Bancos eliminam 8,9 mil postos em 2025; mulheres são mais afetadas

Dos quase 9 mil postos de trabalho fechados no setor bancário em 2025 no Brasil, cerca de 6 mil eram ocupados por mulheres
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O fechamento de agências sobrecarrega as unidades restantes, resultando em superlotação e precarização do atendimento. Foto: Wikimedia Commons

O desemprego no país está em queda. No trimestre encerrado em janeiro de 2026, a taxa ficou em 5,4%, representando estabilidade e mantendo o patamar mais baixo da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o período. No entanto, setores econômicos como o sistema financeiro não têm acompanhado esse movimento. Confira mais em TVT News.

Dados de movimentação de emprego do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que, em 2025, os bancos eliminaram 8.910 postos de trabalho em todo o país. Desde o início da pandemia, em 2020, cerca de 26 mil vagas foram fechadas no setor.

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A taxa de desemprego no trimestre encerrado em novembro ficou em 5,2%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Foto: Shutterstock

Informações divulgadas pelas holdings dos cinco maiores bancos do Brasil — Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Nubank — indicam o fechamento de cerca de 12,7 mil postos de trabalho no último ano, considerando atividades diretas e indiretas do setor financeiro.

Em São Paulo, o cenário é ainda mais preocupante. No estado, o saldo foi negativo em 3.580 vagas, enquanto, na capital paulista, 2.563 postos de trabalho foram eliminados.

Uma questão de gênero

Entre os mais afetados pelo desemprego estão as mulheres. A taxa de desocupação feminina no Brasil permanece superior à masculina, mesmo com a queda geral dos índices. Dados de 2024 e 2025 do IBGE indicam uma taxa entre 6,9% e 7,6% para mulheres, frente a 4,8% a 5,1% para homens.

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Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região

Segundo a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, dos quase 9 mil postos de trabalho fechados no setor bancário em 2025, cerca de 6 mil eram ocupados por mulheres.

Ainda de acordo com Ribeiro, essa realidade contribui para a manutenção da violência de gênero. “Isso significa que elas representam cerca de dois terços das demissões, evidenciando um impacto desproporcional sobre as trabalhadoras. A perda de renda e de autonomia financeira aumenta a vulnerabilidade das mulheres e pode aprofundar o ciclo de violência econômica e social que muitas já enfrentam”, afirmou.

Fechamento de agências

Outro fator apontado pela categoria que tem contribuído para a redução de postos de trabalho é o fechamento massivo de agências bancárias, impulsionado pelo avanço da tecnologia no setor.

Dados do Banco Central mostram que, em 2025, cerca de 1,6 mil agências foram fechadas no país — o equivalente a 31 unidades por semana.

Apenas no estado de São Paulo, no mesmo período, 649 agências encerraram suas atividades; na capital, foram 271.

A categoria bancária não se opõe ao uso da tecnologia como aliada na melhoria dos processos de trabalho. No entanto, argumenta que isso não deve implicar a eliminação de postos de trabalho.

O fechamento de vagas e de agências físicas tem reduzido o acesso da população aos serviços bancários e ampliado os desafios enfrentados pelos trabalhadores do setor. Além disso, como muitos trabalhadores integraram o setor, mas em funções que não são diretamente relacionadas à atividade bancária, como as do setor de seguros e também companhias da área de tecnologia da informação, os sindicatos têm tido dificuldades em dimensionar o tamanho da crise e amparar esses trabalhadores.

“O movimento sindical bancário reafirma sua luta incansável em defesa dos empregos e dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras do setor financeiro. Fizemos diversas audiências públicas denunciando a redução de agências e o fechamento de postos de trabalho nos últimos anos. A qualidade do serviço prestado despencou: agências superlotadas, filas intermináveis e escassez de funcionários tornaram-se rotina. Os trabalhadores remanescentes são sobrecarregados, enquanto os bancos empurram clientes para canais digitais que não atendem de forma inclusiva parte significativa da população — como idosos, pessoas com deficiência e aqueles sem acesso estável à internet”, destacou Neiva Ribeiro.

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