Anvisa emite alerta sobre risco de pancreatite aguda com uso de canetas emagrecedoras

Agência registra 145 notificações de eventos adversos e seis mortes suspeitas no Brasil
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Canetas emagrecedoras simulam a ação do hormônio GLP-1, responsável por regular a glicose no sangue e promover a saciedade. Foto: Freepik

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta de farmacovigilância sobre os riscos de pancreatite aguda associados ao uso das “canetas emagrecedoras”, medicamentos agonistas do receptor GLP-1. A medida ocorre após o aumento de notificações de eventos adversos graves no Brasil e no exterior, incluindo casos fatais. Saiba mais na TVT News.

Os medicamentos monitorados simulam a ação do hormônio GLP-1, responsável por regular a glicose no sangue e promover a saciedade, sendo indicados principalmente para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade clínica. Entre as substâncias citadas estão semaglutida, liraglutida, tirzepatida, dulaglutida e lixisenatida, vendidas sob marcas como Ozempic, Wegovy, Rybelsus, Saxenda, Victoza, Mounjaro, Trulicity e Xultophy.

Embora o risco de inflamação do pâncreas já constasse nas bulas aprovadas no país, a agência decidiu reforçar as orientações de segurança diante do crescimento das ocorrências.

Casos acendem sinal de alerta

Dados do sistema VigiMed, da própria Anvisa, apontam que entre 2020 e dezembro de 2025 foram registradas 145 notificações de eventos adversos relacionados ao pâncreas no Brasil, com seis mortes suspeitas ainda sob investigação. Segundo o levantamento, três casos estariam associados ao Saxenda, dois ao Ozempic e um ao Mounjaro. As ocorrências foram registradas em São Paulo, Paraná, Bahia e no Distrito Federal.

No Reino Unido, o cenário também preocupa. Entre 2007 e 2025, a agência reguladora local contabilizou 1.296 notificações de pancreatite entre usuários desses medicamentos, com 19 óbitos confirmados.

A Anvisa ressalta que os registros são considerados suspeitos e não estabelecem relação causal direta. Além disso, pacientes com obesidade e diabetes já apresentam risco naturalmente maior para pancreatite, o que pode dificultar a identificação da origem do problema.

Entenda o risco

A pancreatite aguda é a inflamação do pâncreas, órgão fundamental para a digestão e para a produção de insulina. Quando inflamado, o órgão pode sofrer danos causados pelas próprias enzimas digestivas. Os principais sintomas são dor abdominal intensa e persistente que pode irradiar para as costas, além de náuseas e vômitos.

Em quadros graves, a doença pode evoluir para necrose do tecido pancreático, infecções generalizadas e falência múltipla de órgãos, com risco de morte.

Regras mais rígidas para compra

Como resposta ao aumento do uso indiscriminado, especialmente para fins estéticos ou emagrecimento rápido sem indicação clínica, a Anvisa endureceu o controle sobre a venda desses medicamentos. Desde junho de 2025, a comercialização passou a seguir regras semelhantes às dos antibióticos.

Pela nova norma (RDC nº 973/2025), a compra exige receita médica em duas vias, com retenção obrigatória de uma delas pela farmácia. A prescrição tem validade máxima de 90 dias.

O objetivo, segundo a agência, é coibir o uso off-label e reduzir riscos à saúde.

Perigo adicional: falsificações

Outro ponto de preocupação é a circulação de produtos falsificados ou manipulados ilegalmente. A Anvisa alerta que a menção a marcas comerciais nas notificações não garante que o paciente utilizou o medicamento original, o que pode ampliar significativamente o risco de efeitos graves.

Orientações

A agência recomenda que pacientes procurem atendimento médico imediato ao apresentar dor abdominal intensa e persistente, especialmente se acompanhada de vômitos. Em caso de suspeita de pancreatite, o tratamento deve ser interrompido imediatamente e não deve ser retomado se o diagnóstico for confirmado.

Profissionais de saúde também são orientados a monitorar de perto os pacientes e a registrar qualquer evento adverso no sistema VigiMed.

Uso segue permitido

Apesar do alerta, a Anvisa reforça que a relação benefício-risco dos agonistas de GLP-1 permanece favorável quando utilizados corretamente, dentro das indicações aprovadas e com acompanhamento médico.

O monitoramento dos casos de pancreatite continuará de forma permanente.

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