O histórico julgamento promovido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que tornou o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete pessoas réus por crimes como tentativa de golpe de Estado, atentado à democracia e associação criminosa, chamou a atenção da imprensa internacional. O caso repercute globalmente, com cobertura destacada em jornais de prestígio na Europa, América do Norte e América Latina. Confira mais em TVT News.
O britânico The Guardian publicou a manchete: “Suprema Corte brasileira decide que Bolsonaro deve enfrentar julgamento por tentativa de golpe”. A reportagem contextualiza os ataques aos prédios dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, comparando-os à invasão do Capitólio dos EUA em 6 de janeiro de 2021. Segundo o jornal, esses episódios foram parte de uma tentativa desesperada de Bolsonaro para retornar ao poder contra a vontade pública, criando instabilidade que justificasse uma intervenção militar.
O veículo também destacou trechos do voto do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, ilustrado por imagens do ataque bolsonarista: “Foi uma verdadeira batalha campal… Foi uma tentativa de golpe de Estado extraordinariamente violenta”.

Nos Estados Unidos, o New York Times trouxe como destaque: “Jair Bolsonaro vai enfrentar julgamento no Brasil por tentativa de golpe”. O periódico ressaltou que o Tribunal Superior do Brasil decidiu processar o ex-presidente por seu papel em uma vasta conspiração para permanecer no poder após sua derrota eleitoral em 2022. O jornal ainda citou declarações de Bolsonaro após a decisão do STF, em que ele afirmou que a corte age por motivações políticas, numa tentativa de calar a oposição.

O espanhol El País destacou o plano para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, intitulado “punhal verde-amarelo”, conforme denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR): “Ex-presidente Jair Bolsonaro será julgado por liderar uma tentativa de golpe contra Lula no Brasil”. O jornal enfatizou que a decisão do STF foi unânime ao aceitar as acusações contra a extrema-direita por conspirar para permanecer no poder e impedir a posse do líder da esquerda brasileira.

Na Argentina, o Clarin , principal jornal do país, destacou as reações de Bolsonaro após a decisão judicial: “Querem me impedir de estar livre nas eleições porque sabem que, numa disputa justa, não há candidato capaz de me derrotar”, declarou o ex-presidente. O veículo ressaltou o impacto político do caso tanto no Brasil quanto na região.

O francês Le Monde também abordou o assunto em sua seção internacional: “Os magistrados consideraram que havia provas suficientes para abrir um julgamento. Bolsonaro é acusado de ter assumido a chefia de uma ‘organização criminosa’ que pretendia mantê-lo no poder após perder as eleições presidenciais de 2022.” O jornal destacou a gravidade das acusações e a possibilidade de aplicação de penas severas.

Em Portugal, o Público focou na narrativa de Bolsonaro de perseguição política: “Juízes do STF validaram as acusações do Ministério Público sobre o envolvimento do ex-presidente num plano para impedir a tomada de posse de Lula. Bolsonaro diz ser vítima de perseguição.”
O alemão Deutsche Welle detalhou os elementos apresentados na denúncia da PGR e o perfil dos acusados: “Além dos crimes de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, Bolsonaro e seus ex-auxiliares são acusados de integrar uma organização criminosa armada, dano qualificado pelo emprego de violência e grave ameaça contra o patrimônio público, e deterioração de patrimônio tombado. Somadas, as penas podem ultrapassar 40 anos de prisão.” O veículo ainda destacou o conhecimento prévio de Bolsonaro sobre o plano “punhal verde-amarelo”, que previa o assassinato de Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro do STF Alexandre de Moraes, além da “minuta do golpe”, um rascunho de decreto para prender ministros do STF e convocar novas eleições.

Réus e processo criminal
Além de Bolsonaro, tornaram-se réus sete aliados e ex-assessores, incluindo os ex-ministros Braga Netto e Anderson Torres. Todos responderão a um processo criminal que pode resultar na condenação e prisão dos envolvidos no golpe de 8 de janeiro, em um dos momentos mais tensos da história recente do Brasil. O caso marca um marco na defesa da democracia e no combate a ameaças institucionais no país.