Imposto de Renda zero coloca o pé na estrada e amplia o turismo no Brasil

Isenção do IR dá fôlego no orçamento e permitem desde bate e volta na praia até viagens parceladas para chapadas, cidades históricas e litoral do Nordeste
Isenção do IR abre caminho para conhecer as maravilhas do Brasil. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Depois de ajudar a garantir o churrasco do fim de semana e abrir margem para investir, a ampliação da isenção do Imposto de Renda também começa a impactar outro desejo recorrente do trabalhador brasileiro: viajar. Com mais dinheiro sobrando todo mês, mesmo que em valores modestos, cresce a possibilidade de tirar planos do papel, organizar um bate e volta na praia, um fim de semana fora numa cidade histórica ou até programar férias parceladas. O turismo nacional aparece como um dos principais beneficiados desse alívio no bolso. Leia em TVT News.

Na prática, a mudança no IR transforma imposto retido em orçamento recorrente, que pode ser acumulado ao longo dos meses. Para quem ganha R$ 3.500, a economia mensal de R$ 39,76 parece pequena, mas em um casal chega a R$ 79,52. Em três meses, são quase R$ 240, valor suficiente para um bate e volta no litoral paulista, incluindo transporte.

Partindo de São Paulo, destinos como Santos, Guarujá e Praia Grande seguem entre os mais acessíveis. Um pacote simples de bate e volta, com transporte em ônibus ou van, custa em média R$ 90 a R$ 120 por pessoa, dependendo da temporada. Para quem prefere ir de carro, o gasto com combustível e pedágios gira em torno de R$ 150 a R$ 200 por casal. Com a economia do IR, esse passeio deixa de ser luxo e passa a caber no planejamento mensal.

Na faixa dos R$ 4.000, a isenção garante R$ 114,76 a mais por mês. Em casal, isso representa R$ 229,52 mensais. Em dois meses, o valor já permite um fim de semana em cidades do interior paulista, como Campos do Jordão, Socorro ou Brotas, com hospedagem simples. Uma diária em pousada ou hotel econômico custa, em média, R$ 200 a R$ 300, enquanto o deslocamento saindo da capital varia entre R$ 150 e R$ 250.

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Ouro Preto é destino garantido para quem gosta de passeios históricos e boa comida. Foto: Pedro Vilela/MTur

Quem recebe R$ 4.500 passa a economizar R$ 200,39 por mês. Em casal, são mais de R$ 400 mensais, o que abre espaço para viagens um pouco mais longas. Um bom exemplo são as cidades históricas de Minas Gerais, como Ouro Preto, Tiradentes e São João del-Rei. Um fim de semana prolongado, com duas ou três diárias e transporte rodoviário, custa em média R$ 1.200 a R$ 1.500 por casal. Com a soma da isenção, esse valor pode ser acumulado em cerca de quatro meses.

O salto fica mais evidente entre quem ganha R$ 5.000. A isenção total do IR nessa faixa gera R$ 312,89 livres todo mês. Em casal, o valor ultrapassa R$ 625 mensais, permitindo pensar em viagens parceladas. Destinos de natureza, como Chapada dos Veadeiros (GO), Chapada Diamantina (BA) ou Serra da Capivara (PI), entram no radar. Pacotes nacionais de quatro a cinco dias, com hospedagem e passeios, custam em média R$ 2.500 a R$ 3.500 por pessoa, podendo ser parcelados em até dez vezes. A economia mensal do IR cobre boa parte dessas parcelas sem comprometer o restante do orçamento.

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Chapada dos Veadeiros combina paisagens magníficas e turismo de aventura. Foto: Rui Faquini/ICMBio

Mesmo nas faixas em que o desconto passa a ser parcial, o impacto segue relevante. Quem ganha R$ 5.500 tem uma economia líquida aproximada de R$ 246 por mês. Em casal, quase R$ 500. Para rendas de R$ 6.000, o alívio gira em torno de R$ 180 mensais, e para R$ 6.500, cerca de R$ 113. Esses valores, acumulados ao longo do ano, ajudam a viabilizar viagens mais sonhadas, especialmente quando combinados com promoções de passagens e hospedagens.

No topo da faixa com desconto, em torno de R$ 7.000, a economia já é menor, mas ainda simbólica para o planejamento. Acima de R$ 7.350, as alíquotas permanecem em 27,5%, sem mudanças. Ainda assim, o desenho da política beneficia justamente quem historicamente viaja menos: trabalhadores de renda baixa e média.

Entre os destinos mais desejados, o litoral do Nordeste segue como referência. Viagens para Maceió, Recife, Natal, Fortaleza ou Salvador, com passagem aérea e hospedagem de quatro a seis noites, custam em média R$ 2.500 a R$ 4.000 por pessoa, dependendo da época. Parcelados, esses valores se tornam acessíveis quando parte da prestação é “paga” pela economia mensal do Imposto de Renda.

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Com o título de ar mais puro das Américas, Natal é uma das joias do Nordeste. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Assim como no churrasco de fim de semana, o turismo também carrega um forte componente cultural. Viajar pelo Brasil significa movimentar economias locais, gerar emprego e fortalecer o lazer como direito social. Com o IR Zero e os descontos progressivos, o descanso deixa de ser exceção e passa a integrar o planejamento das famílias. O pé na estrada, ao que tudo indica, também faz parte desse novo fôlego no bolso do trabalhador.

Calcule quanto você vai economizar com o imposto de renda zero

Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região lançou uma calculadora que permite aos trabalhadores simular quanto podem economizar a isenção do imposto de renda para salários de até R$ 5 mil e com os descontos progressivos para quem ganha até R$ 7.350 que está valendo desde o início de janeiro de 2026.

Coloque seu salário na calculadora e veja quanto você vai economizar por mês e quanto pode juntar em um ano.
A calculadora tem como objetivo informar a classe trabalhadora sobre os impactos positivos desta lei do Governo Lula.

Os exemplos práticos ajudam a dimensionar o alcance da mudança e evidenciam o alívio imediato no orçamento mensal de quem vive do próprio trabalho.

Exemplos de como fica o Imposto de renda

Salário MensalImposto AntigoImposto NovoRedução
Até R$ 3.036IsentoIsentoMantém isenção
R$ 3.500R$ 39,76R$ 0-R$ 39,76
R$ 4.000R$ 114,76R$ 0-R$ 114,76
R$ 4.500R$ 200,39R$ 0-R$ 200,39
R$ 5.000R$ 312,89R$ 0-R$ 312,89
R$ 5.500R$ 436,80R$ 190,48-R$ 246,32
R$ 6.000R$ 574,30R$ 394,55-R$ 179,75
R$ 6.500R$ 711,80R$ 598,63-R$ 113,17
R$ 7.000R$ 849,30R$ 802,70-R$ 46,60
R$ 7.349R$ 881,69R$ 881,55-R$ 0,14
R$ 7.350 a R$ 50.000Alíquota de 27,5%Alíquota de 27,5%Sem alteração

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