Soberania: Brasil nega vistos para servidores dos EUA que queriam monitorar urnas

Um dos barrados pelo Itamaraty é o "diplomata da guerra cultural de Trump contra a Europa" e eles participaram de eventos com políticos que questionaram urnas
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Brasil nega visto para servidores dos EUA que queriam monitorar urnas. Foto: Ricardo Stuckert

O Ministério das Relações Exteriores brasileiro confirmou a negativa do governo de autorizar vistos a dois funcionários norte-americanos: o subsecretário do Departamento de Estado para a Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, Riley Barnes, e o subsecretário adjunto Samuel Samson.

Os vistos foram negados na sexta, dia 24.

Entenda o que levou o Itamaraty a negar vistos dos funcionários dos EUA

O governo brasileiro negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA que planejavam visitar o Brasil para questionar as eleições brasileiras.

  • Negativa de vistos: O Itamaraty barrou a entrada de Samuel D. Samson e Riley M. Barnes, que planejavam visitar Brasília entre 27 e 30 de julho. A decisão ocorreu antes da publicação de reportagem que revelou o verdadeiro objetivo da missão .
  • Motivo da negativa: O governo brasileiro avaliou que o pedido de visto ocorreu em um momento em que o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) questionou as urnas eletrônicas em evento com diplomatas. Havia risco de a visita ser usada para interferir no processo eleitoral .
  • Quem é Samuel Samson: Subsecretário Adjunto de Estado no Gabinete de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL). Defende o “desenvolvimento de políticas para preservar a herança civilizacional ocidental da América” e a agenda “América em Primeiro Lugar” .
  • Articulação com extrema-direita europeia: Samson viajou pela Europa para cultivar laços com partidos de extrema-direita, incluindo reunião secreta com Nigel Farage (Reform UK), encontro com o partido alemão AfD e tentativa de defender Marine Le Pen na França .
  • Atuação na França: Tentou convencer uma comissão de Direitos Humanos de que Marine Le Pen foi injustamente condenada por desvio de recursos. A diretora da comissão classificou a conversa como “circular” e afirmou que parecia “uma busca por desinformação” .
  • Críticas à regulação europeia: Em visita à ONG Repórteres Sem Fronteira, Samson criticou a legislação europeia sobre big techs e afirmou que a França “gradualmente se tornava a Coreia do Norte” .
  • Atuação na Hungria: Em dezembro, passou por Áustria, Eslováquia e Hungria (então governada por Viktor Orbán), afirmando em discurso que “essa não é uma Europa de liberdade de expressão e autogoverno” .
  • Quem é Riley Barnes: Subsecretário para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho. Também atua como Embaixador para a Liberdade Religiosa Internacional e Coordenador Especial de Assuntos Tibetanos

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“Tentativas de impor amarras ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, não se sustentam. Nunca antes um secretário de Estado norte-americano havia qualificado o Brasil como um país não-amigo. Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras”, disse o presidente Lula em artigo publiado no Post. Foto: José Cruz / Agência Brasil

Samuel Samson, barrado pelo Itamaraty, é descrito como o diplomata que comanda a aproximação de Trump com a extrema-direita europeia

O governo brasileiro tomou conhecimento do interesse do Departamento de Estado norte-americano de enviar dois funcionários para o Brasil. Eles queriam conversar com autoridades eleitorais para discutir liberdade de expressão relacionada às eleições de outubro. 

Chamou a atenção das autoridades brasileiras que o pedido de visto veio na sequência de evento em que políticos brasileiros se reuniram com diplomatas para levantar suspeitas sobre as urnas eletrônicas. O governo considerou como instrumentalização política a visita nesse contexto eleitoral e decidiu negar os vistos. 

O questionamento às urnas eletrônicas voltou a ganhar destaque após o pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), divulgar informação falsa sobre as urnas brasileiras.

Ele afirmou nessa segunda-feira (21), durante o evento com diplomatas em Brasília, que os equipamentos brasileiros seriam da empresa venezuelana Smartmatic – sem apresentar provas.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou, nesta quarta-feira (22), a informação de que a empresa venezuelana Smartmatic forneceu urnas eletrônicas ou softwares utilizados nos equipamentos eleitorais do Brasil. Segundo o tribunal, as urnas brasileiras foram projetadas por servidores e técnicos a serviço da Justiça Eleitoral

Além disso, elas são produzidas sob “direta coordenação” dos servidores do TSE por empresas selecionadas por licitações públicas com ampla concorrência, “o que garante ainda mais segurança e transparência ao processo eleitoral”.

Itamaraty nega vistos a diplomatas de Trump ligados a “guerra cultural” contra a Europa

O Itamaraty negou a entrada de dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos que viriam ao Brasil com a justificativa oficial de discutir liberdade de expressão. O governo brasileiro avaliou que a visita, em pleno período pré-eleitoral, poderia ser usada para questionar a integridade do sistema eleitoral .

Samuel Samson, de 27 anos, é apontado pelo jornal The New York Times como responsável por uma “guerra cultural” de Trump contra a Europa, com atuação junto a partidos de extrema-direita no continente 

A decisão foi tomada porque a viagem ocorreria em período pré-eleitoral, após o candidato Flávio Bolsonaro levantar questionamentos sobre as urnas eletrônicas. O Itamaraty avaliou que a visita poderia ser instrumentalizada para interferir no processo eleitoral brasileiro.

Diplomatas de Trump que viriam ao Brasil têm histórico de defesa da extrema-direita e interferência em eleições

Samuel Samson, um dos barrados, é um diplomata de 27 anos que tem atuado como ponte entre o governo Trump e partidos de extrema-direita na Europa, cultivando laços com figuras como Nigel Farage (Reino Unido) e Marine Le Pen (França), além do partido alemão AfD. Sua biografia oficial defende a herança civilizacional ocidental e a agenda “América em Primeiro Lugar”

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