Em cenário acirrado, estabilidade de indicadores pode favorecer Lula na reta final

Mesmo em empate técnico com Flávio Bolsonaro no 2º turno, Lula ainda mantém liderança numérica reforçada na última pesquisa Datafolha pela queda de 2 pontos na avaliação negativa do governo
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Mesmo em empate técnico com Flávio Bolsonaro no 2º turno, Lula ainda mantém liderança numérica reforçada na última pesquisa Datafolha pela queda de 2 pontos na avaliação negativa do governo. Foto: Ricardo Stuckert.

SÃO PAULO —  Na reta final da disputa presidencial, a nova rodada da pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta (24/09) traz boas e más notícias para ambos os candidatos na liderança, segundo os analistas políticos do Labop FESPSP (Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo). Leia em TVT News.

Por um lado, os resultados confirmam a consolidação do cenário de estabilidade e de polarização cristalizada dos votos no presidente e no senador, configurando, de certo modo, a reedição do pleito de 2022, quando a oposição obteve vitória apertada de apenas 1,8% a mais de votos do que o incumbente da época. Por outro, essa mesma estabilidade consistente do presidente na liderança numérica com 47% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% do senador Flávio Bolsonaro, mostra que depois de semanas com a exposição da crise do Supremo, não houve alteração nas intenções de voto dos principais candidatos.

No entendimento do cientista político Hilton Fernandes, divergindo de outros institutos, o Datafolha sinaliza vantagem estratégica para a campanha governista, ao mostrar resiliência de Lula diante do intenso noticiário político recente. O incumbente se mantém “consistentemente à frente de Flávio Bolsonaro, ainda que empatados na margem de erro no cenário de segundo turno (47% contra 45% de Flávio) e no limite da margem de erro no primeiro turno (40% contra 36%)”, diz Fernandes.

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Mesmo com melhora discreta, a percepção da administração federal também trouxe fôlego técnico para o atual mandatário. Em uma eleição tão acirrada, em que cada ponto pode ser determinante para a vitória, a queda de 2 pontos percentuais na avaliação negativa do governo, passando de 42% para 40%, enquanto a positiva se manteve em 34%, não deixa de ser uma boa notícia para a campanha de Lula, avalia o cientista político.

Metodologias diferentes, resultados diversos

Hilton explica que o comportamento das pesquisas do Datafolha na contramão de levantamentos de outros institutos divulgados nesta mesma semana acende o debate sobre as diferentes metodologias de amostragem. O desenho amostral do Datafolha, por entrevistas em pontos de fluxo nas cidades, pode explicar a manutenção da vantagem lulista.

A última pesquisa Datafolha registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-00304/2026 foi realizada entre os dias 22 e 24 de setembro com 2.002 eleitores. Seus resultados apresentam margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.

Quem decidirá a eleição para presidente

Com a rejeição também empatada rigorosamente em 45%, a definição do pleito deve caminhar para segmentos específicos do eleitorado, avalia o analista político Beto Vasques, coordenador do Labop. A escolha do próximo presidente está agora, portanto, nas mãos dos eleitores pendulares — aqueles sem posição ideológica que ora pendem para um candidato e ora para outro e que são muito sensíveis ao noticiário — e no perfil da abstenção no dia da eleição.

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