O Dia da Mulher é muito mais do que um momento para presentes ou frases de efeito. Trata-se de um marco político fundamental para o calendário das lutas sociais em todo o mundo. No 8 de março, os movimentos sociais, sindicatos e coletivos feministas reafirmam a necessidade de combater o patriarcado, a desigualdade salarial e a violência de gênero que ainda assola a sociedade.
Ao rememorar o 8 de março, Dia da Mulher, é essencial resgatar a raiz revolucionária desta data. Longe de ser um dia para impulsionar o comércio, o 8 de março nasceu no chão de fábrica, nas assembleias operárias e nas ruas, impulsionado por mulheres que exigiam trabalho digno.
A TVT News preparou um material especial para explicar a origem do 8 de março como Dia da Mulher e destacar figuras importantes na construção da resistência feminina na América Latina.
Quem é essa mulher? Conheça mulheres históricas da América Latina
Por que 8 de março é o Dia da Mulher?
A escolha do 8 de março como o Dia da Mulher não foi aleatória, mas fruto de um processo de organização da classe trabalhadora. No início do século XX, as condições de trabalho eram desumanas, com jornadas exaustivas e salários miseráveis, especialmente para as operárias da indústria têxtil.
Até hoje, são as mulheres as que mais sentem os efeitos das longas jornadas de trabalho que se multiplicam com a economia do cuidado. Por isso, as mulheres estão engajadas na luta contra a escala 6×1.

O 8 de março serve como um lembrete anual da capacidade de mobilização das trabalhadoras. É um dia para evidenciar que as conquistas democráticas, como o direito ao voto e à licença-maternidade, não foram concessões, mas vitórias arrancadas com muita organização e enfrentamento.
O Dia da Mulher é, portanto, um instrumento de conscientização política e de denúncia contra as opressões.
Qual a origem da data de 8 de março como Dia Internacional da Mulher
Há uma série de acontecimentos que tornaram o 8 de março o Dia das Mulheres.
A ideia de um dia dedicado às mulheres surgiu em um contexto de intensas manifestações por melhores condições de trabalho, direito ao voto e fim da discriminação.
Acompanhe a linha do tempo do Dia da Mulher:
- 1908: Um marco importante foi a marcha de cerca de 15 mil trabalhadoras têxteis em Nova York, que foram às ruas exigindo a redução da jornada de trabalho (que chegava a 16 horas diárias), melhores salários e o direito ao voto .
- 1909: Inspirado por essas mobilizações, o Partido Socialista da América celebrou o primeiro Dia Nacional das Mulheres em 28 de fevereiro .
- 1910: O passo decisivo para a internacionalização da data foi dado pela ativista alemã Clara Zetkin. Durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, em Copenhague (Dinamarca), ela propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher anual. A ideia era unificar a luta das mulheres ao redor do mundo por direitos, mas nenhuma data específica foi definida na ocasião .
- 1911: Como resultado, o primeiro Dia Internacional da Mulher foi celebrado em 19 de março em países como Alemanha, Suíça e Dinamarca .
- 1975: A Organização das Nações Unidas (ONU) oficializou o 8 de março como o Dia Internacional das Mulheres, durante o Ano Internacional da Mulher, dando à data um reconhecimento global.
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Por que 8 de março é o Dia da Mulher: o incêndio na Triangle Shirtwaist (1911)
Um evento trágico em Nova York reforçou a urgência da luta.
- Em 25 de março de 1911, um incêndio na fábrica Triangle Shirtwaist matou 146 trabalhadores, a maioria mulheres imigrantes (judias e italianas).
- A tragédia expôs as condições precárias de trabalho e impulsionou a legislação trabalhista nos EUA, tornando-se um símbolo central nas manifestações operárias.

Por que 8 de março é o Dia da Mulher: a greve de 1917 na Rússia
Em 8 de março de 1917 (que corresponde a 23 de fevereiro no calendário juliano, então em uso na Rússia), milhares de operárias russas saíram às ruas de Petrogrado (atual São Petersburgo) em um protesto histórico.
Elas reivindicavam “Pão e Paz“: pão para suas famílias famintas e o fim da participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial, além de melhores condições de vida e trabalho
Contudo, foi a oficialização pela Internacional Socialista e, posteriormente, o reconhecimento pela ONU em 1975, que consolidaram o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher, uma data de memória e resistência operária.
Por que 8 de março é o Dia da Mulher? A oficialização pela ONU
O Dia da Mulher, comemorado em 8 de março, surgiu a partir das mobilizações de trabalhadoras por melhores condições de trabalho, igualdade salarial e participação política.
Com o passar do tempo, a data ganhou dimensão internacional. Movimentos sociais e organizações feministas utilizam o Dia da Mulher para debater políticas públicas, denunciar violências e promover ações voltadas à igualdade entre homens e mulheres.

Em 1975, a Organização das Nações Unidas oficializou o 8 de março como Dia Internacional da Mulher. Desde então, a data passou a ser reconhecida mundialmente como um momento de reflexão sobre igualdade de direitos e enfrentamento das violências contra mulheres.
Quem é essa mulher? Conheça mulheres que marcaram a história da América Latina
A história oficial muitas vezes apaga ou secundariza a participação feminina nos processos poíticos e culturais.
No entanto, a América Latina foi forjada pelo sangue, suor e inteligência de mulheres que pegaram em armas, organizaram quilombos, escreveram manifestos e desafiaram ditaduras.
Para a TVT News, o Dia da Mulher é o momento para corrigir essas injustiças históricas. A seguir, conheça perfis de lutadoras que dedicaram suas vidas à causa da liberdade e da justiça social no continente latino-americano
Mulheres na história da América Latina: Anita Garibaldi
Conhecida como a “Heroína de Dois Mundos”, Anita Garibaldi rompeu com todos os padrões esperados para uma mulher do século XIX. Nascida no sul do Brasil, ela não se limitou ao papel doméstico, pegando em armas ao lado de Giuseppe Garibaldi durante a Revolução Farroupilha. Sua bravura nos campos de batalha e sua habilidade estratégica a tornaram uma lenda viva ainda durante sua curta existência.

Anita participou ativamente de combates no Brasil, no Uruguai e na Itália, defendendo ideais republicanos. Sua trajetória é marcada pela coragem física e pela convicção política, enfrentando exércitos imperiais e as dificuldades de uma vida em constante deslocamento. Ela representa a mulher que não aceita a submissão e que luta, ombro a ombro, pela autodeterminação dos povos.
Mulheres na história da América Latina: Maria Felipa
Maria Felipa de Oliveira é um símbolo da independência do Brasil na Bahia. Marisqueira, negra e liderança natural na Ilha de Itaparica, ela organizou um grupo de vigilância e resistência contra as tropas portuguesas em 1823. A história oral conta que Maria Felipa liderou um grupo de mulheres que, usando galhos de cansanção (uma planta urticante), surraram os soldados portugueses, além de incendiar embarcações inimigas.

Sua figura destaca o protagonismo das mulheres negras e pobres na construção da soberania nacional, muitas vezes ignorado pelos livros didáticos tradicionais. Maria Felipa encarna a astúcia popular e a força coletiva, provando que a independência do Brasil teve rosto feminino, negro e nordestino.
Mulheres na história da América Latina: Juana Azurduy
Juana Azurduy foi uma das mais importantes líderes militares na luta pela independência da América do Sul. Nascida no que hoje é a Bolívia, ela assumiu o comando de tropas guerrilheiras contra o domínio espanhol no Alto Peru. Juana perdeu o marido e quatro filhos na guerra, mas nunca abandonou o front, chegando a comandar um exército de indígenas e mestiços leais à causa da libertação.

Reconhecida postumamente com patentes de general na Argentina e na Bolívia, Juana Azurduy simboliza a entrega total à causa anticolonial. Sua vida nos lembra que a independência latino-americana foi conquistada com a participação direta de mulheres que desafiaram não apenas o império espanhol, mas também as normas de gênero de sua época.
Mulheres na história da América Latina: Manuela Sáenz
Equatoriana de nascimento, Manuela Sáenz foi muito mais do que a companheira de Simón Bolívar; foi uma ativista revolucionária com méritos próprios. Conhecida como a “Libertadora do Libertador” por ter salvo a vida de Bolívar em um atentado em Bogotá, Manuela atuou na espionagem, na logística e no financiamento da causa patriota. Ela vestia uniforme militar, montava a cavalo e participava das decisões estratégicas.

Após a morte de Bolívar, Manuela sofreu perseguição e exílio, terminando seus dias no litoral peruano. Sua reabilitação histórica é recente e necessária, posicionando-a como uma intelectual e estrategista política que compreendia a complexidade da integração latino-americana e a necessidade de romper definitivamente com a metrópole.
Mulheres na história da América Latina: Patrícia Galvão
Patrícia Galvão, a Pagu, foi uma mulher à frente de seu tempo, ícone do Modernismo brasileiro e militante comunista fervorosa. Jornalista, desenhista e escritora, Pagu denunciou as desigualdades sociais em obras como “Parque Industrial”, considerado o primeiro romance proletário brasileiro. Sua militância no Partido Comunista a levou ao cárcere diversas vezes durante a Era Vargas, onde sofreu torturas, mas manteve sua integridade ideológica.

Pagu desafiou a moral burguesa de todas as formas, tanto em sua vida pessoal quanto em sua produção artística e política. Ela é um exemplo de intelectual engajada, que colocou seu talento a serviço da denúncia das condições da classe operária e da emancipação feminina, pagando um alto preço pessoal por suas escolhas ousadas.
Mulheres na história da América Latina: Olga Benário
A trajetória de Olga Benário Prestes é marcada pela tragédia e pelo heroísmo antifascista. Militante comunista alemã de origem judaica, veio ao Brasil para fazer a segurança de Luís Carlos Prestes. Após o fracasso do levante comunista de 1935, foi presa pelo governo de Getúlio Vargas. Mesmo grávida, foi deportada para a Alemanha nazista, em um ato de colaboracionismo que mancha a história brasileira.

Olga deu à luz sua filha, Anita Leocádia, em um campo de concentração antes de ser assassinada na câmara de gás em Bernburg. Sua história é um alerta permanente sobre os perigos do autoritarismo e do fascismo. Olga tornou-se um símbolo internacional de resistência.
Mulheres na história da América Latina: Gabriela Mistral
Gabriela Mistral, poeta e educadora chilena, foi a primeira pessoa latino-americana a receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1945. Sua obra é profundamente marcada pela defesa da educação pública, pelos direitos das crianças e pela valorização da identidade mestiça e indígena do continente. Gabriela atuou na reforma educacional do México pós-revolucionário, a convite de José Vasconcelos, levando sua visão humanista para as escolas rurais.

Além de sua vasta produção literária, Mistral foi uma diplomata e intelectual que pensou a América Latina de forma integrada. Ela defendia que o ensino deveria ser uma ferramenta de libertação social, acessível aos mais pobres. Sua voz poética nunca se desvinculou de seu compromisso ético com os desfavorecidos e com a justiça social.
Mulheres na história da América Latina: Antonieta de Barros
Antonieta de Barros foi uma pioneira absoluta na política brasileira. Filha de ex-escravizada, professora e jornalista, foi a primeira mulher negra a ser eleita deputada estadual no Brasil, em Santa Catarina, no ano de 1934. Sua atuação parlamentar foi centrada na defesa da educação como direito de todos e na valorização do magistério, além de lutar contra o racismo estrutural e a discriminação de gênero.

Foi Antonieta quem criou o Dia do Professor em seu estado, data que depois se tornaria nacional. Sua presença em um espaço de poder, majoritariamente branco e masculino na década de 1930, foi um ato revolucionário. Ela utilizou a tribuna e a imprensa para exigir cidadania plena para a população negra e para as mulheres, deixando um legado de luta pela democratização do ensino.
Mulheres na história da América Latina: Clara Charf
Clara Charf foi um exemplo de vida dedicada à militância de esquerda e aos direitos das mulheres. Viúva de Carlos Marighella, principal líder da resistência armada contra a ditadura militar, Clara viveu na clandestinidade e no exílio, atuando incansavelmente na denúncia das violações de direitos humanos no Brasil.
Após a anistia, continuou sua atuação política, focando especialmente nas questões de gênero e na paz mundial.

Fundadora da Associação Mulheres pela Paz, Clara manteve acesa a memória de Marighella e de todos os combatentes que tombaram lutando pela democracia. Sua biografia atravessa décadas de história política brasileira, sempre do lado dos oprimidos. Ela nos ensina que a militância é um compromisso vitalício e que a luta por um mundo mais justo não tem data para acabar.
Mulheres na história da América Latina: Maria Lúcia Petit
Maria Lúcia Petit foi uma militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) que integrou a Guerrilha do Araguaia. Jovem idealista, mudou-se para a região do Bico do Papagaio para organizar os camponeses e resistir ao regime militar. Em 1972, foi morta em combate pelas Forças Armadas. Por décadas, sua família lutou pelo direito de localizar seus restos mortais e sepultá-la dignamente.

A identificação de sua ossada, nos anos 1990, foi um marco na busca pelos desaparecidos políticos do Araguaia. Maria Lúcia representa a juventude que sacrificou a própria vida sonhando com um Brasil livre da tirania. Sua memória é preservada como denúncia da brutalidade do Estado durante os anos de chumbo.
Mulheres na história da América Latina: Lélia Gonzalez
Lélia Gonzalez foi uma intelectual, política e antropóloga brasileira fundamental para o pensamento feminista negro. Ela cunhou o conceito de “Amefricanidade”, propondo uma leitura da cultura e da história das Américas a partir da contribuição indígena e africana. Lélia foi uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado (MNU), atuando diretamente contra o mito da democracia racial.

Sua crítica era afiada: ela apontava como o feminismo tradicional muitas vezes ignorava a realidade das mulheres negras e pobres. Para Lélia, a luta contra o sexismo era inseparável da luta contra o racismo e o capitalismo. Seu pensamento segue atualíssimo, oferecendo ferramentas teóricas para compreendermos as hierarquias sociais brasileiras e a importância de um feminismo interseccional.
Mulheres na história da América Latina: Zuzu Angel
Zuleika Angel Jones, conhecida como Zuzu Angel, transformou sua dor em denúncia internacional. Estilista de renome, ela iniciou uma busca incessante por seu filho, Stuart Angel, militante político torturado e assassinado pela ditadura militar. Zuzu utilizou sua moda para protestar: estampou anjos feridos, tanques de guerra e grades em suas coleções, levando a brutalidade do regime brasileiro para as passarelas de Nova York.

Sua coragem em confrontar os generais e expor os crimes do Estado brasileiro incomodou o regime. Zuzu morreu em um acidente de carro suspeito no Rio de Janeiro, em 1976, hoje reconhecido como um atentado perpetrado pelos agentes da repressão. Ela é um símbolo da força materna que se converte em luta política por verdade e justiça.
Mulheres na história da América Latina: Clementina de Jesus
Clementina de Jesus, a “Quelé”, foi a voz ancestral que conectou o Brasil moderno às suas raízes africanas profundas. Descoberta para o grande público já idosa, depois de uma vida inteira trabalhando como doméstica, Clementina trouxe em seu canto os vissungos (cantos de trabalho), corimás e sambas rurais que guardava na memória. Ela não foi apenas uma cantora, mas uma guardiã de saberes orais.

Sua presença na música popular brasileira foi um ato de afirmação da estética e da cultura negra. Sua voz rouca e potente narrava a história de resistência do povo negro pós-abolição. Clementina nos lembra que a cultura é também um campo de disputa e que a memória do povo pobre é um patrimônio inestimável.
Mulheres na história da América Latina: Maria Conceição Tavares
A economista Maria da Conceição Tavares, portuguesa radicada no Brasil, foi uma das vozes mais lúcidas e combativas do pensamento econômico nacional.
Professora da Unicamp e da UFRJ, e ex-deputada pelo PT, Conceição formou gerações de economistas com uma visão crítica ao neoliberalismo e à financeirização da economia. Sua defesa intransigente do desenvolvimento nacional e da distribuição de renda marcou época.

Conhecida por sua oratória apaixonada e por não ter papas na língua, ela denunciava a desigualdade brasileira como uma vergonha histórica. Para Conceição Tavares, a economia não podia ser uma ciência fria de números, mas devia servir ao bem-estar da população. Seu legado permanece vivo na defesa da soberania nacional e dos direitos dos trabalhadores contra a austeridade fiscal.
Mulheres na história da América Latina: Violeta Parra
Violeta Parra foi a alma da música folclórica chilena e a precursora da “Nueva Canción Chilena”. Pesquisadora incansável, viajou pelos rincões do Chile recuperando canções, ritmos e tradições camponesas que estavam sendo esquecidas. Sua obra é uma fusão de arte e compromisso social, denunciando as injustiças sofridas pelos trabalhadores rurais e mineiros.

Ela pode ser considerada a mãe da música latino-americana.
Com músicas como “Gracias a la Vida” e “Volver a los 17”, Violeta transcendeu fronteiras. Sua arte era profundamente política, servindo de inspiração para movimentos de esquerda em toda a América Latina. Ela provou que a cultura popular é uma ferramenta poderosa de identidade e resistência contra a hegemonia cultural estrangeira.
Mulheres na história da América Latina: Dulce Maia
Dulce Maia foi a primeira mulher a ser banida do Brasil pela ditadura militar, trocada, junto com outros presos políticos, pelo embaixador japonês sequestrado em 1970. Militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), Dulce sofreu torturas brutais nos porões da Operação Bandeirante (Oban), mas nunca entregou seus companheiros. Sua resistência física e psicológica tornou-se lendária entre a militância.
Após o banimento, viveu no exílio em diversos países, continuando a denunciar o regime brasileiro. O retorno ao Brasil com a anistia marcou a continuidade de sua militância pelos direitos humanos. A história de Dulce Maia é um testemunho da violência de gênero específica aplicada contra as mulheres guerrilheiras, que eram punidas duplamente: por sua oposição política e por desafiarem o papel de submissão feminina.
Mulheres na história da América Latina: Mercedes Sosa
Mercedes Sosa, “La Negra”, foi a voz que unificou a América Latina em torno da esperança e da luta democrática. Cantora argentina, sofreu perseguição e censura durante a ditadura militar em seu país, sendo obrigada a se exilar. Sua interpretação de canções como “Sólo le pido a Dios” e “Canción con todos” tornou-se hino de resistência em todo o continente.

Se Violeta Parra era a mãe, Mercedes Sosa foi a madrinha da música latino-americana.
Mercedes usou seu imenso talento para dar visibilidade aos compositores engajados e às dores do povo latino-americano. Ela cantou com os estudantes, com os trabalhadores e com as Mães da Praça de Maio. Sua arte era um abraço solidário que atravessava fronteiras, lembrando que a luta por liberdade na América Latina é uma causa comum a todos os nossos povos.
Mulheres na história da América Latina: Margarida Maria Alves
“É melhor morrer na luta do que morrer de fome”. A frase de Margarida Maria Alves ecoa até hoje como lema das trabalhadoras rurais. Líder sindical na Paraíba, ela foi a primeira mulher a presidir o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande. Margarida lutou incansavelmente pelos direitos trabalhistas no campo, como carteira assinada, jornada de oito horas e férias, enfrentando a fúria dos latifundiários e usineiros.
Assassinada em 1983 na porta de sua casa, na frente de sua família, a mando de proprietários de terra, Margarida tornou-se semente. Sua morte inspirou a “Marcha das Margaridas”, a maior mobilização de mulheres do campo, da floresta e das águas da América Latina, que ocorre periodicamente em Brasília exigindo reforma agrária e fim da violência no campo.
Mulheres na história da América Latina: Irmã Dorothy Stang
A missionária norte-americana naturalizada brasileira, Irmã Dorothy Stang, dedicou sua vida à defesa da Amazônia e dos povos da floresta. Atuando em Anapu, no Pará, ela lutou pela implantação de Projetos de Desenvolvimento Sustentável (PDS), batendo de frente com grileiros, madeireiros ilegais e fazendeiros que destruíam a mata e oprimiam os pequenos agricultores.
Aos 73 anos, em 2005, foi brutalmente assassinada com seis tiros a mando de fazendeiros da região. Sua morte expôs ao mundo a sangrenta disputa pela terra no Brasil e a impunidade que protege os mandantes de crimes ambientais e agrários. Ela é mártir da luta socioambiental.
Mulheres na história da América Latina: Marielle Franco
Marielle Franco, socióloga, cria da Maré e vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL, representava a renovação da política com a cara da mulher negra, favelada e LGBTQIAPN+.
A atuação parlamentar de Marielle era voltada para a defesa dos direitos humanos, a fiscalização da violência policial e o apoio às minorias. Em 14 de março de 2018, Marielle e seu motorista Anderson Gomes foram executados em uma emboscada política que chocou o mundo.

O assassinato de Marielle foi uma tentativa de silenciar as pautas que ela defendia, mas gerou o efeito oposto: multiplicou sua voz em milhares de outras mulheres que ocuparam a política. A pergunta “Quem mandou matar Marielle?” tornou-se um grito por justiça e contra a atuação das milícias no Estado. Marielle é hoje um símbolo global de resistência política e defesa da democracia.

Em março de 2026, a pergunta “Quem mandou matar Marielle?” foi respondida com a condenação dos mandantes do assassinato.
Dia da Mulher em 2026: o combate ao feminicídio
Chegamos ao Dia da Mulher em 2026 com a urgência de estancar a sangria do feminicídio. Apesar dos avanços legislativos e da tipificação do crime, os números continuam alarmantes, refletindo uma cultura machista que enxerga a mulher como propriedade.
O combate a essa violência exige mais do que leis; exige orçamento público para casas de abrigo, delegacias especializadas funcionando 24 horas e programas de educação que desconstruam a masculinidade tóxica desde a base.
O Brasil na luta contra o feminicídio
O Brasil segue enfrentando o desafio de proteger suas mulheres. Neste 8 de março, os movimentos de mulheres reivindicam que o Estado assuma sua responsabilidade integral. Não basta punir o agressor; é preciso evitar a morte.
Isso passa pela autonomia econômica das mulheres e por uma rede de apoio psicossocial robusta. A luta contra o feminicídio é a luta pelo direito mais básico de todos: o direito à vida.
A TVT News reafirma seu compromisso em dar visibilidade a essa pauta todos os dias do ano.

