O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, incluiu o nome do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra entre as palavras-chave associadas a uma live realizada na noite de quinta-feira (1º), depois de anunciar que não participaria do debate presidencial da TV Globo. A informação foi divulgada pela jornalista Daniela Lima, do UOL, e repercutida pelo Diário do Centro do Mundo. Leia em TVT News.
As palavras-chave ficam nos metadados do vídeo e não são exibidas diretamente para quem acompanha a transmissão. Elas podem ser identificadas por ferramentas que acessam os dados públicos do YouTube. Além de Ustra, a lista associada à live traz termos como “Bolsonaro”, “Lula”, “comunismo”, “direita”, “esquerda”, “Dilma”, “Karl Marx”, “Rede Globo” e “Olavo de Carvalho”.
De acordo com o próprio YouTube, as tags são palavras adicionadas pelo responsável pelo conteúdo para ajudar na identificação do vídeo. A plataforma, porém, informa que atualmente elas têm participação menor na descoberta de conteúdos do que elementos como título, miniatura e descrição.
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Live ocorreu após desistência do debate
A transmissão foi realizada no horário em que estava previsto o último debate entre os candidatos à Presidência na TV Globo. Flávio havia anunciado horas antes que não participaria do encontro. Na live, o senador apareceu ao lado de aliados, fez críticas a decisões da Justiça Eleitoral e pediu apoio aos eleitores.
No mesmo período, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de uma transmissão no Flow Podcast. Segundo dados divulgados pelo UOL, a live de Lula atingiu pico de 1,7 milhão de espectadores simultâneos, enquanto a transmissão de Flávio chegou a 900 mil. Os números correspondem ao pico de audiência simultânea, e não ao total de visualizações dos vídeos.
Quem foi Carlos Alberto Brilhante Ustra
Ustra foi comandante do DOI-Codi de São Paulo entre 1970 e 1974, durante a ditadura militar. A Comissão Nacional da Verdade registrou o coronel como responsável por graves violações de direitos humanos, incluindo casos de tortura e assassinato ocorridos no órgão sob seu comando.
Em 2008, a Justiça de São Paulo reconheceu Ustra como responsável por torturas praticadas contra integrantes da família Teles. A decisão foi posteriormente mantida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
O nome do coronel também já havia sido associado publicamente a Flávio Bolsonaro. Em biografia de Jair Bolsonaro publicada em 2017, o então deputado estadual defendeu a homenagem feita pelo pai a Ustra durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff. No livro, Flávio também negou que 1964 tenha representado um golpe e apresentou uma visão favorável à atuação das Forças Armadas durante a ditadura.
Na mesma publicação, Flávio questionou a segurança das urnas eletrônicas e defendeu a adoção do voto impresso. As declarações fazem parte de posições registradas pelo candidato anos antes da atual disputa presidencial.