Em 2026, a Agência Pública, agência de jornalismo investigativo, independente e sem fins lucrativos, pioneira no Brasil, completa 15 anos de história. Para celebrar esse momento e reforçar a importância do jornalismo como instrumento da sociedade civil e essencial para a defesa da democracia, realiza em parceria com o Sesc, o seminário Contando o Brasil: Uma celebração do jornalismo que informa e mobiliza. Leia em TVT News.
No dia 10 de março, o evento será no teatro do Sesc 24 de Maio, com mesas de debate mediadas pelas fundadoras da Agência Pública, Marina Amaral e Natalia Viana, e pelo chefe de redação, Bruno Fonseca. Já no dia 11, os profissionais da Pública ministram duas oficinas no Centro de Pesquisa e Formação (CPF).
“Desde o início, a Agência Pública acredita que fazer e fomentar jornalismo são formas de fortalecer a democracia. Neste evento, vamos celebrar nossa trajetória como organização de jornalismo independente, pioneira e inovadora, debatendo temas que são importantes não só para o futuro da profissão, mas para toda a sociedade. Estamos muito felizes em trazer essas conversas para o Sesc”, conta Marina Dias, diretora de Comunicação e Impacto da Agência Pública.
A primeira mesa, Guerra ao jornalismo, discute as principais ameaças ao jornalismo brasileiro e global, como ataques contra profissionais, cerceamento da liberdade de imprensa por correntes políticas antidemocráticas, crise de credibilidade, transformação digital, falência dos modelos de negócio tradicionais e o papel das big techs na erosão da integridade dos ecossistemas de informação. Em um ano eleitoral, quando o jornalismo é frequentemente colocado à prova e o ambiente tende a se tornar ainda mais hostil à imprensa — especialmente às jornalistas mulheres —, a mesa, que abre oficialmente as comemorações dos 15 anos da Pública, reúne quatro profissionais que estão na linha de frente desses desafios.
A conversa, que tem início às 14h, será mediada por Natalia Viana, recém-premiada com o Maria Moors Cabot 2025, concedido pela Universidade de Columbia — um dos mais prestigiados reconhecimentos internacionais do jornalismo. Natalia foi a primeira jornalista brasileira de um veículo independente a receber o prêmio. Ao lado dela estarão as convidadas Daniela Lima (UOL), Patrícia Campos Mello (Folha de S.Paulo) e Nina Santos, pesquisadora e hoje Secretária Adjunta de Políticas Digitais na Secretaria de Comunicação da Presidência da República.
A segunda mesa do dia, Informação que mobiliza, parte de uma pergunta central: qual é a sociedade civil de hoje e qual o espaço que o jornalismo ocupa dentro dela? A mesa propõe ainda abordar de que forma o jornalismo pode contribuir para a mobilização social — e quando, ao contrário, acaba alimentando a apatia e o cinismo —, além de refletir sobre que tipo de cobertura é capaz de empoderar comunidades e revelar outros Brasis. A conversa será mediada por Marina Amaral, cofundadora da Agência Pública, com trajetória marcada pela atuação em grandes redações e no jornalismo independente. O debate conta com a participação de Neon Cunha, referência na luta por direitos humanos e pessoas LGBTQIAPN+, Raull Santiago, ativista e fundador da Agência Brecha e Instituto Papo Reto, além de Bianca Borges, presidente da União Nacional dos Estudantes.
Encerrando a programação do dia 10, a mesa Novos caminhos: Ainda estamos aqui, trata dos desafios contemporâneos da profissão, dos modelos emergentes de produção jornalística e do papel do jornalismo na reconstrução da confiança pública. O debate será mediado pelo jornalista e chefe de redação da Pública, Bruno Fonseca, que tem trabalhos reconhecidos por prêmios como Petrobras de Jornalismo, Vladimir Herzog, República, SIP e MPT de Jornalismo e conta com a participação de Eugênio Bucci, jornalista e professor universitário (USP), Carol Pires jornalista e roteirista do documentário indicado ao Oscar “Democracia em Vertigem” (2019), e Elaine Silva, sócia diretora na Alma Preta Jornalismo.
O segundo dia, 11 de março, acontece no CPF, e é voltado à formação e ao aprendizado em jornalismo com duas oficinas gratuitas. As inscrições on-line estarão abertas a partir de 25/02 (quarta-feira), às 14h, pelo site sescsp.org.br/cpf.
A primeira oficina, O que faz um jornalista?, ministrada por Bruno Fonseca, aborda quais são as competências necessárias para produzir informação confiável. O encontro apresenta como funciona o trabalho jornalístico, os métodos de apuração, os princípios éticos da profissão e as diferenças entre jornalismo e produção de conteúdo opinativo. Haverá também uma atividade prática para que os participantes experimentem etapas do processo investigativo, como caminhos possíveis para fiscalizar o poder público local.
Já a segunda oficina, Como diferenciar notícias falsas de verdadeiras?, conduzida por Natalia Viana, e trata de como navegar em um ecossistema informacional cada vez mais complexo, no qual fatos e versões se misturam, sem cair em desinformação. A proposta é oferecer orientações práticas para diferenciar conteúdos verdadeiros e falsos — especialmente em tempos de inteligência artificial —, a partir de casos reais e da análise coletiva de materiais trazidos pelos participantes.
Confira o resumo da programação:
📅 10 de março | Sesc 24 de Maio
14h — Mesa 1: Guerra ao jornalismo
Mediação: Natalia Viana
Convidadas: Daniela Lima, Patrícia Campos Mello e Nina Santos
16h30 — Mesa 2: Informação que mobiliza
Mediação: Marina Amaral
Convidados: Neon Cunha, Raull Santiago e Bianca Borges
19h — Falas institucionais – Agência Pública e Sesc
19h30 — Mesa 3: Novos caminhos: Ainda estamos aqui
Mediação: Bruno Fonseca
Convidados: Eugênio Bucci, Carol Pires e Elaine Silva
📅 11 de março | Sesc Centro de Pesquisa e Formação (CPF)
17h — Oficina: O que faz um jornalista?
Com Bruno Fonseca
Duração: 1h30
19h — Oficina: Como diferenciar notícias falsas de verdadeiras?
Com Natalia Viana
Duração: 1h30
Sobre a Agência Pública – A Agência Pública foi fundada em 2011 por jornalistas mulheres e tem como missão produzir reportagens de fôlego pautadas pelo interesse público, sobre as grandes questões do país do ponto de vista da população – visando o fortalecimento do direito à informação, à qualificação do debate democrático e a promoção dos direitos humanos. Em 2022, nossas reportagens foram reproduzidas por cerca de 700 veículos, sob a licença creative commons. A Agência Pública é considerada a agência de notícias mais premiada do Brasil, tendo conquistado 90 prêmios nacionais e internacionais, como o Prêmio Vladimir Herzog, Prêmio República e Prêmio Gabo.
