O cenário político no Peru permanece indefinido durante apuração do segundo turno das eleições presidenciais. Com mais de 92,6% das urnas apuradas pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), a candidata de perfil conservador Keiko Fujimori, do partido Força Popular, e o candidato progressista Roberto Sánchez, da legenda Juntos pelo Peru, encontram-se em situação de empate técnico. Leia em TVT News.
Os dados da contagem preliminar apontam que Fujimori concentra 50,16% dos votos válidos, contra 49,84% de Sánchez, estabelecendo uma diferença inferior a 0,5 ponto porcentual entre os concorrentes.
Diante da apuração acirrada, as autoridades eleitorais peruanas adotaram uma postura de cautela em relação aos prazos para a divulgação do veredito final.
O presidente do Tribunal Nacional de Eleições (JNE), Roberto Burneo, manifestou-se publicamente logo após o encerramento da votação para pedir serenidade à população e aos partidos políticos envolvidos na disputa.
De acordo com Burneo, a confirmação oficial do vencedor “poderá ser conhecida apenas nos próximos 30 dias”. Essa lentidão no processamento dos dados repete o padrão observado no primeiro turno, ocorrido em 12 de abril, cuja conclusão dos resultados oficiais também demandou mais de um mês de trabalho das equipes de contagem.
A divisão expressa nas urnas reflete as profundas cisões sociais e regionais que caracterizam a história recente do país andino, evidenciando o distanciamento entre as demandas das elites urbanas e a realidade vivida pelas classes trabalhadoras e comunidades tradicionais do interior.
O peso da rejeição e as propostas das candidaturas em disputa
A margem estreita obtida por ambos os candidatos repete o histórico recente do país.
No pleito presidencial de 2021, o segundo turno também foi definido por uma diferença mínima de votos, ocasião em que Pedro Castillo superou Keiko Fujimori por um placar de 50,1% a 49,9%.
A atual eleição transcorreu sob a marca de um forte descontentamento popular com a classe política tradicional, o que se traduziu em elevados índices de rejeição para as duas forças que alcançaram a fase decisiva da votação.
O primeiro turno
No primeiro turno, mais de 70% do eleitorado peruano optou por outras candidaturas. Naquela etapa, Keiko avançou com 17,18% dos votos, enquanto Sánchez garantiu seu lugar no segundo turno com 12,03%.
Quem é Keiko Fujimori
Filha de Alberto Fujimori, que governou o país de forma autoritária entre 1990 e 2000, Keiko Fujimori disputa a Presidência da República pela quarta vez.
Sua plataforma eleitoral concentrou-se majoritariamente no discurso de endurecimento contra a criminalidade urbana, temática que figura como a principal preocupação dos setores que compõem o eleitorado das grandes metrópoles, em especial na capital, Lima.
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Ao avaliar o andamento da apuração das atas eleitorais, a candidata adotou um tom moderado e pediu paciência aos seus correligionários. “Até o momento, não há nenhum vencedor nesta disputa”, declarou em pronunciamento à imprensa em Lima.
Quem é Roberto Sánchez
Por outro lado, Roberto Sánchez representa uma corrente que busca dar continuidade às pautas voltadas às parcelas historicamente excluídas do debate institucional peruano.
Deputado e ex-ministro da gestão de Pedro Castillo (2021-2022), Sánchez articulou sua base de apoio a partir de promessas de descentralização econômica, assistência social e atenção governamental para as populações residentes nas regiões de menor renda e nas áreas mais isoladas das cordilheiras dos Andes e da Amazônia peruana.
Em suas declarações após o encerramento do pleito, o candidato ressaltou o papel central dos movimentos de base em sua campanha. Sánchez expressou agradecimento pelo apoio recebido de povos indígenas, camponeses e grupos vulneráveis, afirmando que esses setores decidiram “recuperar o governo para o povo”.
