Brasil envia insumos de diálise à Venezuela após EUA destruir centro médico

Bombardeio dos Estados Unidos à Caracas destruiu um centro de tratamento de pacientes renais
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Padilha afirmou que Brasil mobiliza estoque do SUS e articula doações com empresas privadas. Foto: Rafael Nascimento/MS

O governo Lula anunciou o envio de insumos e equipamentos para hemodiálise à Venezuela após os Estados Unidos destruir um centro de distribuição de medicamentos e tratamento de pacientes renais na operação militar que sequestrou Nicolás Maduro no sábado (3). A decisão foi confirmada na segunda-feira (5) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Entenda na TVT News.

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 16 mil venezuelanos dependem de tratamento renal contínuo, o equivalente a 10% do total de pacientes em diálise atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, que soma quase 170 mil pessoas. A interrupção do atendimento no país vizinho elevou o risco de agravamento clínico imediato dessa população.

Padilha afirmou que o Brasil está mobilizando estoques do SUS e articulando doações com empresas privadas do setor médico. O envio atende a um pedido formal da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e, segundo o ministro, combina razões humanitárias e de segurança sanitária regional.

“Nossa prioridade é cuidar do SUS e do povo brasileiro, reduzindo ao máximo qualquer impacto de um eventual aumento de fluxo migratório, mas também manter a cooperação regional, fundamental para evitar a propagação de crises sanitárias no nosso país”, afirmou o ministro. Ele também destacou o princípio da reciprocidade, lembrando que a Venezuela forneceu 135 mil metros cúbicos de oxigênio a Manaus durante o colapso hospitalar na pandemia de Covid-19, em 2021.

Contingência reforçada em Roraima

Embora o fluxo migratório em Pacaraima (RR) permaneça estável, o governo federal montou uma estrutura preventiva para lidar com eventual aumento de demanda. Uma equipe da Força Nacional do SUS (FNSUS) foi enviada ao estado para avaliar a capacidade local de atendimento, disponibilidade de profissionais e estoques de vacinas e insumos.

A Operação Acolhida retomou a triagem ampliada de migrantes e, se necessário, poderá reforçar o efetivo e instalar hospitais de campanha. A fronteira também recebeu apoio militar com o envio de blindados Guaicuru.

Crise ocorre em meio a tensão geopolítica

A necessidade de assistência surge após a invasão dos Estados Unidos à Venezuela, em operação ordenada por Donald Trump, que sequestrou Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em Caracas. O casal foi levado a julgamento em Nova York sob acusações de narcotráfico e declarou inocência.

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