O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, concedeu entrevista ao ICL Notícias 1ª edição nesta quinta-feira (2), na qual rebateu ataques relacionados à taxação de apostas online, criticou a desinformação sobre a chamada “taxa das blusinhas” e defendeu o legado de sua gestão na economia. Leia em TVT News.
Ao comentar a reação do setor de apostas esportivas, Haddad afirmou que não recuará diante de pressões. “Eu não vou deixar de cumprir a minha obrigação funcional com medo de um bando de canalhas que ficaram quatro anos na ilegalidade sem pagar imposto”, declarou.
Segundo ele, empresas do setor promoveram campanhas de desinformação após a decisão de tributar as chamadas bets. “As bets ficaram quatro anos sem pagar imposto. Aí fizeram uma campanha contra mim, inventaram apelidos e começaram a disseminar desinformação”, disse.
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Haddad também fez críticas ao impacto social dessas plataformas. “Se ela produz doença e não saúde, por que vai ser tratada como Santa Casa de Misericórdia? A bet adoece as pessoas”, afirmou.
Ainda sobre o ambiente político e digital, o ex-ministro apontou o papel das redes sociais na disseminação de ataques e notícias falsas. “A extrema direita, desde que perdeu, voltou com carga total nas redes sociais”, declarou.
Ele questionou a ausência de mecanismos de controle nesse ambiente: “Nas redes sociais não existe isso [controle]. Então como preservar a integridade moral de uma pessoa que está sendo atacada por calúnia e difamação?”.
Outro eixo da entrevista foi a polêmica em torno da taxação de compras internacionais de pequeno valor. Haddad negou que a medida tenha sido criada pelo governo federal. “A taxa das blusinhas não foi uma criação do governo do presidente Lula, mas dos governadores”, afirmou.
Ele ressaltou que a cobrança foi amplamente adotada pelos estados. “Todos os governadores passaram a cobrar a taxa das blusinhas, inclusive aqui de São Paulo”, disse.
Segundo Haddad, houve consenso político na aprovação da medida. “A decisão foi 100% aprovada por todos os partidos no Congresso Nacional”, afirmou.
O ex-ministro também criticou a forma como o tema vem sendo explorado no debate público. “É engraçado que até nosso campo desinforma, perguntando se estou arrependido de uma decisão que não tomei”, declarou.
Ele acrescentou que a narrativa foi distorcida politicamente: “A narrativa foi usada politicamente, mas a verdade é que foi uma medida de proteção econômica”.
Ainda sobre sua atuação na Fazenda, Haddad defendeu o modelo de ajuste fiscal adotado durante o governo Lula. “Houve um ajuste fiscal em cima dos mais pobres, sem reajuste real do salário mínimo e sem correção da tabela do imposto de renda”, disse, ao se referir a gestões anteriores.
Em contraste, afirmou que houve mudança de orientação na política econômica recente. “Passamos a fazer um ajuste fiscal não mais em cima dos pobres”, declarou.
Ele também destacou dificuldades herdadas no início do governo. “Tivemos que pagar os calotes no primeiro ano de governo. Isso envolveu cerca de R$ 120 bilhões”, afirmou.
Haddad ainda apontou um descompasso entre indicadores econômicos e a percepção da população, atribuindo o fenômeno à circulação de informações falsas. “O nível de desinformação hoje é gritante”, disse.
Na entrevista, o ex-ministro também abordou o cenário eleitoral em São Paulo e defendeu a necessidade de apresentar propostas concretas ao eleitorado. “Não adianta só criticar. Na eleição, a oposição tem que propor alternativa”, afirmou.
Ao fazer um balanço político e econômico, Haddad buscou consolidar a defesa de sua gestão e se posicionar diante de críticas, combinando ataques à desinformação com a reafirmação de medidas adotadas na Fazenda.

