A cidade de São Paulo será palco, nesta segunda-feira (25), de uma das principais mobilizações nacionais em defesa do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho sem redução salarial. Convocado pela CUT, centrais sindicais, movimentos populares e entidades da sociedade civil, o ato ocorrerá às 17h em frente ao Masp, na Avenida Paulista, no mesmo momento em que a Câmara dos Deputados deve apresentar o relatório final da proposta que altera a jornada de trabalho no país. Leia em TVT News.
A manifestação acontece em meio ao avanço das negociações em Brasília para aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e garante dois dias de descanso remunerado aos trabalhadores. Nesta segunda-feira, o relator da matéria, o deputado Léo Prates, deve apresentar oficialmente o parecer na comissão especial da Câmara, após acordo costurado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Hugo Motta.
Confira a cobertura completa no Jornal TVT News Segunda Edição:
O texto negociado prevê uma transição de um ano para reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. Os dois dias de folga semanais deverão começar a valer 60 dias após a promulgação da PEC. A expectativa do governo e da direção da Câmara é votar o relatório ainda nesta semana na comissão especial e acelerar sua tramitação no plenário.
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Diante da ofensiva de setores conservadores e empresariais para desidratar a proposta, movimentos sindicais decidiram intensificar a pressão popular nas ruas. Lideranças sindicais afirmam que o ato em São Paulo será um recado direto ao Congresso Nacional contra tentativas de ampliar o prazo de transição ou criar exceções que preservem jornadas extensas.
Nas últimas semanas, parlamentares do centrão e da extrema direita apresentaram emendas propondo uma transição de até dez anos para implementação da nova jornada, além de mecanismos que poderiam flexibilizar limites de horas trabalhadas em setores considerados “essenciais”. Parte dessas propostas também previa redução de encargos trabalhistas pagos pelas empresas.
Para dirigentes da CUT e de movimentos sociais, as propostas representam um retrocesso frente às conquistas históricas da classe trabalhadora. O presidente da CUT-SP, Raimundo Suzart, afirmou que a redução da jornada sem redução salarial é uma reivindicação histórica do movimento sindical.
Segundo ele, a medida pode melhorar a qualidade de vida, ampliar a convivência familiar e estimular a geração de empregos. Suzart também criticou setores do Congresso que tentam retardar ou enfraquecer a proposta.
Final de semana de manifestações
A mobilização desta segunda integra uma semana nacional de pressão organizada por sindicatos e movimentos populares em várias regiões do país. Desde o fim de semana, manifestações, caminhadas, panfletagens e atos públicos vêm sendo realizados em cidades como Salvador, Recife, Curitiba, Porto Alegre, Campo Grande e Florianópolis.
No domingo (24), trabalhadores e dirigentes sindicais ocuparam espaços públicos em diferentes capitais para defender jornadas mais humanas e denunciar os impactos físicos e emocionais da escala 6×1 sobre milhões de brasileiros. Em Salvador, houve caminhada no Farol da Barra. Em Recife, movimentos realizaram ato na Rua da Aurora. Em Porto Alegre, sindicatos promoveram mobilização no Parque da Redenção.
Em São Paulo, a expectativa é que o protesto na Avenida Paulista reúna sindicatos de diversas categorias, movimentos populares, juventudes e trabalhadores do comércio e serviços — setores que concentram parte significativa dos empregados submetidos à escala de seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso.
Os organizadores pretendem usar o ato para ampliar a pressão sobre deputados federais às vésperas da votação na comissão especial da Câmara. Além das manifestações presenciais, a CUT também vem estimulando pressão digital sobre os parlamentares por meio da plataforma “Na Pressão”, que permite o envio de mensagens diretamente aos deputados por WhatsApp, redes sociais e e-mail.
Rio de Janeiro e outras capitais pelo fim da escala 6×1
Embora São Paulo concentre a principal mobilização desta segunda-feira, outras capitais também terão atos. No Rio de Janeiro, sindicatos e movimentos populares convocaram manifestação às 16h na Candelária, no centro da cidade. Também estão previstas atividades em Vitória, São Luís, Cuiabá e Aracaju.
A pauta do fim da escala 6×1 ganhou forte apoio popular nos últimos meses e se consolidou como uma das principais discussões sociais e trabalhistas em curso no país. Pesquisas e levantamentos divulgados por entidades sindicais apontam amplo respaldo à redução da jornada, especialmente entre trabalhadores do comércio, serviços e setores de atendimento.
Enquanto empresários alegam risco de aumento de custos e impactos na produtividade, representantes sindicais argumentam que a redução da jornada pode estimular novas contratações, melhorar a saúde mental dos trabalhadores e elevar a qualidade de vida.
Nos bastidores do Congresso, aliados do governo avaliam que a pressão popular nas ruas será decisiva para impedir tentativas de esvaziar a proposta durante sua tramitação. A expectativa é que os próximos dias sejam marcados por forte disputa política em torno de um dos projetos trabalhistas mais importantes desde a Constituição de 1988.

