Emendas parlamentares destinadas pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) financiaram pagamentos a empresas investigadas pela Polícia Federal (PF) por suspeita de cartel, além de entidades que são alvo de questionamentos de órgãos de controle. As informações foram levantadas pelo UOL e publicadas pelo ICL Notícias. Desde 2020, mais de R$ 300 milhões foram reservados para emendas do parlamentar. Leia em TVT News.
Entre os casos identificados estão recursos destinados à saúde de Mesquita, na Baixada Fluminense, que foram repassados ao Instituto de Medicina e Projeto (IMP). A Receita Federal classificou a entidade como “inexistente de fato”, enquanto o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) apura suspeitas de irregularidades em contratos firmados com a prefeitura.
O levantamento também identificou pagamentos a empresas investigadas no âmbito da Operação Perfídia, da Polícia Federal, que apura suspeitas de fraude em licitações para fornecimento de coletes balísticos à Polícia Militar do Rio de Janeiro. Segundo a reportagem, recursos públicos relacionados a emendas de Flávio foram utilizados para pagar essas companhias.
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Instituto recebeu recursos destinados à saúde
Em 2024, Flávio Bolsonaro destinou R$ 3,1 milhões para a atenção básica de saúde de Mesquita, município administrado pelo PL. Desse montante, R$ 666 mil foram pagos ao Instituto de Medicina e Projeto em agosto de 2025.
Em junho de 2026, a Receita Federal enquadrou o IMP como “inexistente de fato”. Segundo documento citado pelo UOL, havia indícios de que a entidade teria sido constituída para a prática de fraude fiscal.
O instituto também foi alvo de questionamentos do TCE-RJ sobre contratos com a prefeitura. Entre os problemas apontados pelo tribunal estavam suspeitas de irregularidades no processo de contratação e a ausência de estudos técnicos prévios para a transferência da gestão de serviços de saúde ao instituto.
A Prefeitura de Mesquita informou ao UOL que abriu processo administrativo, rescindiu os contratos com a entidade e aplicou multa de R$ 3 milhões. A administração municipal afirmou ainda que encaminhou o caso ao Ministério Público e que a contratação e a execução dos serviços são de responsabilidade do município.
Empresas são investigadas por suspeita de cartel
Outro trecho do levantamento envolve empresas investigadas pela PF por suspeita de combinação de preços em licitações para fornecimento de equipamentos de segurança pública. A apuração está relacionada à Operação Perfídia.
De acordo com a reportagem, aproximadamente R$ 1,6 milhão em recursos ligados a emendas de Flávio foram destinados a pagamentos para essas empresas. A investigação trata de suspeitas de irregularidades em contratos, que ainda devem ser analisadas pelas autoridades competentes.
O levantamento também apontou questionamentos sobre a aplicação de recursos destinados a projetos esportivos. Em um deles, uma emenda de R$ 4 milhões para uma iniciativa ligada ao Vasco da Gama foi analisada pela Controladoria-Geral da União (CGU). Segundo a reportagem, R$ 684 mil foram pagos a uma única microempresa fornecedora de materiais esportivos.
Em outro caso, mensagens citadas pelo UOL indicaram a atuação de Robson Calixto, conhecido como Peixe e condenado no caso da morte da vereadora Marielle Franco, em tratativas relacionadas à liberação de recursos para um instituto esportivo no Rio de Janeiro.
Flávio diz não escolher empresas beneficiadas
Procurado pela reportagem, Flávio Bolsonaro afirmou que ele e os assessores de seu gabinete não indicam as empresas que recebem recursos destinados por meio de suas emendas.
Segundo a nota enviada ao UOL, a atuação do gabinete se limita à indicação das emendas, enquanto a escolha das empresas e os procedimentos de contratação são responsabilidade dos órgãos beneficiários. O senador acrescentou que eventuais irregularidades devem ser investigadas pelos órgãos de controle.
O caso envolve diferentes destinações de recursos públicos e apurações conduzidas por órgãos de fiscalização. As suspeitas relatadas não significam, por si só, que Flávio Bolsonaro tenha cometido irregularidades; a investigação sobre os contratos e a responsabilidade de cada envolvido cabe às autoridades competentes.