A missão Artemis II, considerada um marco no retorno da exploração humana ao espaço profundo, entra em sua fase final nesta sexta-feira (10), com a previsão de chegada à Terra da cápsula Orion, da NASA. A amerissagem — conhecida como splashdown — deve ocorrer às 21h07 (horário de Brasília), no Oceano Pacífico, próximo à costa de San Diego, nos Estados Unidos. Leia em TVT News.
A bordo estão quatro astronautas: Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen. Eles encerram uma jornada de 10 dias que entrou para a história ao alcançar a maior distância já percorrida por seres humanos no espaço — cerca de 406 mil quilômetros da Terra — incluindo um sobrevoo ao redor da Lua e a observação direta de sua face oculta.
A agência espacial norte-americana programou uma ampla cobertura ao vivo do retorno, com início às 18h30, transmitida em diversas plataformas de streaming, incluindo serviços como NASA+, Amazon Prime Video, Apple TV, Netflix e Warner Bros. Discovery (HBO Max e Discovery+). A expectativa é de grande audiência global para acompanhar o desfecho de uma missão considerada estratégica para os próximos passos da exploração lunar.
Reentrada: fase mais crítica
O retorno à Terra representa o momento mais delicado de toda a missão. A cápsula Orion deverá atingir velocidades próximas a 38 mil km/h ao entrar na atmosfera terrestre, enfrentando temperaturas extremas que podem chegar a 2.700°C. Nesse cenário, o escudo térmico da nave desempenha papel fundamental para garantir a integridade da tripulação.
O astronauta Victor Glover descreveu a experiência de reentrada como “cavalgar uma bola de fogo pela atmosfera”, evidenciando a intensidade do processo. Durante essa etapa, a nave ficará envolta por plasma, o que provocará um apagão de comunicação com a Terra por cerca de seis minutos — período considerado padrão, mas que eleva a tensão das equipes de controle.
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A descida completa, desde o início da reentrada até o pouso no oceano, deve durar cerca de 13 minutos. Durante esse intervalo, a Orion desacelerará drasticamente, passando por diferentes fases de frenagem. Primeiro, a resistência da atmosfera reduzirá a velocidade. Em seguida, paraquedas de estabilização serão acionados a cerca de 6,7 mil metros de altitude. Por fim, três paraquedas principais serão abertos a aproximadamente 1,8 mil metros, diminuindo a velocidade para cerca de 27 km/h no momento do impacto com a água.
Preparativos finais e precisão milimétrica
No último dia completo no espaço, os astronautas realizaram uma série de procedimentos essenciais para a reentrada. Entre eles, a revisão de protocolos críticos, análise das condições meteorológicas e ajustes na trajetória de retorno. A organização da cabine, o armazenamento de equipamentos e a adequação dos assentos também fazem parte das medidas de segurança.
Outro ponto decisivo foi o disparo dos propulsores da Orion, responsável por ajustar com precisão o ângulo de entrada na atmosfera. Especialistas destacam que a margem de erro nesse cálculo é mínima: um desvio de apenas um grau pode resultar em consequências graves, como a queima da cápsula ou o retorno ao espaço.
Cerca de 20 minutos antes da reentrada, o módulo de serviço da nave será descartado, permitindo que a cápsula de tripulação se posicione corretamente, com o escudo térmico voltado para a direção do movimento.

Resgate e retorno à base
Após o splashdown, equipes de resgate devem chegar rapidamente ao local para iniciar a recuperação da tripulação. A previsão é que os astronautas sejam retirados da cápsula em até duas horas e transportados por helicóptero até o navio da Marinha dos Estados Unidos, o USS John P. Murtha.
No porta-aviões, eles passarão por avaliações médicas iniciais, fundamentais após o período em microgravidade e a exposição às forças da reentrada. Em seguida, serão levados de volta ao continente e embarcarão para o Centro Espacial Johnson, em Houston, onde continuarão o acompanhamento pós-missão.
Missão abre caminho para retorno à Lua
A Artemis II é a primeira missão tripulada do programa Artemis e tem como principal objetivo validar sistemas e procedimentos para futuras viagens ao espaço profundo. O sucesso do retorno será determinante para os próximos passos da agência, especialmente a missão Artemis III, prevista para levar astronautas à superfície lunar até 2028.
Segundo o vice-administrador da NASA, Amit Kshatriya, a confirmação plena do êxito da missão só virá após a tripulação estar em segurança. “Podemos começar a comemorar quando estiverem a bordo da embarcação de recuperação”, afirmou.
O retorno desta sexta-feira marca não apenas o encerramento de uma missão histórica, mas também um avanço concreto na retomada das viagens tripuladas além da órbita terrestre — um passo considerado essencial para futuros projetos de exploração da Lua e, posteriormente, de Marte.
