Autossuficiência em diesel passa pela reestatização de refinarias, diz FUP

Entidade defende retomada do controle público no refino e distribuição como condição para reduzir importações
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“É fundamental garantir que o país tenha controle sobre toda a cadeia, ‘do poço ao posto’", diz Bacelar. Foto: André Valentim/Agência Petrobras

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) afirmou que a meta anunciada pela presidente da Petrobrás, Magda Chambriard, de tornar o Brasil autossuficiente na produção de diesel em até cinco anos, é positiva e viável, e passa necessariamente pela retomada do controle público de refinarias e pelo fortalecimento da cadeia integrada de combustíveis. Mais informações em TVT News.

Atualmente, cerca de 30% do diesel consumido no país é importado, o que evidencia a necessidade de ampliar a capacidade de refino nacional e reverter a venda de ativos estratégicos realizada pelo governo anterior, como a BR Distribuidora e a Liquigás, além das refinarias privatizadas.

Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) indicam que, em fevereiro de 2026, as importações corresponderam a 31% da demanda. Para alcançar a autossuficiência, o Brasil precisará expandir sua produção em cerca de 30%. No mesmo mês, a produção média foi de 844 mil barris de diesel por dia, o que implica a necessidade de um acréscimo de aproximadamente 260 mil barris diários para atingir a autonomia.

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“A expansão das refinarias Abreu e Lima (Rnest) e Duque de Caxias (Reduc), além da adaptação de unidades em São Paulo, são positivas, mas os investimentos precisam ser acompanhados de mudanças estruturais no setor”, pontua Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP.

Desde o dia 28 de fevereiro – início da guerra dos EUA e Israel contra o Irã – até hoje (2), a Acelen, refinaria da Bahia privatizada em 2021, reajustou o diesel em 88%, a gasolina em quase 60% e o gás de cozinha em 15,2%. No mesmo período, a Petrobrás não reajustou os preços da gasolina e do gás de cozinha e reajustou em 11,4% o diesel.

Bacelar afirma que a autossuficiência em diesel está diretamente ligada à reconstrução do sistema nacional de refino e distribuição. “É fundamental garantir que o país tenha controle sobre toda a cadeia, ‘do poço ao posto’. Sem isso, o Brasil continuará vulnerável às oscilações internacionais e a práticas de mercado que pressionam os preços”, afirmou.

As distorções também aparecem no repasse ao consumidor. Levantamento da ANP indica que, em março, o diesel S500 teve alta média de 11,8% e o S10 de 12% nos postos, mesmo após medidas do governo federal para conter os preços, como a redução de tributos.

“Enquanto a Petrobrás mantém os preços estáveis, sem reajustes no gás de cozinha na refinaria desde novembro de 2024, há agentes privados promovendo reajustes acelerados que não refletem a realidade do mercado nacional e acabam pressionando artificialmente o custo do gás de cozinha para a população. A Petrobrás produz 75% do gás de cozinha do Brasil, o restante é importado por ela, que não reajusta o preço do produto desde novembro de 2024”, informa Cloviomar Cararine, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/subseção FUP). “Portanto, a pressão das distribuidoras por reajustes não se justifica, pois a Acelen, que aumentou ontem o gás de cozinha em 15%, fornece para apenas três cidades da Bahia. Ou seja, o efeito da alta é localizado e não em todo o país”, finaliza.

A FUP defende a reestatização das refinarias privatizadas e a retomada da atuação da Petrobrás na distribuição de combustíveis como medidas essenciais para garantir soberania energética, estabilidade de preços e proteção ao consumidor. Para a federação, a autossuficiência só será alcançada de forma sustentável, com planejamento de longo prazo, investimentos em refino e recomposição do controle público sobre setores estratégicos.

Abaixo, gráfico comparativo dos percentuais de reajustes na gasolina, diesel e gás de cozinha – Petrobrás e Acelen.

Fonte: ANP / Elaboração: Dieese/FUP

Via FUP

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