Na noite desta segunda (21) foi ao ar mais um episódio do podcast brasileiro de política, o Calma Urgente, e, dessa vez, com participação especial do presidente Lula. A equipe do Calma está em Barcelona, onde Lula cumpria agenda antes da visita a Alemanha. Leia em TVT News.
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O Calma Urgente é um podcast brasileiro de política nacional, internaconal e atualidades. Geralmente, o programa é apresentado por Alessandra Orofino, Bruno Torturra e Gregorio Duvivier, mas nessa edição de Barcelona Miguel Lago está como apresentador convidado no lugar de Duvivier.
Leia a entrevista na íntegra do Calma Urgente com Lula
Bruno Torturra do Calma Urgente: Um sonho mais baixo da esquerda não teria aberto espaço para uma extrema-direita?
Lula: Pode ser, mas deixa eu te explicar uma coisa, quando foi criado o Fórum Mundial Social, desde aquele encontro de Porto Alegre, a gente cometeu alguns erros. Primeiro, deveria ter sido fixado em Porto Alegre, por uma questão simbólica. Outro dado é o seguinte, o Fórum Social não tinha uma meta, parecia mais um shopping center de produto ideológico, sem nenhuma responsabilidade. Era preciso ter uma sequência, ele deveria determinar meta para ele mesmo (…).
Eu ainda acredito e brigo todo dia para manter a tese de que outro mundo ainda é possível. Uma coisa é quando você governa com um horizonte sabendo o que você pode fazer na prática, porque governar é uma correlação de forças que te permite governar. Voicê tem que levar em conta um poder judiciario, o congresso nacional, a organização da sociedade para ir construindo as coisas. Se você analisar o que aconteceu com o Brasil nesses três anos que estou no poder, você pode dizer, do ponto de vista de conquistas, foi muito mais do que no meu primeiro e segundo mandato de 2010.
A diferença é que naquele tempo era a primeir vez, agora nós tivemos que reconquistar para fazer a mesma coisa porque eles tinham destruido o que nós fizemos. Quando nós voltamos nós tivemos que reconstruir Ministério do Trabalho, dos Direitos Humanos, da Mulher (…) Temer e Bolsonaro acabaram com isso. Eu dou sempre um exemplo, quando eu cheguei em 2023 o Ibama tinha 700 funcionários a menos do que eu deixei em 2010. E nós fizemos uma coisa, nós aumentamos o número de ministérios sem aumentar o número de funcionários que foi o jeito que nós encontramos para o Congresso aprovar. Depois disso, nós começamos a trabalhar, como a gente já tinh experiência de algumas coisas que nós já tínhamos feito no primeiro mandato, ficou mais fácil a gente reconstruir.
Hoje, nós temos menor inflação acumulada em 4 anos da história do nosso país. Hoje, nós temos a maior massa salarial no Brasil e o menos desemprego. Isso tudo ainda é pouco diante da necessidade do povo, eu sei que o povo precisa de mais. A nossa tarefa é dizer para o povo que a única forma de avançar é não deixar que destruam novamente o que a gente construiu, porque se destruir, vamos ter que reconstruir tudo isso outra vez. Esse é um dos problemas do Brasil, que não se tem continuidade nas políticas públicas. Tem 7 mil casa do Minha Casa Minha Vida que começou no governo da Dilma que tava paralisada (…).
Eu não faria política se eu não acreditasse que outro mundo é possível.
Qual motivo você acha então que imaginário de um novo mundo está na extrema-direita hoje?
Lula: O que está na mão da extrema-direita é um outro mundo destrutivo, ou seja, o que eles querem é destruir. Veja o que está aocntecendo em todos os países que eles ganharam as eleições. Veja nos Estados Unidos. O que está faltando para nós é fazer o debate que deve ser feito. Nós nas redes digitais estamos aquém deles, eles se prepararam muito mais, eles montaram umaa máquina de contra mentira, que é muito mais fácil. (…) Então a gente tem que fazer esse debate político publicamnete, ao mesmo tempo a gente tem que trabalhar em uma perspectiva em que a verdade se sobrepõe a mentira.
Alessandra Orofino do Calma Urgente: O senhor tem feito declarações duras sobre as Big-Techs, e o Brasil tem tentado avançar no sentido de regulalá-las melhor e isso tem gerado inclusive uma série de ameaças por parte da admnistração do Trump (…). Você acha que o Trump estava blefando?
Lula: Acho que nós temos que avaliar as possibilidades da gente fazer a reforma necessária ou a reforma que você pode fazer, porque para fazer a reforma é necessário mandar um projeto de lei para o Congresso Nacional. No primeiro ano do meu mandato tinha um PL e o Orlando Silva era relator e isso não andou, porque se tiver uma maioria que é contra isso não anda no Congresso. (…)
Mas vejas qye interessante, a Eca digital foi uma revolução, é uma coisa que os mais otimistas jamais iaginaram que poderíamos fazer. Houve uma coisa que foi muito interessante que foi a criatividade da sociedade civil (…). A gente estava na China conversando com o Xi Jinping quando a Jana levantou o tema sobre o Tik Tok e a violênia contra meninas e foi muito criticada, pois achavam que ela não deveria ter dito isso para o Xi Jinping. Depois um companheiro falou e teve uma repercussão e a sociedade se juntou, o próprio congresso se uniu e votou uma PEC extraordinária.
O que nós temos que ocnvencer a sociedade é que a regulação você não está proibindo as pessoas de falarem, não tem nada a ver com liberdade de expressão. O que você não pode é permitir que seja liberado na rede digital que você cometa um crime que não pode cometer na vida real. Um crime na rede digital é tão crime quanto um crime cometido na vida real. Então o que nós queremos é que as pessoas tenham responsabilidade. A plataforma tem que ter responsabilidade, ela não pode colocar qualquer conteúdo que ela quiser, ela não pode colocar conteúdo incentivando a violência contra a mulher, a violência entre os jovens, não pode. Se a gente quiser criar uma sociedade mais humana, mais fraterna, mais justa, a gente não pode deixar isso acontecer. (…)
É até prudente que as mães parem de colocar as fotinhos de seus filhinhos bonitinhos nas telas dos celular. Porque os bandidos pegam aquela fotografia e fazem o que quiser com ela. Então é no sentido de proteção. Que mundo a gente quer criar? Então eu quero regular, acho que nós temos que regular e vamos regular da forma possível (…). As pessoas têm que assumir responsabilidade igual na vida real, ou seja, não pode ter promiscuidade. Você não pode permitir a divulgação de mentira, porque você pode quebrar uma empresa, um sistema financeiro (…).
A gente não quer ter o controle, a gente quer ter regulação das redes digitais. A sociedade civil precisa estar satisfeita com as redes…
Bruno Torturra do Calma Urgente: Tem a questão do que pode ser dito e do uso criminal [das redes], mas tem o fato de que elas são gigantescas e tem uma força maior do que uma força de Estado. E aí você não acha que esse é um desafio político de outra ordem, que não se trata apenas de regulá-las…
Lula: Eu acabei de dizeer agora num encontro com um chefe de Estado que
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