COP 30: em sintonia com o governo Lula, ONU quer esforços pelo clima

Em evento na Alemanha, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse estar em contato com Lula por avanços reais na COP 30
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Com a aproximação da COP 30, o Brasil se posiciona como líder na luta contra as mudanças climáticas. Foto: ONU/Gustavo Stephan

Com a proximidade da COP 30, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, destacou hoje (27) a necessidade de um maior compromisso das grandes economias na luta contra as mudanças climáticas durante o 16º Diálogo Climático de Petersberg, realizado em Berlim. Veja essa e outras notícias sobre a COP 30 em TVT News.

O evento reuniu ministros de 40 países e serviu como preparação para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 30), que ocorrerá em novembro em Belém do Pará, Brasil.

Em uma mensagem por vídeo, Guterres ressaltou a importância da apresentação de novos planos climáticos nacionais até setembro, alinhados a uma transição verde justa. Ele afirmou que tem mantido contato com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para garantir um compromisso mais ambicioso das grandes economias na redução das emissões de gases de efeito estufa. “Garantir a mais alta ambição das maiores economias”, disse.

Para monitorar os avanços, a ONU convocará um evento especial em setembro, onde será feito um balanço dos planos climáticos dos países, com o objetivo de pressionar por medidas mais eficazes para limitar o aquecimento global a 1,5°C e reforçar a justiça climática.

Mudanças climáticas e a COP 30

Durante sua participação no evento, Guterres alertou que, há uma década, o planeta caminhava para um aumento de temperatura superior a 4°C. Hoje, com a implementação dos planos climáticos nacionais, esse número foi reduzido para 2,6°C. No entanto, ele reforçou que os impactos da crise climática continuam a crescer e afetam especialmente as populações mais vulneráveis. Além das consequências ambientais, a crise tem impactos econômicos diretos, elevando os custos de vida, os preços dos alimentos e dos seguros.

Apesar dos desafios, o Secretário-Geral destacou avanços expressivos na adoção de energias renováveis. Em 2024, a incorporação de fontes sustentáveis de eletricidade atingiu um recorde histórico, representando mais de 92% da nova capacidade de geração instalada no mundo. Segundo ele, isso demonstra que investir em energia limpa é uma escolha cada vez mais estratégica e econômica. Ele também ressaltou que a energia limpa impulsiona o crescimento econômico e gera empregos, representando 5% do crescimento da economia da Índia em 2023 e 6% nos Estados Unidos. Na China, contribuiu com um quinto do crescimento do PIB e, na União Europeia, com um terço.

Preparação para a COP 30

Com a aproximação da COP 30, o Brasil se posiciona como líder na luta contra as mudanças climáticas. A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, enfatizou a retomada de políticas ambientais estratégicas pelo governo Lula, como o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAM). Entre 2003 e 2008, esse plano reduziu o desmatamento em 83%, evitando a emissão de 5 bilhões de toneladas de CO2.

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em fevereiro de 2025, os alertas de desmatamento na Amazônia atingiram o menor índice já registrado para o mês, com apenas 80,95 km² de área desmatada, uma redução de 64,26% em relação ao ano anterior. O governo também registrou quedas de 46% no desmatamento da Amazônia em comparação com 2022 e de 47% no Cerrado em relação a 2023.

A expectativa é que a COP 30 seja um marco na agenda climática global, consolidando o Brasil como um protagonista na discussão sobre sustentabilidade e transição ecológica. O evento, que será realizado em Belém, deverá contar com lideranças internacionais para definir novas metas e compromissos ambientais para as próximas décadas.

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