Lula defende fim da escala 6×1 e diz que Brasil precisa mudar jornada de trabalho

Em entrevista ao UOL News, presidente afirma que avanços tecnológicos permitem mais tempo livre, critica visão do mercado e sustenta políticas sociais como investimento, e nao gasto
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Mulheres e jovens reivindicam mais tempo para estudar, cuidar da família e viver, frisou. Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu publicamente o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada no Brasil, ao afirmar que o país precisa atualizar suas relações de trabalho diante dos avanços tecnológicos e das demandas da juventude e das mulheres por mais qualidade de vida. A declaração foi feita em entrevista ao vivo ao UOL News 1ª Edição, concedida à colunista Daniela Lima, diretamente de Brasília. Saiba mais em TVT News.

Segundo Lula, não faz mais sentido exigir que trabalhadores mantenham a mesma carga horária de décadas atrás. “Com os avanços tecnológicos que o Brasil teve, acha que é necessário as pessoas trabalharem a mesma jornada que trabalhavam há 40 anos atrás?”, questionou. O presidente afirmou que a juventude “não quer mais se levantar cinco horas da manhã e ficar até seis da tarde dentro de uma fábrica” e que mulheres e jovens reivindicam mais tempo para estudar, cuidar da família e viver.

Lula destacou que a discussão sobre o fim da escala 6×1 não é uma decisão isolada do governo, mas um debate que precisa envolver o Congresso Nacional, o empresariado e os trabalhadores. “Está na hora da gente fazer uma mudança na jornada de trabalho desse país para que o povo tenha mais tempo de estudar, de pensar”, afirmou. Para ele, o aumento da produtividade decorrente da tecnologia permite reorganizar o trabalho sem prejuízo à economia.

Durante a entrevista, o presidente também rebateu críticas de setores empresariais e do mercado financeiro, afirmando que não governa em função de apoio político ou eleitoral. “Eu não trabalho apenas pensando no apoio. A minha cabeça não funciona assim”, disse. Lula lembrou decisões tomadas em mandatos anteriores, como o aumento do superávit primário, mesmo diante de desgaste político, para sustentar que suas escolhas priorizam o país e não interesses imediatos.

Lula comemora isenção do Imposto de Renda

Ao tratar da política econômica e social, Lula defendeu medidas como a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, aprovada no Congresso, e programas de transferência e subsídio. Segundo ele, é a primeira vez na história do país que trabalhadores nessa faixa salarial deixam de pagar imposto. “Uma professora que ganha R$ 5 mil vai ter um ganho de R$ 800 por ano. É como um 14º salário”, exemplificou. O presidente ressaltou que a medida será financiada pelos mais ricos: “110 mil pessoas mais ricas do Brasil”.

Lula também criticou a lógica que classifica políticas sociais como gasto excessivo. Para ele, iniciativas como o aumento real do salário mínimo, o programa Gás do Povo e investimentos em saúde e educação são investimentos diretos na vida da população. “Tudo que a gente faz para cuidar da vida do povo mais humilde, eles acham que é gasto”, afirmou, em referência ao sistema financeiro. “Quando você dá aumento de salário, você está investindo na pessoa.”

Na avaliação do presidente, os indicadores econômicos positivos ainda não se converteram em apoio eleitoral porque o país passou os primeiros anos reconstruindo estruturas desmontadas. Ele afirmou que 2025 marca o início da “colheita” dos resultados. Lula citou a retomada de obras paralisadas, a expansão dos institutos federais, investimentos em hospitais universitários e a ampliação do acesso a tecnologias avançadas de diagnóstico e tratamento no SUS.

Ao encerrar, Lula voltou a defender um projeto de desenvolvimento que combine crescimento econômico, justiça social e valorização do trabalho. “Esse país precisa pensar na melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro”, disse. Para o presidente, discutir a redução da jornada e o fim da escala 6×1 é parte central desse caminho, ao lado da defesa da democracia e da soberania nacional.

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