Mensagens apreendidas pela Polícia Federal no âmbito das investigações sobre o Banco Master mostram a relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Frederic Kachar, CEO da Editora Globo. Os diálogos revelam tanto a convivência pessoal entre os dois quanto reclamações de Vorcaro sobre reportagens da jornalista Malu Gaspar, que abordou suspeitas envolvendo gestores do banco. Leia em TVT News.
A reportagem é exclusiva do repórter Gabriel de Oliveira do portal TV Pop. Em uma das conversas apuradas por Oliveira, Vorcaro encaminhou a Kachar um artigo de Malu Gaspar intitulado “Gestores do Master respondem a processo por operações fraudulentas e manipulação de preços”.
Insatisfeito com a publicação, o banqueiro criticou o conteúdo e afirmou que a abordagem prejudicava a imagem do veículo.
“Isso é sacanagem demais Fred, numa boa”, escreveu Vorcaro. Na mesma mensagem, afirmou que a linha editorial “diminui muito o jornalismo da Globo”.
Kachar respondeu que tentava falar com a jornalista e explicou que o estilo de cobertura fazia parte da forma como ela trabalhava. “Eu te entendo, mas é uma questão subjetiva. Esse é o estilo dela com todo mundo, não somente com você”, afirmou o executivo.
Embora tenha considerado a abordagem da jornalista “cansativa e desnecessária”, Kachar indicou que conversaria com ela. Em outra mensagem, porém, ressaltou a autonomia profissional da colunista: “Malu é livre”.
Vorcaro continuou a manifestar insatisfação com as publicações. Segundo os diálogos reproduzidos nos textos de base, o banqueiro disse sentir-se impotente diante do que classificou como uma “chuva de ataques” e reclamou de ser retratado como integrante de uma organização criminosa, sem que, na sua avaliação, fossem considerados aspectos positivos de suas iniciativas.
As mensagens colocam em evidência a tensão entre os interesses pessoais de uma fonte com poder econômico e a independência do trabalho jornalístico. A conversa, conforme o material apresentado, não demonstra que Kachar tenha determinado mudanças nas reportagens ou interferido efetivamente na publicação de conteúdos.

Convite para festa privada
Os registros também indicam que a relação entre Vorcaro e Kachar ultrapassava o contato profissional. Em maio de 2024, o banqueiro convidou o executivo para uma festa privada em um local descrito nas mensagens como um ambiente “sem celular” e “sem risco”.
Kachar foi tratado como “convidado de honra” e aceitou o convite. No dia seguinte, agradeceu em tom informal: “Será que alguém anotou a placa do caminhão que me atropelou? Obrigado pelo convite ontem”.
Vorcaro respondeu que o executivo havia permanecido pouco tempo no evento e comentou que tinha dormido apenas três horas.
O material fornecido não detalha a natureza de todas as atividades realizadas na festa nem permite concluir, por si só, que tenha ocorrido alguma irregularidade. Os diálogos, entretanto, documentam a proximidade pessoal entre o banqueiro e o executivo de uma das principais empresas de comunicação do país.
Independência jornalística em debate
A troca de mensagens envolvendo Malu Gaspar também levanta questões sobre a relação entre empresas de comunicação, fontes com influência econômica e a cobertura de investigações de interesse público.
Ao reclamar diretamente ao CEO da Editora Globo de uma reportagem, Vorcaro buscou expressar sua insatisfação com o tratamento jornalístico recebido.
Em outras mensagens, Kachar também compartilha com Vorcaro mensagens publicadas na imprensa que beneficiavam a sua esposa Martha Graeff, mostrando que o jornalismo do Globo atuou como uma espécie de “assessoria de imprensa”.

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