SÃO PAULO – A última pesquisa eleitoral Quaest, divulgada nesta segunda-feira (21/9), confirma a probabilidade de realização de segundo turno para a eleição presidencial no Brasil. Analistas políticos do Labop FESPSP (Laboratório de Pesquisas de Opinião e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo) alertam, no entanto, que o cenário atual — de polarização e de rápida redução de indecisos — guarda uma possibilidade de encerramento da disputa ainda no primeiro turno. O desfecho dependerá do comportamento do chamado eleitor pendular, da antecipação da migração da intenção de voto dos candidatos nanicos para os líderes e do perfil da abstenção nas urnas. Leia em TVT News.
De acordo com o analista político Beto Vasques, coordenador do Labop FESPSP, os dados atuais confirmam que os dois principais candidatos, Lula e Flávio, concentram a maioria das intenções de voto, acelerando um processo de antecipação radical da dinâmica de voto útil na reta final.
Com mais de 90% dos indecisos na pesquisa espontânea migrando para as duas principais candidaturas, a disputa se converteu em um acirrado embate de rejeições, empatadas em patamares elevados nas pesquisas.
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Confira as análises na íntegra:
“Altas rejeições, combinadas com alto grau de conhecimento dos candidatos, incentivam o que conhecemos como ‘voto útil, racional, estratégico’ ou ‘voto no menos pior'”, analisa Beto Vasques. O especialista acrescenta que a chance de vitória em primeiro turno deixa de ser apenas teórica se a desidratação das siglas menores se aprofundar: “Se a desidratação dos candidatos nanicos se intensificar, a depender do perfil da abstenção, poderíamos, eventualmente, ver um dos candidatos ultrapassar os 50% dos votos válidos e liquidar a fatura em 4 de outubro próximo. Ainda não é o cenário mais provável, mas é cada vez menos descartável”.
O crescimento recente de Flávio nas pesquisas (de 29% para 33%) encontra explicação nessa dinâmica de absorção. Segundo o levantamento, grande parte desse avanço decorre da perda de espaço de candidaturas menores de direita, como a de Cury, que encolheu de 10% para 6% no eleitorado geral.
Na análise do cientista político Hilton Fernandes, também pesquisador do Labop FESPSP, o comportamento das subamostras demográficas apontadas na última Quaest, considerando-se as margens de erro, confirma a estabilidade na maioria dos segmentos, mas com variações relevantes em outros.
Nos 20 dias em que foram feitas as quatro rodadas de pesquisa, Lula se manteve estável no eleitorado feminino, mas veio perdendo espaço no Nordeste (de 62% para 57%) e entre quem tem nível superior de escolaridade (de 40% para 33%). No mesmo período, Flávio registrou um avanço real e fora da margem de erro no segmento evangélico, subindo de 53% para 58% das intenções de voto, e entre eleitores com nível superior, passando de 44% para 52%.
O fator determinante para confirmar se a eleição se encerrará no primeiro turno pode ser o nível de comparecimento e de votos válidos no dia da votação. Os analistas apontam que o perfil histórico da abstenção no Brasil tende a prejudicar proporcionalmente mais a base tradicional de Lula — composta majoritariamente por eleitores de menor escolaridade e idosos —, o que tem levado os institutos de pesquisa a adotarem critérios mais rígidos de ponderação para evitar distorções nos resultados projetados.
Contudo, os homens, segmento no qual Flávio mantém vantagem na intenção de voto, costumam comparecer menos às urnas do que as mulheres. “E o presidente Lula leva vantagem entre as mulheres, o que, nesse caso, seria uma boa notícia para ele, tornando ainda mais difícil conseguir estimar a quem a abstenção será mais favorável”, diz Vasques.
A pesquisa Quaest ouviu 2.004 pessoas de 16 anos ou mais, entre os dias 17 e 20 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança de 95%. O número de registro da pesquisa é BR-06004/2026.