Hoje, em 21 de outubro seria o julgamento do assassino de Ana Clara, mas Flávio Bolsonaro impediu

Júri popular do policial militar acusado de matar menina Ana Clara, de cinco anos, em Niterói foi adiado para maio de 2027; senador integrou a defesa e recorreu contra a decisão que determinou o julgamento
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Júri popular do policial militar acusado de matar menina Ana Clara, de cinco anos, em Niterói foi adiado para maio de 2027; senador integrou a defesa e recorreu contra a decisão que determinou o julgamento. Foto: Alexandre Barbosa/TVT News

O julgamento do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado de matar Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, estava previsto para esta quarta-feira (21), mas foi remarcado para 5 de maio de 2027. O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) integrou a equipe de defesa do policial e assinou, em 2024, um recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão que determinou o julgamento pelo Tribunal do Júri. O recurso foi rejeitado, mas o júri não ocorreu na data inicialmente prevista. Leia em TVT News.

Em publicação nas redes sociais, o deputado federal Marcelo Freixo (PT) afirmou que a atuação de Flávio Bolsonaro e seu poder político foram responsáveis pelo adiamento. Freixo visitou Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara, para registrar a luta da família por justiça.

A mãe da menina cobra há mais de cinco anos uma resposta da Justiça. Cristiane critica a atuação para impedir que ele seja submetido ao júri popular.

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Menina foi morta com tiro de fuzil

Ana Clara foi atingida por um disparo de fuzil em 2 de fevereiro de 2021, enquanto brincava na porta de casa com o irmão de dois anos, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro.

A menina Ana Clara foi socorrida e levada ao Hospital Estadual Azevedo Lima, mas não resistiu. O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou o então cabo da Polícia Militar Bruno Dias Delaroli por homicídio doloso, sob a acusação de que ele assumiu o risco de matar ao efetuar disparos em uma área residencial.

O policial foi preso em flagrante após o episódio, mas passou a responder ao processo em liberdade em novembro de 2021. No mesmo ano, a Justiça determinou que ele fosse levado a júri popular. A decisão foi mantida pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em 2022.

Flávio recorreu contra o júri popular

Flávio Bolsonaro passou a integrar a defesa do policial em 2024, quando assinou um recurso apresentado ao STJ para contestar a decisão de submetê-lo ao Tribunal do Júri. O pedido foi negado. Em junho de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) também manteve a determinação de que o réu fosse julgado por um júri popular.

O caso voltou ao debate nacional durante o confronto entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro no debate presidencial da Band, no domingo (18). Lula questionou o adversário sobre a atuação na defesa do policial acusado pela morte da criança.

Flávio respondeu que o exercício da advocacia é legítimo e acusou o presidente de antecipar uma condenação antes do julgamento. O senador sustenta que sua atuação ocorreu dentro das prerrogativas profissionais.

Mãe cobra justiça

Cristiane Gomes da Silva afirma que a demora prolonga o sofrimento da família. Em declaração divulgada pelo Brasil de Fato, ela ressaltou que espera há anos que o caso seja levado a julgamento e que a morte da filha não seja esquecida.

A mãe também questionou a contradição entre o discurso de defesa da família adotado por Flávio Bolsonaro e sua atuação no processo. Para ela, o direito de defesa não deve ser confundido com tentativas de evitar que o acusado responda perante o júri.

Com o adiamento para maio de 2027, a família terá de esperar mais alguns meses para que o julgamento seja realizado. Até lá, Bruno Dias Delaroli permanece respondendo ao processo em liberdade.

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