Lula: BRICS seguirá sendo motor de mudanças para o mundo

Segundo o presidente, "recurso ao unilateralismo solapa a ordem internacional"
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"Negociar com base na lei do mais forte é atalho para a guerra", disse Lula. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (26) que o BRICS seguirá com importância crescente no cenário geopolítico mundial. É a primeira vez que o BRICS se reúne no Brasil em seu formato ampliado, com países-membros e parceiros.

“Estou convicto de que o BRICS seguirá sendo um motor de mudanças positivas para nossas nações e para o mundo”, afirmou Lula na abertura da Primeira Reunião de Sherpas da presidência brasileira do BRICS, em Brasília.

Durante o discurso, propôs seis eixos de atuação de atuação do Brasil à frente do Bloco: reforma dos organismos multilateiras, cooperação em Saúde entre os países do Sul Global, aprimoramento do sistema financeiro internacional, combate à crise climática, desafios da inteligência artificial (IA) e, por fim, o amadurecimento do BRICS.

Também reforçou que a liderança do Brasil neste ano vai ressaltar o espaço para o diálogo na busca de soluções e propostas, com ênfase no multilateralismo. “A presidência brasileira vai reforçar a vocação do bloco como espaço de diversidade e diálogo em prol de um mundo multipolar e de relações menos assimétricas. Esses objetivos guiarão o nosso trabalho ao longo deste ano”, adiantou.

Frisou que “o recurso ao unilateralismo solapa a ordem internacional” e que “negociar com base na lei do mais forte é um atalho perigoso para a instabilidade e para a guerra”. Nesse sentido, fez um apelo pelo engajamento no multilateralismo, como forma de buscar a resolução de impasses e conflitos entre os países.

Ao destacar a importância e responsabilidade histórica do bloco neste momento, Lula lembrou a chegada da Indonésia como mais recente membro pleno do grupo e afirmou que esta é a primeira vez que o bloco se reúne no Brasil em seu novo formato.

Lula também defendeu a importância de órgãos globais como a Organização Mundial de Saúde (OMS), vinculada às Nações Unidas. O brasileiro não citou nominalmente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que anunciou a saída da organização no mês passado, como uma das primeiras medidas do seu novo governo.

Ao tratar das finanças internacionais, Lula destacou a atuação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) – conhecido como “Banco do BRICS”, como desenhado para ser “bem-sucedido” onde onde as instituições de Bretton Woods – FMI e Banco Mundial – “continua falhando”. Atualmente, o NBD é comandado pela ex-presidenta Dilma Rousseff. E também criticou a “atual escalada protecionista na área de comércio e investimentos”.

Sobre a crise climática, Lula destacou que “a omissão custa caro e não poupará ninguém”. “Pela primeira vez, as temperaturas mundiais excederam o limite crítico de 1,5º graus Celsius acima dos níveis pré-industriais. O planeta acumula recordes de temperaturas e de concentração de gases do efeito estufa”.

Do mesmo modo, defendeu que as tecnologias do campo da Inteligência Artificial não podem se tornar “monopólio de poucos países e poucas empresas”. “Mitigar os riscos e distribuir os benefícios da revolução digital é uma responsabilidade compartilhada”, ressaltou.

Ao final, Lula destacou a ampliação do BRICS como “extremamente positiva”, mas destacou “desafios” de coordenação, na busca por mais agilidade e eficiência. “Não basta reunir líderes todos os anos se não somos capazes de escutar os anseios dos cidadãos”.

Sherpas

Enviados dos chefes de estado/governo dos integrantes do BRICS, os sherpas têm a responsabilidade de conduzir as discussões que vão culminar na Cúpula de Líderes, agendada para 6 e 7 de julho, no Rio de Janeiro. Além dos representantes de países-membros do BRICS (Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã), o encontro na capital brasileira contou com a presença de embaixadores de países parceiros do bloco, casos de Belarus, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda e Uzbequistão.

Com Agência Gov

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