Para 4° mandato, Lula projeta salto estrutural na economia

"Meu quarto mandato é para fazer esse país dar um salto definitivo e se transformar em um país desenvolvido”, diz Lula
lula-projeta-salto-estrutural-e-defende-retomada-do-protagonismo-do-estado-na-economia-brasil-voltou-a-ser-levado-a-serio-no-mundo-ressaltou-foto-ricardo-stuckert-pr-tvt-news
"Brasil voltou a ser levado a sério no mundo", ressaltou. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que um eventual quarto mandato teria como principal objetivo promover um salto estrutural no Brasil, com a consolidação de um modelo de desenvolvimento baseado em crescimento econômico, inclusão social e fortalecimento do papel do Estado. Saiba mais na TVT News.

Lula projeta novo ciclo de desenvolvimento e defende papel do Estado na economia

Em entrevista à TV 247, em parceria com a Revista Fórum e o DCM, nesta terça-feira (14), Lula destacou resultados recentes de seu governo e defendeu mudanças na condução da política econômica.

“Eu jamais concorreria a um mandato para fazer as coisas darem errado. Meu quarto mandato é para fazer esse país dar um salto definitivo e se transformar em um país desenvolvido”, declarou o presidente.

Ao relembrar o início de sua trajetória no governo federal, Lula destacou o ambiente de desconfiança que enfrentou em 2003. “Economistas de esquerda diziam que o país estava quebrado, e os de direita diziam que eu não daria conta”, afirmou. Segundo ele, o desempenho alcançado ao longo dos anos demonstra que os resultados econômicos são fruto de decisão política. “A gente não tem sorte, a gente tem compromisso”, disse.

O presidente também enfatizou a retomada do crescimento econômico após seu retorno ao Planalto. “A economia brasileira não crescia acima de 3% desde que eu deixei a Presidência em 2010. Só voltou a crescer acima de 3% quando voltei em 2023”, afirmou, ao destacar indicadores recentes.

>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp

Lula citou ainda avanços no comércio exterior, afirmando que o Brasil ampliou significativamente sua presença internacional. “Abrimos 518 novos mercados em três anos e meio para produtos brasileiros. O Brasil voltou a ser levado a sério no mundo inteiro”, declarou.

Outro ponto destacado foi a recuperação do crédito e o papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que, segundo ele, voltou a bater recordes de financiamento. Para o presidente, o fortalecimento de instituições públicas é fundamental para sustentar o crescimento econômico.

Na área social, Lula fez uma defesa contundente das políticas implementadas em seus governos, destacando o impacto na redução das desigualdades. “Pode me comparar com qualquer presidente da história do Brasil. Duvido que todos eles juntos fizeram 50% da política de inclusão social que nós fizemos”, afirmou.

O presidente também direcionou críticas às privatizações realizadas nos últimos anos, especialmente nos setores de energia e combustíveis. Segundo ele, a venda de ativos estratégicos reduziu a capacidade do Estado de regular preços e proteger a população. “Se a gente tivesse a BR na nossa mão, o não aumento de preço seria controlado por nós”, disse.

Lula classificou como “escândalos” os processos de privatização de empresas como a Eletrobras e a BR Distribuidora, e afirmou que há limitações legais para reverter essas operações no curto prazo. Ainda assim, indicou que o governo busca alternativas para ampliar a presença estatal no setor energético. “Eu ainda sonho que a gente vai criar uma outra Eletrobras, ou algo mais moderno e melhor”, declarou.

Lula, guerra e bets

Ele também destacou medidas adotadas para conter o impacto da alta dos combustíveis, como desonerações e acordos com estados, além de políticas para evitar que oscilações internacionais sejam repassadas integralmente ao consumidor. “Estamos trabalhando para que o preço da guerra não chegue ao feijão, à salada, ao pão”, afirmou.

Outro tema abordado foi o avanço das apostas online no Brasil. Lula criticou o impacto das chamadas “bets” sobre o orçamento das famílias e defendeu uma ação imediata do Estado. “O cassino está dentro da casa das pessoas, no celular, induzindo gastos que não deveriam acontecer”, disse.

O presidente também relacionou o setor a possíveis práticas de lavagem de dinheiro e ao crime organizado, defendendo uma atuação coordenada entre diferentes órgãos do governo, como Ministério da Fazenda, Banco Central e Coaf. “Tem muita lavagem de dinheiro nesse mundo. E se a gente quiser combater o crime organizado, a gente vai ter que atacar todos os flancos”, afirmou.

Além disso, Lula anunciou que o governo prepara novas medidas para enfrentar o endividamento da população, incluindo o aperfeiçoamento de programas de renegociação de dívidas. Segundo ele, o objetivo é aliviar a situação financeira das famílias e estimular o consumo.

Ao final, o presidente reiterou que seu projeto político está centrado na construção de um modelo de desenvolvimento que combine crescimento econômico com justiça social. Para Lula, o Brasil tem condições de dar um salto consistente, desde que haja coordenação entre políticas públicas, investimento estatal e inclusão social.

Segundo ele, esse caminho é essencial para consolidar o país como uma nação desenvolvida e reduzir desigualdades históricas, fortalecendo ao mesmo tempo a soberania nacional e as instituições democráticas.

Assuntos Relacionados