Comunicados bancários enviados ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que o Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Gold Style, administrado pela Reag Financeira — citada no escândalo do Banco Master e supostamente ligada ao crime organizado —, movimentou valores expressivos sob suspeita. Confira mais em TVT News.
De acordo com dados recebidos pelo Coaf, o fundo registrou transações próximas a R$ 1 bilhão, oriundas de empresas investigadas por possível participação em um esquema complexo de lavagem de dinheiro.

A Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, identificou que a distribuidora de combustíveis Aster Petróleo transferiu R$ 759,5 milhões ao fundo Gold Style com o objetivo de “esfriar” recursos, prática associada à ocultação de origem ilícita, além de indícios de sonegação fiscal. Os documentos com essas movimentações foram apresentados à Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado no Senado.
Fintechs também teriam ligação com o esquema
Além dos repasses milionários de distribuidoras de combustíveis, o fundo recebeu R$ 158 milhões da BK Bank, apontada nas investigações como “um dos núcleos financeiros usados pelo PCC para lavagem de dinheiro”.
Outra empresa, a Inovanti Instituição de Pagamento, também teria transferido R$ 175 milhões ao fundo. A fintech foi citada pela Polícia Federal como uma instituição que movimentou mais de R$ 778 milhões provenientes de pessoas físicas e jurídicas sob investigação na Operação Carbono Oculto.

O uso de fundos de investimento e instituições financeiras digitais para movimentar recursos ilícitos evidencia fragilidades no sistema de controle financeiro.
Crimes no sistema financeiro
A Reag Financeira também aparece em apurações relacionadas ao Banco Master. A Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal e que teve como alvo o banqueiro Daniel Vorcaro, apontou que o fundo Gold Style transferiu R$ 180 milhões para a Super Empreendimentos, empresa que teve como diretor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
O fundo utilizava uma estrutura sofisticada para dificultar o rastreamento dos recursos. Relatórios de inteligência indicam que as operações eram fragmentadas, com circulação por empresas intermediárias e concentração dos investimentos em poucos cotistas.
Governador do DF é citado no relatório
O relatório do Coaf também menciona que o escritório de advocacia do atual governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, junto a outra banca, teria movimentado R$ 38,12 milhões em 2024 referentes a honorários ainda não recebidos em uma ação do Sindicato dos Servidores do Legislativo Federal (Sindilegis), por meio da cessão de crédito.

Segundo o documento, os escritórios venderam essa dívida ao fundo por valor inferior, recebendo pagamento antecipado. A defesa informou que o montante efetivamente recebido foi de cerca de R$ 4 milhões e afirmou que a operação foi regular. Ressaltou ainda que Ibaneis não integra o escritório desde 2018.
As investigações também apontam proximidade entre o governador e executivos ligados à Reag. Marcos Ferreira Costa, responsável por um braço do fundo — a Reag Legal Claims —, aparece em registros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) como diretor do fundo Pedra Azul FIDC, que adquiriu os créditos do escritório de Ibaneis.
Costa também figura como representante da Reag em assembleia de acionistas do BRB, instituição que teria aportado R$ 16,7 bilhões no Banco Master — movimento que contribuiu para que o banco se tornasse alvo da Polícia Federal e culminasse na prisão de Daniel Vorcaro.

