O empresário Walter Maciel, CEO da gestora de investimentos AZ Quest e eleitor declarado do senador Flávio Bolsonaro (PL), defende que um eventual governo do parlamentar priorize cortes de gastos com aposentadorias, servidores públicos e integrantes do Judiciário. Leia em TVT News.
Para ele, mudanças nas regras previdenciárias e uma reforma administrativa devem estar entre as primeiras medidas de um possível mandato, enquanto o enfrentamento às emendas parlamentares e às renúncias fiscais poderia ficar para depois.
Maciel tem atuado nas redes sociais em apoio a Flávio, pré-candidato à Presidência da República, e afirma manter interlocução com integrantes da campanha, entre eles Adolfo Sachsida e Daniella Marques, que participam da coordenação econômica do projeto político do PL.
O empresário, cujo nome chegou a ser citado em especulações sobre possíveis integrantes de um futuro ministério, nega que tenha sido convidado para ocupar um cargo.
A proposta defendida por Maciel coloca as aposentadorias e os benefícios previdenciários no centro da discussão sobre o ajuste fiscal. Na avaliação do empresário, a vinculação dos reajustes dos aposentados ao crescimento do salário mínimo deveria ser revista, mantendo-se a correção pela inflação para preservar o poder de compra.
“Não existe o aposentado receber o crescimento futuro mais inflação. O cara participou do crescimento passado. Você tem que protegê-lo da perda real. A inflação tem que ser corrigida”, afirmou.
Segundo o gestor, desvincular os benefícios previdenciários dos reajustes do salário mínimo poderia gerar uma economia de R$ 1,2 trilhão. O cálculo foi apresentado por ele como uma estimativa, sem detalhamento, no material de referência, do período considerado ou da metodologia utilizada para chegar ao valor.
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Reforma administrativa e mudanças no Judiciário
Além da Previdência, Maciel defende uma reforma administrativa que altere a remuneração inicial dos servidores públicos e limite o crescimento dos salários ao longo das carreiras. Ele propõe reduzir os vencimentos de entrada, controlar as progressões funcionais e adotar bônus vinculados à produtividade.
O empresário também critica os chamados penduricalhos do Judiciário, benefícios e pagamentos adicionais que podem elevar a remuneração de integrantes da magistratura. Para ele, a revisão dessas despesas deve fazer parte do esforço de contenção dos gastos públicos.
Maciel argumenta que o governo deveria começar por medidas que considera mais viáveis de implementar no início do mandato. Embora reconheça que o combate às emendas parlamentares e às renúncias fiscais seria uma prioridade do ponto de vista ético, ele avalia que essas medidas não produziriam, isoladamente, a economia que considera necessária.
O empresário estima que o desequilíbrio fiscal brasileiro corresponda a cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) e considera inviável realizar todo o ajuste no primeiro ano de governo. Sua proposta seria promover uma redução inicial de aproximadamente 1% do PIB e sinalizar que o processo teria continuidade nos anos seguintes.
Na avaliação de Maciel, a estratégia também deveria considerar o peso dos juros da dívida pública nas contas do país. Ele sustenta que a redução desse custo dependeria da credibilidade do programa fiscal apresentado pelo governo.
Renúncias fiscais ficariam para uma segunda etapa
Maciel recomenda cautela na revisão dos benefícios tributários concedidos a setores econômicos. Como exemplo, questiona se seria adequado começar um mandato enfrentando a Zona Franca de Manaus, diante da possibilidade de conflito político e econômico.
“Vai brigar no dia 1 para acabar com a Zona Franca de Manaus? Vai arrumar uma quizumba? Deixa isso para quando estiver mais popular”, afirmou.
A declaração indica que, na visão do empresário, a ordem das medidas econômicas deveria levar em conta não apenas o potencial de economia, mas também o custo político de cada iniciativa. Ele defende que um eventual governo Flávio Bolsonaro acumule apoio antes de enfrentar temas que possam provocar resistência de setores empresariais ou de parlamentares.
A estratégia também se estenderia à relação com os demais Poderes. Maciel avalia que o presidente não deveria iniciar o mandato abrindo conflitos simultâneos com o Supremo Tribunal Federal (STF), o Congresso Nacional e outros atores políticos.
Embora critique o que considera desequilíbrio entre os Poderes e decisões que prejudicariam a segurança jurídica, ele argumenta que um governo deveria estabelecer prioridades e evitar confrontos em várias frentes ao mesmo tempo.
Empresário critica proibição das Bets
Ao comentar a regulamentação das apostas on-line, conhecidas como bets, Maciel reconheceu os problemas sociais associados à atividade, mas criticou mudanças nas regras que, em sua avaliação, podem comprometer a previsibilidade para investidores.
Ele argumentou que alterações em regras ou contratos sem diálogo com o Congresso podem gerar insegurança para empresas interessadas em investir em áreas como infraestrutura rodoviária e concessões de saneamento.
A crítica foi dirigida a uma decisão recente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) relacionada à proibição das apostas on-line, conforme descrita no material de referência. Para Maciel, mudanças dessa natureza podem alimentar a percepção de que os contratos não oferecem garantias suficientes.
Indulto a Jair Bolsonaro está entre as promessas do senador

Uma das principais promessas eleitorais de Flávio Bolsonaro é conceder indulto ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe para permanecer no poder após a derrota eleitoral de 2022.
Maciel considera importante a pauta relacionada à liberdade do ex-presidente, mas defende que um eventual governo organize suas prioridades para evitar conflitos simultâneos. Na avaliação dele, seria mais adequado concentrar esforços iniciais no ajuste fiscal e tratar de outras disputas quando houvesse maior apoio político.
Questionado sobre um áudio em que Flávio pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Maciel classificou a conversa como “feia” e “imprópria”.
Apesar da crítica, levantou dúvidas sobre quem se beneficiaria politicamente da divulgação e comparou a situação à ideia de punir alguém por uma possível ação futura. A avaliação é do empresário e não constitui comprovação de irregularidade ou de motivação por trás do episódio.
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