Direita quer impedir desfile da Acadêmicos de Niterói

Escola de samba abre o Carnaval do Rio com homenagem à mãe e à trajetória do presidente Lula
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Presidente Lula com o presidente da Acadêmicos de Niterói, Wallace Palhares. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Partidos e políticos da direita querem impedir o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói. A escola trará o samba-enredo “Lula, o operário do Brasil”, narrado em primeira pessoa por uma retirante nordestina: Dona Lindu, mãe do presidente. Especialista diz que ações contra o desfile podem configurar censura à liberdade artística. Leia em TVT News.

Samba-enredo de Acadêmicos de Niterói vira alvo da direta

Ações de políticos e partidos de direita querem impedir e punir a escola de samba Acadêmicos de Niteró, que vai homenagear a história de Dona Lindu, a mãe do presidente Lula, no samba-enredo “Do alto do mulungu surge a esperança:Lula, o operário do Brasil“.

A Acadêmicos de Niterói abre o desfile do grupo especial do carnaval do Rio de Janeiro, no domingo, dia 15.

Para a advogada Hevelin Agostinelli, essas ações podem se configurar como censura à liberdade artística no Carnaval.

Desfile seria propaganda eleitoral? Advogada diz que não e aponta riscos de censura

Para analisar os limites legais da questão, a TVT News conversou com a advogada Hevelin Agostinelli. Segundo ela, a tentativa de barrar previamente o desfile pode configurar censura, prática vedada pela Constituição Federal.

Para Hevelin, “o que confira propaganda antecipada seria o pedido explício de voto no candidato Lula”. A menção ou homenagem a uma autoridade não caracteriza, por si só, infração legal. “Não há como o presidente Lula apagar a história dele”, disse a advogada

De acordo com juristas, a liberdade artística é protegida pelo artigo 5º da Constituição, que garante a livre manifestação do pensamento e a expressão intelectual, artística e cultural, independentemente de censura ou licença.

Durante a entrevista com Hevelin Agostinelli, os comentaristas do Jornal TVT News primeira edição, destacaram que o Carnaval é, historicamente, um espaço de crítica social e de representação simbólica da realidade brasileira. Para eles, classificar automaticamente o enredo como propaganda pode desconsiderar o caráter artístico da obra.

Especialistas lembram que a legislação eleitoral estabelece regras específicas para propaganda política, especialmente em período de campanha. No entanto, fora desse contexto, manifestações culturais que abordem figuras públicas não são automaticamente enquadradas como propaganda irregular.

Partido Novo quer classificar samba-enredo como propaganda eleitoral

O partido Novo entrou na terça-feira, 10, com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente Lula, o Partido dos Trabalhadores e a escola de samba Acadêmicos de Niterói.

A sigla argumenta que há propaganda eleitoral antecipada por causa do samba-enredo escolhido pela Acadêmicos de Niterói para o Carnaval de 2026.

O que diz a ação do Novo no TSE:

  • o partido diz que o enredo e a divulgação do samba-enredo nas redes sociais teriam conteúdo eleitoral, citando, entre outros pontos:
    • referência à polarização de 2022;
    • uso de jingles ligados a campanhas petistas;
    • menção ao número do PT;
    • expressões que, segundo o partido, equivaleriam a pedido de voto.
  • o Novo argumenta que o desfile extrapola os limites de uma homenagem cultural e passa a funcionar como peça de pré-campanha

Damares Alves aciona MP Eleitoral

A senadora Dameares Alves (Republicanos-DF) entrou com pedido ao Ministério Público Eleitoral afirmando que o samba-enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o Operário do Brasil” seria propaganda eleitoral antecipada e cita trechos da letra que, segundo ela, fazem promoção pessoal do presidente Lula.

O MP Eleitoral e a o TSE ainda não se pronunciaram sobre essas ações.

Em outra ação, Justiça Federal rejeita ações de Damares e Kataguiri contra Acadêmicos de Niterói

A Justiça Federal rejeitou, na quarta-feira (11), duas ações promovidas pela senadora Damares Alves e pelo deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) contra o presidente Lula e a escola Acadêmicos de Niterói, do Rio de Janeiro, por conta do enredo sobre a história do presidente.

Sapucaí é avenida de questionamentos

O Sambódromo da Marquês de Sapucaí já foi palco de desfiles que questionaram desigualdades sociais, denunciaram racismo estrutural e exaltaram lideranças políticas e culturais. Em diferentes momentos, escolas trataram de presidentes, intelectuais, movimentos sociais e episódios históricos.

O Carnaval, além de festa popular, funciona como espaço de elaboração simbólica da memória coletiva. Ao levar à avenida personagens e conflitos, as escolas contribuem para o debate público.

Conheça o samba-enredo da Acadêmicos de Niterói

Acadêmicos de Niterói prepara uma estreia histórica no Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro em 2026 com uma homenagem a Luiz Inácio Lula da Silva. Campeã da Série Ouro em 2025 com o enredo “Vixe Maria”, a escola será a primeira a desfilar no domingo de Carnaval, trazendo a trajetória de Lula para a avenida.

Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil na Sapucaí

O enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” foi desenvolvido pelo carnavalesco Tiago Martins e pelo enredista Igor Ricardo.

A proposta é transformar a história de vida do presidente, da infância humilde no agreste pernambucano à ascensão como líder sindical e chefe de Estado, em um símbolo coletivo de superação e esperança.

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Lula, Janja e representantes da Acadêmicos de Niterói. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O samba-enredo da Acadêmicos de Niterói percorre momentos-chave da biografia de Lula, destacando sua infância em Garanhuns, a migração para São Paulo com a mãe, Dona Lindu, e os irmãos; sua militância sindical no ABC paulista e a luta contra a ditadura militar. A árvore do mulungu, citada no título, remete às raízes nordestinas do presidente.

A composição é assinada por um time de nove artistas: Teresa Cristina, André Diniz, Paulo Cesar Feital, Fred Camacho, Junior Fionda, Arlindinho, Lequinho, Thiago Oliveira e Tem-tem Jr. O samba se diferencia pela conotação política e poética, resgatando personagens históricos como Zuzu Angel, Henfil, Wladimir Herzog e Rubens Paiva.

O clipe oficial, produzido pela Leme Filmes, intercala imagens de arquivo de Lula e de programas sociais, como o Bolsa Família. Chico Buarque chegou a ser convidado para participar da composição, mas optou por indicar artistas da comunidade.

Às vésperas do lançamento oficial, Lula recebeu a diretoria da escola e parte dos compositores em Brasília para ouvir o samba-enredo em primeira mão. Ele ganhou uma camisa oficial da agremiação das mãos do presidente Wallace Palhares.

Assista ao clipe do samba-enredo sobre Lula

Conheça os enredos e a ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro

1º dia – domingo (15/2)

  • Acadêmicos de Niterói – Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil;
  • Imperatriz Leopoldinense – Camaleônico;
  • Portela – O Mistério do Príncipe do Bará;
  • Estação Primeira de Mangueira – Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra

2º dia – segunda-feira (16/2)

  • Mocidade Independente de Padre Miguel – Rita Lee, a Padroeira da Liberdade;
  • Beija‑Flor de Nilópolis – Bembé do Mercado;
  • Unidos do Viradouro – Pra Cima, Ciça;
  • Unidos da Tijuca – Carolina Maria de Jesus.

3º dia – terça-feira (17/2)

  • Paraíso do Tuiuti  – Lonã Ifá Lukumi;
  • Unidos de Vila Isabel – Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África;
  • Acadêmicos do Grande Rio – A Nação do Mangue;
  • Acadêmicos do Salgueiro – A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau.

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