Cadastro Único completa 25 anos com inclusão, segurança e qualidade dos dados

Evento no Teatro Nacional, em Brasília, celebra trajetória de avanços tecnológicos e de garantia de direitos da base de informações dos beneficiários de programas sociais do Governo do Brasil
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"Hoje, mais de 110 países têm o Brasil como referência em políticas sociais”, disse ministro. Foto: Roberta Aline/MDS

Principal instrumento estruturante da proteção social brasileira, o Cadastro Único completa 25 anos. Para marcar a data, foi realizada uma cerimônia nesta quarta-feira (15.04), no Teatro Nacional Cláudio Santoro, em Brasília. A base de dados serve para a identificação e a caracterização das famílias de baixa renda, sendo uma ferramenta estratégica para o planejamento de políticas públicas presente em todos os municípios brasileiros. Saiba mais na TVT News.

Trata-se do principal instrumento do Estado brasileiro para a seleção e a inclusão de famílias de baixa renda em 46 programas federais, tais como Bolsa Família, Pé-de-Meia, Tarifa Social de Energia Elétrica, Gás do Povo, PAA, Cisternas e Minha Casa, Minha Vida. Além disso, ele também serve como critério para a seleção de beneficiários de programas oferecidos pelos governos estaduais e municipais.

“Quando se olha para trás, é possível perceber o quanto o Brasil avançou. Hoje, mais de 110 países têm o Brasil como referência em políticas sociais”, citou o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, durante o evento.

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As celebrações dos 25 anos do Cadastro Único começaram com o Cadastro em Ação, atividade do MDS, em conjunto com estados e municípios de todo o Brasil, realizada entre os dias 26 e 29 de março. Pela atuação no Sistema Único de Assistência Social (SUAS), cinco profissionais foram homenageados com um totem. Dentre eles, o ex-beneficiário do Bolsa Família e atual secretário de Assistência Social de Pacajus (CE), Edson Victor de Lima.

“Eu sempre tive um sonho, que era me formar. E esse sonho, através do Cadastro Único, eu consegui. Não só o sonho de me formar. O sonho de ter uma casa, por meio do Minha Casa, MInha Vida, chegou para a minha família. Alimento na mesa chegou por meio do Bolsa Família. E eu consegui ingressar na faculdade graças aos programas do Cadastro Único”, contou o gestor.

Segurança e integração

Em 2025, o Cadastro Único passou a contar com um novo sistema, mais seguro e confiável, capaz de detectar movimentações atípicas em tempo real. “Agora, temos um sistema de gestão de risco que tem nos permitindo não apenas detectar eventuais fraudes, mas melhor: tem nos permitido impedir que algumas ocorram, tem nos permitido identificá-las antes que elas gerem benefícios”, apontou o secretário de Avaliação, Gestão da Informação e Cadastro Único do MDS, Rafael Osório.

A plataforma passou a integrar inúmeras bases de dados, como a do Cadastro Nacional de Identificação Social (CNIS), nascimentos e óbitos, Receita Federal, dentre outros. Além disso, o Cadastro de Pessoa Física (CPF) passou a ser a chave única de identificação dos inscritos.

“Hoje, praticamente não existe base de dado relevante para garantir a qualidade da informação com a qual o Cadastro Único não esteja integrado. A gente já cruza os dados com todas as bases que existem e que podemos acessar. E são muitas para a gente fazer esse trabalho de qualificação. Essa integração é algo que se esperava há muito tempo”, prosseguiu Osório.

A celebração ocorre após um processo de reconstrução, qualificação e modernização do Cadastro Único. Em 2022, houve um crescimento artificial no número de famílias unipessoais inscritas no sistema, que superava as estimativas que os próprios órgãos oficiais de estatística tinham para todo país. “No início de 2023, o Cadastro Único estava desvirtuado, estava negligenciado, estava parado há uma década sem grandes desenvolvimentos tecnológicos”,

Busca ativa

Apesar desses avanços tecnológicos, a atuação dos profissionais do SUAS é vital na alimentação das informações do Cadastro Único. “O que o sistema registra de forma padronizada são as informações socioeconômicas da população de baixa renda que resultam das entrevistas dos profissionais da rede. Não existe algo que substitua essas entrevistas. Não há solução de Tecnologia da Informação ou inteligência artificial, não importa o que digam os vendedores de ilusões e de soluções fáceis”, destacou o titular da Secretaria de Avaliação, Gestão da Informação e Cadastro Único (Sagicad).

Em março de 2026, o Cadastro Único tinha o registro de 42,2 milhões de famílias, que somavam 96 milhões de pessoas, quase a metade da população do país. Dentre elas, 5,6 milhões de famílias pertencentes a um dos 16 Grupos Populacionais Tradicionais e Específicos (GPTE), definidos com base em características como origem étnica, relação com o meio ambiente, vínculo com o meio rural ou situações sociais específicas.

Nos últimos anos, houve um avanço contínuo na inserção dessas famílias (quilombolas, indígenas, catadoras de materiais recicláveis, e pessoas resgatadas de trabalho análogo à escravidão). São grupos que necessitam de estratégias diferenciadas de localização, como a busca ativa, transformando a invisibilidade dessas comunidades em dados concretos que permitem o acesso a direitos e programas sociais.

Esse crescimento está ligado ao aporte estratégico de recursos viabilizado pelo Programa de Fortalecimento Emergencial do Atendimento do Cadastro Único no Sistema Único da Assistência Social (Procad-SUAS), lançado em 2023. O repasse de recursos permitiu que os municípios investissem em logística de campo, contratação de técnicos e organização de mutirões. 

Além do financiamento, a manutenção da qualidade desses registros é assegurada pelos processos de qualificação cadastral, que exigem a atualização obrigatória dos dados a cada dois anos para evitar a exclusão de benefícios.

Nesse cenário, o lançamento do aplicativo offline do Cadastro Único, em 2025, representou um avanço tecnológico relevante. Ao permitir entrevistas sem conexão à internet, com posterior sincronização, a ferramenta objetiva reduzir o uso de formulários em papel e aprimorar a coleta de dados.

Via MDS

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