Jessy Dayane defende reforma agrária e critica privatizações em entrevista na TVT

Em entrevista no Jornal TVT 2ª edição, Jessy Dayane (PT), pré-candidata a deputada estadual por São Paulo, defende a reforma agrária e critica privatizações
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Em entrevista a Don Ernesto no Jornal TVT 2ª edição, a pré-candidata a deputada estadual pelo PT SP Jessy Dayane defende reforma agrária e fala da importância da disputa ideológica. Foto: Reprodução

Em entrevista a Don Ernesto no Jornal TVT 2ª edição, a pré-candidata a deputada estadual por São Paulo Jessy Dayane (PT) falou sobre os desafios do estado e apresentou as principais bandeiras que pretende levar para a Assembleia Legislativa. Leia mais na TVT News.

Durante a conversa, ela criticou as privatizações promovidas pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu a reforma agrária como instrumento de combate à fome e de desenvolvimento nacional, comentou a mobilização em torno do fim da escala 6×1 e da taxação dos super-ricos e destacou a importância do processo eleitoral para discutir projetos de país.

Veja o Jornal TVT News 2ª edição na íntegra:

Privatizações prejudicam a população paulista

Jessy afirmou que a experiência recente de privatizações em São Paulo demonstra que a transferência de serviços públicos para a iniciativa privada não trouxe melhorias para a população. Como exemplo, ela citou os problemas registrados na concessão das linhas da CPTM e as reclamações envolvendo a Sabesp após a privatização da companhia.

“A história está provando que as privatizações não beneficiam o povo. Elas beneficiam os amigos do governador Tarcísio, os empresários e quem busca lucro, enquanto a população fica com serviços piores e até corre risco de vida, como vimos com a explosão nas linhas privatizadas da CPTM. A mesma coisa acontece com a Sabesp: contas mais caras, água barrenta e acidentes. O governador está vendendo o Estado e tratando serviços essenciais como mercadoria. Quem acorda cedo para pegar metrô e trem é justamente o trabalhador da escala 6×1, que já passa horas no transporte, trabalha o dia inteiro e ainda volta para casa enfrentando um serviço caro, precário e inseguro. Nem tudo pode ser tratado como lucro. O Estado precisa garantir dignidade e qualidade de vida para quem depende dos serviços públicos.”

Reforma agrária, combate à fome e desenvolvimento nacional

A pré-candidata defendeu a reforma agrária como uma política estruturante para reduzir a desigualdade, ampliar a produção de alimentos saudáveis e fortalecer a soberania nacional. Segundo Jessy, o Brasil reúne condições para eliminar a fome, mas enfrenta obstáculos ligados ao modelo econômico e à concentração fundiária.

“A reforma agrária é muito mais do que distribuir terra. Ela é um projeto de desenvolvimento para o Brasil, porque garante produção de alimentos, soberania alimentar e justiça social. Nós temos terra, temos trabalhadores dispostos a produzir e temos um país rico, mas ainda convivemos com pessoas passando fome, inclusive em São Paulo. Isso é inadmissível. O segundo ano consecutivo fora do Mapa da Fome mostra que o governo Lula está reconstruindo políticas públicas importantes, mas precisamos avançar muito mais. A reforma agrária também é uma reparação histórica à população negra, que foi excluída do acesso à terra após a abolição. Além disso, ela fortalece a agricultura familiar, a agroecologia e a produção de alimentos sem veneno, garantindo comida de verdade para quem vive no campo e para quem mora nas cidades.”

Plebiscito fortaleceu pautas como o fim da escala 6×1

Jessy atribuiu o fortalecimento do debate sobre o fim da escala 6×1 e a taxação dos super-ricos à mobilização organizada por movimentos populares em todo o país. Para ela, o envolvimento da sociedade criou as condições para que essas propostas ganhassem espaço na agenda política nacional.

“A eleição não acontece apenas em outubro. Todo esse período é um momento de debate sobre os problemas do Brasil e sobre qual projeto de país queremos construir. O plebiscito popular foi fundamental para colocar em pauta o fim da escala 6×1 e a taxação dos super-ricos. Os movimentos sociais, sindicatos, juventudes, o MST, o MTST, a TVT e tantas outras organizações foram às ruas, às portas dos metrôs e às casas conversar com a população. Esse processo ajudou a convencer a sociedade da importância dessas propostas e deu força para que o presidente Lula assumisse essa agenda. Quando o povo participa da discussão política, conseguimos disputar ideias e construir maioria em torno de mudanças que beneficiam a classe trabalhadora.”

Agroecologia e justiça social como projeto para o país

Ao defender um novo modelo de desenvolvimento, Jessy afirmou que o fortalecimento da agricultura familiar e da agroecologia deve caminhar junto com políticas de combate às desigualdades e valorização do trabalho. Ela também criticou a prioridade dada à exportação de commodities em detrimento da produção de alimentos para o mercado interno.

“Nós defendemos a agroecologia porque ela representa alimento saudável, relações de trabalho dignas e respeito ao meio ambiente. Hoje é um absurdo que um alimento ultraprocessado custe menos do que um pé de alface. Isso é consequência de um modelo que prioriza a exportação de commodities e não a produção de alimentos para alimentar o próprio povo brasileiro. O MST já demonstra, em seus assentamentos, que é possível produzir comida de qualidade e organizar o trabalho de outra forma. O que defendemos é transformar essa experiência em política de Estado. O Brasil não pode aceitar que exista insegurança alimentar em um país que tem tanta terra fértil, tanta capacidade produtiva e tantas pessoas querendo trabalhar. O desenvolvimento nacional precisa significar distribuição de riqueza, justiça social e garantia de direitos para toda a população.”

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