Com o julgamento dos mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes marcado para os dias 24 e 25 de fevereiro de 2026, no Supremo Tribunal Federal (STF), o Instituto Marielle Franco (IMF) acionou, nesta segunda-feira (26/01), organismos internacionais de direitos humanos, entre eles a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), para comunicar a realização do julgamento e destacar sua relevância histórica. Leia em TVT News.
Filha de Marielle Franco aciona ONU e CIDH a um mês do julgamento dos mandantes no STF
A iniciativa foi conduzida por Luyara Franco, filha de Marielle e diretora executiva do Instituto, e integra a estratégia de incidência nacional e internacional do IMF em torno de um processo considerado decisivo para a democracia brasileira. O julgamento ocorre no ano em que se completam dez anos da eleição de Marielle Franco e após quase oito anos de espera pela responsabilização dos mandantes do crime.
Nos documentos enviados para mais de 15 instâncias internacionais dos direitos humanos, o Instituto ressaltou que o caso de Marielle e Anderson se tornou emblemático da violência política, especialmente contra mulheres negras e defensoras de direitos humanos, e que a decisão do STF terá impacto não apenas no Brasil, mas também será exemplo de referência internacional no enfrentamento à impunidade.
“Estamos a menos de um mês de um julgamento que o Brasil levou anos para alcançar. Comunicar os organismos internacionais é afirmar que este caso ultrapassa fronteiras e que a democracia brasileira está sendo colocada à prova. A condenação dos mandantes é o que pode romper um ciclo histórico de impunidade. A responsabilização de quem mandou matar minha mãe e o Anderson é condição fundamental para o compromisso do país com a verdade, a justiça e a memória”, afirma Luyara Franco.

Ao dialogar com instâncias nacionais e internacionais, o Instituto Marielle Franco busca garantir visibilidade, monitoramento e compromisso institucional com a realização de um julgamento justo, à altura da gravidade do crime. Para o Instituto, o julgamento representa um marco histórico, por expressar a resposta do Estado brasileiro a um crime político cometido para silenciar uma mulher negra eleita e um trabalhador.
Marielle Franco, vereadora negra, bissexual e defensora de direitos humanos, foi assassinada em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro, ao lado do motorista Anderson Gomes, em um crime caracterizado como ataque à representação política e à democracia. O que está em jogo agora, segundo o Instituto, é se o Brasil será capaz de responsabilizar quem mandou matar, o que representa um posicionamento inequívoco de que a violência política não ficará impune.
Via IMF

