube mais vendido no país. A possibilidade de queda nas receitas ajuda a explicar a preocupação da direção em conter os efeitos da crise.

O episódio evidencia como declarações de figuras esportivas com alcance global podem ultrapassar o campo da opinião pessoal e afetar contratos, parcerias e acordos de transmissão.

Para o Real Madrid e LaLiga, a retomada das exibições na China depende agora da evolução das negociações com os representantes do país, enquanto o caso expõe a dimensão econômica e política das relações entre o futebol internacional e um dos principais mercados consumidores do esporte.

Veja repercussão do caso na internet e memes:

Fãs chineses do Mbappé queimando a camisa do ídolo:

Produtos do Mbappé estariam “sumindo” das prateleiras dos mercados chineses

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