Brasileirão estreia impedimento semiautomático e tecnologia já interfere em três lances na 20ª rodada

Nova tecnologia passou a ser utilizada em todos os jogos da Série A, validou um gol, anulou outros dois e abriu debate sobre transparência nas decisões do VAR
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Revisão de lance de gol do Bahia contra o Corinthians na 20ª rodada do Brasileirão – Reprodução

A 20ª rodada do Brasileirão marcou a estreia oficial do impedimento semiautomático na Série A, tecnologia que passa a integrar todas as partidas da competição a partir desta etapa. Logo em seu primeiro fim de semana de utilização, o sistema teve impacto direto em decisões importantes da arbitragem, validando um gol e anulando outros dois após análise automatizada das posições dos jogadores. Leia em TVT News.

A implementação do recurso representa um novo passo da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na adoção de tecnologias para reduzir o tempo das revisões do VAR e aumentar a precisão das marcações de impedimento. Apesar da avaliação positiva feita pela entidade e por parte dos treinadores, a novidade também provocou debates entre torcedores, principalmente sobre a transparência das imagens exibidas durante as revisões.

Até então, a verificação dos impedimentos dependia da análise manual dos árbitros de vídeo, que definiam o momento exato do passe e posicionavam as linhas sobre a imagem. Com o novo sistema, a tecnologia realiza esse processo automaticamente por meio de reconstruções tridimensionais, oferecendo maior precisão na identificação da posição dos atletas no instante da jogada.

Tecnologia estreia validando gol da Chapecoense contra Santos

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Revisão de gol do Chapeconse contra o Santos na 20ª rodada do Brasileirão – Reprodução

O primeiro lance analisado pelo impedimento semiautomático no Brasileirão aconteceu ainda no sábado, durante o empate por 2 a 2 entre Santos e Chapecoense. Aos cinco minutos do segundo tempo, Marcinho marcou o primeiro gol da equipe catarinense, mas a jogada passou pela análise do novo sistema antes da confirmação.

A dúvida envolvia a posição de Giovanni Augusto no momento em que recebeu o passe antes de servir Marcinho. Após a reconstrução em três dimensões, a tecnologia concluiu que não havia irregularidade, validando o gol da Chapecoense.

O episódio serviu como a primeira demonstração prática do funcionamento da ferramenta no futebol brasileiro e mostrou que o sistema não atua apenas para anular jogadas, mas também para confirmar decisões quando não existe impedimento.

Dois gols anulados no domingo: Bahia x Corinthians e São Paulo x Flamengo

No domingo, o recurso voltou a ser acionado em dois momentos decisivos da rodada do Brasileirão.

Na partida entre Bahia e Corinthians, Alejo Véliz marcou o gol que representaria o empate da equipe baiana aos 11 minutos de jogo. Entretanto, cerca de um minuto depois, a revisão do impedimento semiautomático apontou que Erick Pulga, responsável pela origem da jogada, estava com a ponta do pé à frente da linha defensiva corintiana no momento do passe.

Com base na reconstrução em três dimensões, a arbitragem anulou o lance por impedimento. Ainda na mesma partida, o Bahia teve outro gol invalidado, desta vez de Willian José. Nesse caso, porém, a infração já havia sido assinalada pelo assistente em campo e posteriormente confirmada pelo VAR, sem necessidade de utilização do novo sistema.

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Revisão do impedimento semiautomático em jogo do Brasileirão deste domingo Flamengo x São Paulo – Reprodução

Outro momento de grande repercussão do Brasileirão ocorreu no Maracanã, durante o confronto entre Flamengo e São Paulo. Aos 45 minutos do segundo tempo, Samuel Lino balançou as redes e marcou o que seria o gol da vitória da equipe carioca. No entanto, a análise do impedimento semiautomático identificou que Wallace Yan, participante da construção da jogada, estava em posição irregular por poucos centímetros.

A confirmação da irregularidade levou à anulação do gol, frustrando a comemoração da torcida rubro-negra e colocando novamente a tecnologia no centro das discussões sobre arbitragem no Campeonato Brasileiro.

CBF defende mais rapidez, mas estreia no Brasileirão não elimina polêmica

A adoção do impedimento semiautomático no Brasileirão é vista pela CBF como um avanço para o futebol brasileiro. A expectativa da entidade é reduzir o tempo das revisões realizadas pelo árbitro de vídeo e diminuir a margem para interpretações subjetivas na marcação de impedimentos. Com o uso de câmeras especializadas e da reconstrução tridimensional das jogadas, o sistema identifica automaticamente a posição dos atletas no momento do passe, fornecendo imagens que auxiliam a decisão da equipe de arbitragem.

Apesar da avaliação positiva da confederação, a estreia da tecnologia não encerrou as discussões sobre a atuação do VAR. Nas redes sociais, torcedores questionaram a forma como as imagens foram apresentadas durante as revisões. A principal crítica foi a ausência da exibição do momento exato em que a bola deixa o pé do jogador responsável pelo passe, sendo divulgada apenas a imagem em três dimensões com a linha de impedimento.

Com a polêmica de anulação do gol do Flamengo na 20ª rodada do Brasileirão, o ex-árbitro Arnando Coelho criticou em suas redes:

“A CBF comprou um soft de impedimento semi automático incompleto. O momento do passe o que é mais importante da regra não está sendo mostrado Vai criar sempre discussão”, publicou Arnaldo.

Novas tecnologias estão nos planos da CBF

A estreia do impedimento semiautomático faz parte de um processo mais amplo de modernização da arbitragem brasileira. Segundo a CBF, o recurso será utilizado em todas as partidas da Série A do Brasileirão e também poderá ser empregado nas fases finais da Copa do Brasil.

Além disso, a entidade já estuda novas ferramentas para os próximos anos. Entre elas está a RefCam, câmera acoplada ao uniforme do árbitro, capaz de transmitir a visão do juiz durante a partida. Outra tecnologia em avaliação é a Goal Line Technology (GLT), sistema que identifica automaticamente quando a bola ultrapassa totalmente a linha do gol, eliminando dúvidas em lances de difícil visualização.

Esses recursos já são utilizados em importantes competições internacionais e fazem parte da estratégia da CBF para aproximar o futebol brasileiro dos padrões tecnológicos adotados pelas principais ligas e torneios do mundo.

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