Brasil e EUA firmam acordo para combater crime organizado

Desde 2025 Trump tenta enquadrar o crime organizado na América Latina como organizações terroristas; governo Lula rejeitou
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Governo Lula e norteamericano firmam acordo de combate ao crime organizado – Foto: Ricardo Stuckert

Pretendendo colocar fim ao crime organizado transnacional, o ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, oficializou nesta sexta-feira (10) uma parceria entre o governo brasileiro e os Estados Unidos. O acordo integra as operações da Receita Federal com o U.S. Customs and Border Protection (a alfândega norte-americana). Leia em TVT News.

A peça central dessa cooperação é o Projeto MIT (Mutual Interdiction Team ou Equipe de Interdição Mútua). Na prática, o projeto estabelece uma rede de inteligência compartilhada e operações conjuntas para barrar o fluxo de mercadorias ilícitas, com foco prioritário no combate ao contrabando de armas e ao tráfico de entorpecentes.

Recebi representantes do governo dos Estados Unidos para uma informação, um reporte para mim, que foi dado tanto pela Receita Federal quanto pela Polícia Federal quanto pelas autoridades norte-americanas, autoridades da Embaixada dos Estados Unidos e autoridades da alfândega norte-americana, o CBP. Hoje marca o primeiro passo relevante depois da conversa do Presidente Lula com o Presidente Trump no sentido de avançar na cooperação no combate ao crime organizado entre os nossos dois países“, disse Durigan

Pressão internacional: Trump queria classificar crime organizado como “organizações terroristas”

A iniciativa marca um ponto de convergência entre as agendas de segurança dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

Desde o ano passado, havia um debate em curso no governo norte-americano em que congressistas e autoridades defendiam classificar facções criminosas da América Latina como organizações terroristas, o que permitiria sanções financeiras e repressivas muito mais severas.

Desde o início, Lula disse não concordar com a proposta de Trump, pois isso abriria brechas para que EUA intervisse na política interna nacional, como faz junto a Israel no Oriente Médio.

Gleise Hoffman (PT), Ministra da Secretaria de Relações Institucionais, na ocasião também ressaltou ser “terminantemente contra” a proposta.

Pela legislação internacional, terrorismo dá guarida para que outros países possam fazer intervenção no nosso país“, afirmou.

O Projeto MIT sinaliza que o Brasil busca se antecipar à pressão externa, demonstrando compromisso em desarticular as finanças e a logística das organizações criminosas, mas sem abrir mão do controle de sua política interna.

Crise diplomática na vizinhança: Colômbia e Equador

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Petro retira embaixadora do Equador após país elevar para 100% tarifas sobre produtos colombianos. Foto: Presidencia de Colombia/Flickr

A segurança das fronteiras e a eficiência no combate ao crime organizado tornaram-se o tema central da geopolítica sul-americana nesta sexta-feira (10). Enquanto o Brasil busca cooperação com os EUA, o clima entre Colômbia e Equador é de ruptura. Acompnhe os acontecimentos:

  • Tarifas de 100%: O Equador anunciou que dobrará os impostos sobre produtos colombianos a partir de maio.
  • Afastamento da Embaixadora: Como resposta, o presidente Gustavo Petro ordenou a saída imediata da embaixadora colombiana de Quito.
  • O motivo: O governo equatoriano de Daniel Noboa justifica o “tarifaço” alegando que a Colômbia é ineficiente no controle de suas fronteiras, o que estaria sobrecarregando os custos de segurança do Equador.
  • Acusações Cruzadas: Petro rebateu chamando a medida de “monstruosidade” e acusou a elite política equatoriana de permitir que seus portos se tornassem os maiores exportadores de cocaína do mundo.

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