A ampliação do número de seleções para a Copa do Mundo de 2026 trouxe uma diversidade sem precedentes para os gramados. Entre as 48 equipes que disputam o título, um idioma se destaca pela presença massiva e abrangência geográfica. O inglês lidera o ranking das línguas mais faladas na Copa do Mundo, sendo o idioma oficial ou majoritário de nove nações classificadas. Leia em TVT News.
Inglês é a língua mais falada na Copa do Mundo 2026; confira ranking e curiosidades
A equipe da TVT News mergulhou nos dados e na história para entender o impacto do inglês não apenas no esporte, mas na formação cultural, literária e musical dos países que entrarão em campo.
Mais do que uma ferramenta de comunicação, o inglês carrega consigo séculos de expansão geopolítica, transformações sociais e uma vasta produção artística que moldou o mundo moderno.
Quais países falam inglês na Copa do Mundo
A lista das nove nações que trazem o idioma inglês como língua oficial, cooficial ou principal meio de comunicação demonstra a capilaridade global dessa língua e a história da colonização e do imperialismo
Na Copa do Mundo da FIFA 2026, serão 9 países distribuídos por cinco continentes diferentes:
- Inglaterra: o berço do idioma e do próprio futebol moderno. O inglês é a língua nativa de toda a nação britânica.
- Estados Unidos: um dos países-sede da competição. Embora não tenha um idioma oficial definido na Constituição em nível federal, o inglês é a língua nacional na prática, falada pela imensa maioria da população e usada em todos os trâmites governamentais.
- Canadá: outro país-sede do mundial. A nação é bilíngue, tendo o inglês e o francês como idiomas oficiais. O inglês é o mais falado de costa a costa.
- Austrália: representante da Oceania (embora dispute as eliminatórias pela Ásia), tem o inglês como língua nacional, apresentando um sotaque e vocabulário com características próprias.
- Nova Zelândia: o inglês é um dos idiomas oficiais do país, dividindo espaço com a língua nativa Maori e a Língua de Sinais Neozelandesa.
- Escócia: o país faz parte do Reino Unido e possui o inglês como língua principal, ao lado do Scots e do Gaélico Escocês.
- África do Sul: A nação africana tem 11 línguas oficiais, mas o inglês atua como a principal língua franca para a comunicação governamental, midiática e de negócios.
- Gana: Ex-colônia britânica na África Ocidental, Gana adota o inglês como língua oficial para unificar um país que possui dezenas de línguas e dialetos regionais, como o Twi e o Fante.
- Curaçao: O país caribenho tem uma rica mistura linguística. O Papiamento e o Holandês são muito fortes, mas o inglês também é uma língua oficial, amplamente falada pela população devido ao turismo e à localização geográfica estratégica.
Qual a origem do inglês?
Para entender o domínio atual, é preciso voltar mais de 1.500 anos no tempo. O inglês tem raízes na família de línguas indo-europeias e pertence ao braço germânico. A sua formação começou no século V, quando tribos germânicas — os anglos, os saxões e os jutos — cruzaram o Mar do Norte, saindo de regiões que hoje pertencem à Alemanha e Dinamarca, para invadir a Grã-Bretanha.
O idioma falado por esses povos se fundiu e deu origem ao que os linguistas chamam de “Inglês Antigo” (Old English). Durante séculos, o idioma sofreu diversas alterações. Em 1066, com a Conquista Normanda, a Inglaterra foi dominada por falantes de francês. Esse evento injetou milhares de palavras de origem latina e francesa no vocabulário bretão, criando o “Inglês Médio” (Middle English).
A partir do século XV, com a invenção da prensa de Gutenberg e a popularização da leitura, o idioma começou a se padronizar. As obras de William Shakespeare e a tradução da Bíblia pelo Rei James ajudaram a fixar as regras e a fonética do que hoje conhecemos como Inglês Moderno.
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Colonialismo, neocolonialismo e imperialismo espalharam o inglês pelo mundo
A presença de nove seleções que falam inglês nesta Copa do Mundo não é obra do acaso. É o reflexo direto de processos históricos complexos de expansão e poder. Entre os séculos XVII e XX, o Império Britânico se tornou a maior potência global. A célebre frase “o sol nunca se põe no Império Britânico” ilustra bem como a coroa inglesa estabeleceu colônias, protetorados e domínios na América do Norte, África, Ásia e Oceania.
O colonialismo impôs a língua inglesa a populações nativas por meio da força, da administração pública e do sistema educacional. Países como Austrália, Nova Zelândia, Canadá, África do Sul e Gana herdaram o idioma como resultado direto dessa administração imperialista.

Após a Segunda Guerra Mundial, o Império Britânico encolheu, mas o bastão da influência global foi repassado para outra nação anglófona: os Estados Unidos. Com um forte poderio econômico, militar e diplomático, os EUA iniciaram uma era de neocolonialismo cultural.
A exportação massiva de filmes de Hollywood, redes de televisão, software de computadores e, posteriormente, a internet, consolidaram o inglês como a principal “língua franca” do planeta. Hoje, o idioma é requisito básico para os negócios internacionais, ciência, aviação e relações diplomáticas.

Curiosidades sobre a língua inglesa
- A língua das segundas intenções: O inglês tem cerca de 400 milhões de falantes nativos, mas o número de pessoas que falam o idioma como segunda língua ultrapassa a marca de 1 bilhão.
- O alfabeto inteiro em uma frase: O inglês possui frases famosas chamadas “pangramas”, que utilizam todas as 26 letras do alfabeto. A mais conhecida é: “The quick brown fox jumps over the lazy dog“.
- Ausência de uma Academia: Diferente do português (que tem a Academia Brasileira de Letras) ou do francês (Académie Française), o inglês não possui um órgão oficial que dite as regras do idioma. Os dicionários, como Oxford e Merriam-Webster, atuam apenas registrando como as pessoas estão usando a língua no dia a dia.
- Vocabulário em expansão: Estima-se que uma nova palavra seja adicionada ao idioma inglês a cada duas horas.
Quais os principais nomes da literatura inglesa dos 9 países que estão na Copa
A produção literária dessas nove nações é vasta e profundamente influente. Na Inglaterra, encontramos os alicerces, com William Shakespeare, autor de peças atemporais como Hamlet e Romeu e Julieta, além de romancistas de peso como Jane Austen e Charles Dickens.
Os Estados Unidos trouxeram novas perspectivas e estilos diretos com Mark Twain, Ernest Hemingway, Edgar Allan Poe e Toni Morrison, que retrataram a complexidade social e os conflitos do povo americano.
O Canadá exporta para o mundo a literatura distópica e reflexiva de Margaret Atwood, famosa por O Conto da Aia. Na África do Sul, J.M. Coetzee e Nadine Gordimer usaram a literatura anglófona para denunciar as atrocidades do regime do Apartheid.

A Austrália tem as histórias de Patrick White e a Nova Zelândia projetou os contos sensíveis de Katherine Mansfield. Gana possui a voz potente de Ama Ata Aidoo, que discute as tensões entre o passado africano e a influência ocidental. A Escócia, por sua vez, presenteou o mundo com Sir Arthur Conan Doyle, o criador do detetive Sherlock Holmes.
Quais os principais nomes da música em inglês dos 9 países que estão na Copa
A cultura pop global é fortemente dominada pelas paradas de sucesso cantadas em inglês, e os países que disputam o mundial têm grande responsabilidade nisso.
A Inglaterra foi palco da “Invasão Britânica” na década de 1960 com The Beatles e The Rolling Stones, e seguiu produzindo fenômenos como Queen, Elton John, David Bowie, e, mais recentemente, Adele e Dua Lipa.
Os Estados Unidos revolucionaram a música mundial ao longo do século XX, criando gêneros inteiros. O país nos deu Elvis Presley (o Rei do Rock), Michael Jackson (o Rei do Pop), Madonna, além do surgimento do hip-hop, do jazz e do blues, com ícones como Beyoncé, Taylor Swift e Kendrick Lamar dominando as paradas na atualidade.

O Canadá tem uma forte cena de exportação musical, revelando estrelas globais como Celine Dion, Shania Twain, Drake, Justin Bieber e The Weeknd. A Austrália contribuiu com o rock pesado do AC/DC e o pop eletrônico de Kylie Minogue.
A Nova Zelândia estourou no cenário internacional com a cantora Lorde. A África do Sul revela novos talentos em gêneros emergentes, com a cantora Tyla ganhando destaque mundial recentemente, misturando pop com ritmos locais.
Dos 9 países que falam inglês na Copa do Mundo, quem já conquistou o Prêmio Nobel de Literatura?
O Prêmio Nobel de Literatura, a mais alta honraria literária mundial, já foi entregue dezenas de vezes a escritores dessas nove nações classificadas, evidenciando o poder narrativo do idioma inglês.
Os Estados Unidos somam mais de dez ganhadores, incluindo lendas como William Faulkner, John Steinbeck e Toni Morrison. A Inglaterra (e o Reino Unido de forma geral) acumula um grande número de laureados, como Winston Churchill (premiado por seus discursos e textos históricos), Doris Lessing e Harold Pinter.
A Austrália foi representada no pódio por Patrick White, em 1973. A África do Sul conquistou a Academia Sueca duas vezes, com Nadine Gordimer em 1991 e J.M. Coetzee em 2003. O Canadá teve seu momento de consagração em 2013, com Alice Munro, a grande mestra dos contos curtos.

Bob Dylan, famoso na música, recebeu prêmio Nobel de Literatura
Um dos momentos mais debatidos da história recente da premiação ocorreu em 2016, quando o norte-americano Bob Dylan, cantor e compositor, recebeu o Nobel de Literatura.
A Academia Sueca justificou a escolha afirmando que Dylan “criou novas expressões poéticas dentro da grande tradição da canção americana”. A entrega do prêmio ao músico nascido nos Estados Unidos esfumaçou as fronteiras entre a literatura tradicional impressa em papel e a poesia cantada.
Nascida na Suiça, a FIFA adota o inglês como um dos idiomas oficiais
Curiosamente, a Federação Internacional de Futebol (FIFA), entidade máxima do esporte, foi fundada em Paris, em 1904, e mantém sua sede na cidade de Zurique, na Suíça. Historicamente, suas raízes estão profundamente ligadas ao francês e ao alemão. No entanto, a globalização do esporte forçou a entidade a adaptar suas engrenagens.
Hoje, a FIFA reconhece formalmente diversos idiomas oficiais, mas, na prática operacional, o inglês é a principal língua de trabalho. A comunicação entre árbitros no campo, a operação da sala do Árbitro de Vídeo (VAR), as regras do jogo e a distribuição do sinal de televisão para os quatro cantos do planeta são majoritariamente coordenadas em inglês.

A escolha reflete a praticidade. Em um torneio com seleções como Japão, Brasil, Senegal e Irã, o inglês atua como a ponte neutra para que delegados, jogadores e autoridades consigam interagir. Assim, quando a bola rolar na Copa do Mundo de 2026, as estratégias e as orientações nos gramados serão traduzidas para os torcedores do mundo inteiro por meio do idioma que se espalhou pelos mares e se consolidou como a grande voz do evento.
Línguas mais faladas na Copa do Mundo 2026: espanhol, árabe e inglês lideram
As línguas mais faladas na Copa do Mundo 2026 revelam a diversidade dos 48 países classificados para o torneio que será disputado em junho e julho nos Estados Unidos, México e Canadá.
A lista de seleções reúne idiomas de quatro continentes — do guarani indígena do Paraguai ao uzbeque da Ásia Central — em um mapa linguístico que mostra tanto a diversidade como a marca da história.
A liderança de idiomas de origem europeia, como inglês, francês e espanhol é sinal dos processos de colonização e imperialismo de Espanha, Inglaterra e Portugal (o português está presente em países de 3 continentes na Copa do Mundo). Por outro lado, também mostra a expansão do império árabe, que da península arábica, chegou até o norte da África.
Línguas Mais Faladas na Copa do Mundo 2026
Ranking das línguas mais faladas na Copa do Mundo
Considerando o status de língua oficial ou o idioma majoritário de comunicação de cada nação classificada, este é o ranking dos idiomas mais presentes na Copa do Mundo da FIFA 2026:
| Posição | Idioma | Número de Países | Países Representantes |
| 1º | Inglês | 9 | África do Sul, Canadá, Escócia, Estados Unidos, Austrália, Curaçao, Nova Zelândia, Inglaterra, Gana |
| 2º | Espanhol | 8 | México, Paraguai, Equador, Espanha, Uruguai, Argentina, Colômbia, Panamá |
| 2º | Francês | 8 | Canadá, Suíça, Haiti, Costa do Marfim, Bélgica, França, Senegal, RD Congo |
| 2º | Árabe | 8 | Catar, Marrocos, Tunísia, Egito, Arábia Saudita, Iraque, Argélia, Jordânia |
| 5º | Alemão | 4 | Suíça, Alemanha, Bélgica, Áustria |
| 6º | Holandês | 3 | Curaçao, Holanda, Bélgica |
| 6º | Português | 3 | Brasil, Cabo Verde, Portugal |
| 8º | Croata | 2 | Bósnia, Croácia |
Em países com mais de um idioma oficial, foi considerado o idioma predominante na comunicação nacional.

Quais são os grupos da Copa do Mundo 2026
Grupos da Copa do Mundo da FIFA 2026
- GRUPO A: México, África do Sul, Coreia do Sul e Dinamarca;
- GRUPO B: Canadá, Bósnia, Catar e Suíça;
- GRUPO C: Brasil, Marrocos, Haiti e Escócia;
- GRUPO D: Estados Unidos, Paraguai, Austrália e Turquia;
- GRUPO E: Alemanha, Curaçao, Costa do Marfim e Equador;
- GRUPO F: Holanda, Japão, Suécia e Tunísia;
- GRUPO G: Bélgica, Egito, Irã e Nova Zelândia;
- GRUPO H: Espanha, Cabo Verde, Arábia Saudita e Uruguai;
- GRUPO I: França, Senegal, Iraque e Noruega;

Quais as línguas nacionais dos países da Copa do Mundo 2026
Confira o mapeamento dos 48 países classificados para a Copa do Mundo 2026, separados por grupo, com seus respectivos idiomas oficiais ou majoritários:
- GRUPO A
- México: Espanhol (e 68 línguas indígenas nacionais)
- África do Sul: Inglês, Africâner, Zulu, Xhosa (além de outras 8 línguas oficiais)
- Coreia do Sul: Coreano
- República Tcheca: Tcheco
- GRUPO B
- Canadá: Inglês, Francês
- Bósnia: Bósnio, Croata, Sérvio
- Catar: Árabe
- Suíça: Alemão, Francês, Italiano, Romanche
- GRUPO C
- Brasil: Português
- Marrocos: Árabe, Amazigue (Berbere)
- Haiti: Francês, Crioulo Haitiano
- Escócia: Inglês, Gaélico Escocês, Scots
- GRUPO D
- Estados Unidos: Inglês (idioma nacional na prática)
- Paraguai: Espanhol, Guarani
- Austrália: Inglês
- Turquia: Turco
- GRUPO E
- Alemanha: Alemão
- Curaçao: Holandês, Papiamento, Inglês
- Costa do Marfim: Francês
- Equador: Espanhol (Kichwa e Shuar para relações interculturais)
- GRUPO F
- Holanda: Holandês (Neerlandês)
- Japão: Japonês
- Suécia: Sueco
- Tunísia: Árabe
- GRUPO G
- Bélgica: Holandês, Francês, Alemão
- Egito: Árabe
- Irã: Persa (Farsi)
- Nova Zelândia: Inglês, Maori, Língua de Sinais Neozelandesa
- GRUPO H
- Espanha: Espanhol (além de Catalão, Galego e Basco como co-oficiais regionais)
- Cabo Verde: Português, Crioulo Cabo-Verdiano
- Arábia Saudita: Árabe
- Uruguai: Espanhol
- GRUPO I
- França: Francês
- Senegal: Francês (oficial), Wolof
- Iraque: Árabe, Curdo
- Noruega: Norueguês
- GRUPO J
- Argentina: Espanhol
- Argélia: Árabe, Tamazight
- Áustria: Alemão
- Jordânia: Árabe
- GRUPO K
- Portugal: Português
- RD Congo: Francês (oficial), Lingala, Kikongo, Swahili, Tshiluba
- Uzbequistão: Uzbeque
- Colômbia: Espanhol
- GRUPO L
- Inglaterra: Inglês
- Croácia: Croata
- Gana: Inglês
- Panamá: Espanhol

