12 de março, dia do bibliotecário: na era da Inteligência Artificial, profissionais ganham protagonismo

Para marcar a data, Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de SP promove programação especial
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Diretora da biblioteca comunitária Atelier das Palavras, no morro da Mangueira, zona norte da cidade. 12 de março é dia do bibliotecário. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Comemorado em 12 de março, o Dia do Bibliotecário convida a sociedade a olhar além das estantes e reconhecer a importância estratégica de quem organiza, valida e democratiza o acesso ao conhecimento. Leia em TVT News.

12 de março: dia da pessoa bibliotecária

Em um mundo marcado por algoritmos e por uma avalanche diária de conteúdos digitais, a atuação desse profissional torna-se cada vez mais essencial. Mais do que uma homenagem simbólica, o dia do bibliotecário reafirma a importância de quem garante a qualidade da informação, promove o acesso público ao saber e fortalece a construção de uma sociedade mais crítica e bem informada no Brasil.

A data foi escolhida em homenagem ao nascimento de Manuel Bastos Tigre (1882–1957), considerado o primeiro bibliotecário concursado do país. Também poeta, publicitário e intelectual atuante, ele assumiu a direção da Biblioteca Central da então Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, e tornou-se referência na consolidação da Biblioteconomia como campo profissional.

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O 12 de março foi oficializado como Dia do Bibliotecário pelo Decreto nº 84.631 e reforça a importância da categoria para a sociedade brasileira.

O que faz um bibliotecário

Ao contrário do que ainda sugere o imaginário popular, o bibliotecário não atua apenas entre estantes silenciosas. “Sua formação o habilita a trabalhar com organização da informação, curadoria digital, preservação de acervos e estratégias de busca e recuperação de dados.

O profissonal está presente em bibliotecas públicas, escolares e universitárias, mas também em hospitais, fóruns, tribunais, empresas privadas, editoras, museus, centros culturais e instituições de pesquisa”, explica a presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de São Paulo, Ana Cláudia Martins.

Biblioteca: território de livros, acolhimento e aprendizagem


As bibliotecas também passaram por profundas transformações nos últimos anos. De espaços voltados exclusivamente à guarda e ao compartilhamento de livros, tornaram-se ambientes vivos de convivência, formação e inclusão social. Em muitas comunidades, especialmente nas periferias, a biblioteca é um dos poucos equipamentos culturais disponíveis, oferecendo acesso gratuito à leitura, à internet, a atividades educativas e a projetos de incentivo à cultura. Mais do que um espaço físico, é um território de acolhimento e construção de cidadania.

“Um exemplo marcante é a história da escritora Luciene Müller, que viveu nas ruas de São Paulo entre os 4 e 11 anos e encontrou na biblioteca refúgio e um ponto de virada. Foi ali, com o incentivo e a dedicação de bibliotecárias, que ela aprofundou o gosto pela leitura, desenvolveu sua escrita e, anos depois, publicou sua obra Colo Invisível, na qual narra como o acesso aos livros e ao apoio humano contribuíram para transformar sua vida”, revela Ana Cláudia Martins.

Os livros e a Inteligência Artificial

Na era da Inteligência Artificial e da desinformação, o papel do bibliotecário ganha novos contornos. A facilidade de produzir e compartilhar conteúdos amplia o acesso à informação, mas também aumenta os riscos de circulação de notícias falsas e dados imprecisos.

Nesse cenário, o bibliotecário atua como mediador crítico, capacitado para avaliar fontes, organizar grandes volumes de dados e promover o uso ético da informação. Se antes o desafio era classificar e preservar acervos físicos, hoje inclui também organizar o fluxo digital e orientar usuários na navegação segura pelo universo online.

Confira as comemorações do dia do Bibliotecário em 2026

O Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de São Paulo (CRB-8) preparou uma programação especial para celebrar o Dia do Bibliotecário em quatro cidades do estado. A primeira foi São José do Rio Preto, as próximas serão: São Paulo (13), Piracicaba (20) e Pindamonhangaba (27).

Na capital, a partir das 19h, o evento será realizado na Biblioteca Mário de Andrade, um dos principais equipamentos culturais da cidade, com palestra do padre Júlio Lancellotti.

Recentemente, o sacerdote inaugurou, ao lado do cardeal dom Odilo Scherer, a primeira biblioteca voltada à população em situação de rua na capital paulista. Durante o evento, o CRB-8 lançará uma campanha de arrecadação de produtos de higiene em apoio às ações sociais desenvolvidas pelo padre.

Também participarão do encontro o bibliotecário Lourival Lopes Cancela, que viveu em um albergue e teve sua trajetória transformada após conhecer uma biblioteca, experiência que o inspirou a se tornar bibliotecário; e a escritora Luciene Müller.

Importância da biblioteca pública

De acordo com a presidenta do Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de São Paulo, Ana Cláudia Martins, o tema nacional deste ano discutirá a importância da biblioteca pública como lugar de acolhimento e emancipação.

“Ao eleger a biblioteca pública como tema central em 2026, reafirmamos o papel desses espaços como instrumentos de emancipação, cidadania e formação crítica. São equipamentos culturais fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e bem informada. É indispensável fortalecer políticas públicas inclusivas que garantam a todos o direito de acesso às bibliotecas”, destaca.

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As bibliotecas comunitárias são espaços coletivos de leitura, aprendizado e convivência. Foto: Pexels

Serviço:

Dia do Bibliotecário 2026

13 de março de 2026 (sexta-feira), 19h às 23h

Tema: Construindo pontes: o legado das bibliotecas
Local: Biblioteca Mário de Andrade – Rua da Consolação, 94 – República (Centro) – São Paulo (SP)


20 de março de 2026 (sexta-feira), 9h


Tema: Do Legado à Inovação: 125 Anos da Biblioteca da ESALQ
Local: Biblioteca da ESALQ – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (USP) – Avenida Pádua Dias, nº 11 – Bairro São Dimas – Piracicaba (SP)

27 de março de 2026 (sexta-feira), 9h às 13h


Tema: Inovação, liderança e fomento: o futuro das nossas bibliotecas
Local: Palacete 10 de Julho – Secretaria de Cultura e Turismo – Rua Deputado Claro César, 33 – Centro – Pindamonhangaba (SP)


Instagram: @crb8sp

Por que 12 de março é o dia do bibliotecário

A data de 12 de março foi escolhida como o Dia do Bibliotecário no Brasil para homenagear o nascimento de Manuel Bastos Tigre (12 de março de 1882), considerado o primeiro bibliotecário concursado do país.

Quem foi Manuel Bastos Tigre?

A trajetória de Tigre é bastante curiosa e vai muito além da organização de livros:

  • Mudança de Carreira: Ele era originalmente formado em engenharia. Em 1906, durante uma viagem de aperfeiçoamento aos Estados Unidos, conheceu Melvil Dewey, o criador do Sistema de Classificação Decimal (CDD) – o método de organização mais utilizado em bibliotecas no mundo todo. Esse encontro foi decisivo.
  • Pioneirismo: Em 1915, aos 33 anos, ele abandonou a engenharia para se dedicar à biblioteconomia. Prestou concurso para o Museu Nacional do Rio de Janeiro, classificando-se em primeiro lugar.
  • Legado: Trabalhou na Biblioteca Nacional e, posteriormente, assumiu a direção da Biblioteca Central da Universidade do Brasil (atual UFRJ), exercendo a profissão por cerca de 40 anos.

A oficialização do Dia do Bibliotecário

O Dia do Bibliotecário foi instituído oficialmente no calendário brasileiro pelo Decreto nº 84.631, de 12 de abril de 1980, para ser comemorado anualmente em todo o território nacional, valorizando a profissão e a importância da preservação e disseminação da informação.

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