O Irã é palco de uma onda de protestos desde 28 de dezembro contra o aumento da inflação e a desvalorização recorde do rial, a moeda iraniana, em relação ao dólar americano. O país acusa Israel e os Estados Unidos (EUA) de fomentarem as manifestações. Entenda em TVT News.
Irã deve retaliar se os EUA e Israel atacarem
Até o momento, pelo menos 192 pessoas foram mortas desde o início dos protestos, de acordo com a ONG Human Rights, que tem sede na Noruega. É a maior onda de protestos desde o movimento “Mulheres, Vida, Liberdade”, que ocorreu entre 2022 e 2023, quando Mahsa Amini, de 22 anos, morreu na prisão após não usar seu hijab da forma correta.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta segunda-feira (12) que os protestos se tornaram violentos e sangrentos para justificar uma intervenção militar dos EUA.
No dia 2 de janeiro, o presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, declarou que o país estava pronto para apoiar os manifestantes se houvessem ataques violentos e voltou a repetir as promessas de ação no sábado (10). A ameaça acontece menos de uma semana após a intervenção na Venezuela e o sequestro de Nicolás Maduro.
Em resposta aos EUA, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, alertou que Israel e todas as bases militares e navais amaericanas na região serão alvos legítimos, caso os Estados Unidos ataquem o país.
Em junho do ano passado, instalações nucleares e fábricas de mísseis iranianas foram alvo de ataques injustificados e sem precedentes de Israel durante 12 dias de conflito. Os EUA também bombardearam o país na ocasião.
O que desencadeou as manifestações
Os protestos começaram com comerciantes do Grande Bazar de Teerã e se espalharam para 17 das 31 províncias iranianas. A revolta iniciamente foi motivada pelo disparo no preço de produtos básicos repentinamente e se transformou em manifestações com centanas de pessoas contra o regime dos aiatolás de forma geral.
O Irã é um dos países mais sancionados do mundo, por isso sofre dificuldades para acessar o mercado financeiro internacional. Em resposta aos protestos, foi indicado um novo governador para o banco central. Abdolnaser Hemmati promete conquistar a estabilidade econômica após a queda dramática do rial.
Os “bazaris”, que começaram as manifestações, são historicamente um grupo alinhado à República Islâmica, enquanto o Grande Bazar de Teerã é o coração econômico da capital. Trata-se de uma grande força política no Irã, que agora se revoltou com as flutuações na moeda.
A polícia tem atacado os manifestantes para dispersar os movimentos e bancos e prédios tem sido depredados. O governo iraniano não está divulgando regularmente números oficiais da atuação policial.
Na quinta (9), houve um corte de internet e sinal de telefonia celular em todo o país. Já nesta segunda (12), Aragchi confirmou que os serviços serão reestabelecidos em coordenação com as autoridades de segurança.
