Após incidentes durante o dérbi da última rodada do Brasileirão, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) denunciou corintianos, atletas e torcedores. As punições podem ser graves, fazendo com que o Corinthians perca até 10 mandos de campo, além de receber multas pelas atitudes. Leia em TVT News.
O clássico entre Corinthians e Palmeiras realizado no último domingo (12), na Neo Química Arena, continua rendendo desdobramentos fora das quatro linhas. O STJD ofereceu nove denúncias que atingem diretamente o Timão, envolvendo desde o comportamento de atletas e membros da comissão técnica até incidentes graves nas arquibancadas e no campo.
O empate sem gols, válido pela 11ª rodada do Brasileirão, foi marcado por expulsões e tumultos generalizados. Agora, quatro jogadores, o preparador de goleiros e o próprio clube serão levados a julgamento.
Jogadores e Comissão Técnica na mira
O Tribunal individualizou as condutas com base em vídeos e relatórios da partida:
- André: Denunciado por gestos obscenos classificados como “provocativos e desrespeitosos”. Enquadrado no Artigo 258 (conduta antidesportiva), ele pode pegar de um a seis jogos de suspensão. O STJD destacou a reincidência do elenco em comportamentos similares. Apenas 11 dias antes, Allan já havia recebido cartão pelo mesmo motivo em partida contra o Fluminense.
- Matheuzinho: O lateral responde por agressão física contra Flaco López do Palmeiras. Por ser uma infração grave (Artigo 254-A), a punição prevista varia de 4 a 12 partidas.
- Hugo Souza: O goleiro será julgado por suas fortes críticas à arbitragem. Ao sugerir que o juiz favoreceu o rival, Hugo foi enquadrado em “ofensa à honra” (Artigo 243-F), o que pode resultar em multa de até R$ 100 mil e suspensão mínima de quatro jogos.
- Breno Bidon: Identificado por meio de vídeos como o autor de um empurrão contra o palmeirense Luighi no túnel dos vestiários, Bidon responde por ato hostil (Artigo 250), com risco de um a três jogos de gancho.
- Luiz Fernando dos Santos (Preparador): Denunciado por participação ativa no conflito nos vestiários (Artigo 257), podendo ser afastado por até dez partidas.

Racismo praticado por torcedora do Corinthians
Um dos pontos mais críticos da denúncia envolve o crime de racismo praticado por uma torcedora corintiana contra o goleiro Carlos Miguel, hoje no Palmeiras. O clube será responsabilizado pelo ato discriminatório (Artigo 243-G).
Versões conflitantes: árbitro registra incidente com Luighi, mas clubes alegam outras agressões
O clima de hostilidade do Dérbi se estendeu para os corredores internos da Neo Química Arena, onde relatos de agressões mútuas marcaram o pós-jogo. Enquanto o Palmeiras formalizou a acusação de que um funcionário corintiano agrediu o atacante Luighi, o Corinthians contra-atacou afirmando que o zagueiro Gabriel Paulista e o meia Breno Bidon foram alvo de seguranças do clube visitante.
Apesar do cenário de caos descrito pelos clubes, o relatório oficial da arbitragem traz um recorte mais restrito dos fatos. Na súmula, o árbitro Flavio Rodrigues de Souza registrou apenas o episódio envolvendo o jovem Luighi. Segundo o documento, baseados em informações do delegado da partida, o incidente ocorreu durante o deslocamento para o exame antidoping:
“Fomos informados […] de que, no momento em que a equipe de controle de doping tentava acessar a sala destinada ao procedimento, acompanhada do atleta Luighi, houve um empurrão por parte de um segurança da equipe do Corinthians”, registrou o juiz.
O texto oficial destaca ainda que a equipe de arbitragem não presenciou agressões físicas contra outros jogadores, contradizendo as notas emitidas pelas diretorias logo após o apito final.
Corinthians sob risco de perda de mando
O Sport Club Corinthians Paulista enfrenta uma série de acusações que podem resultar em prejuízos financeiros e esportivos. O clube responderá pela falta de segurança e ordem (Artigo 213) devido à invasão de um drone com um porco de pelúcia e a interrupção do jogo por uma linha de pipa.
O STJD classificou os episódios como reincidência, citando o caso da cabeça de porco atirada no gramado em 2025, e sinalizou que aplicará medidas mais rigorosas, incluindo multas e perda de mando de campo. O clube também foi citado pelos atrasos no início dos dois tempos da partida.

