Lula sobre presidenta Simons do Suriname: “símbolo da força das mulheres”

Em encontro com a presidenta do Suriname, Lula destacou avanços no IDH, ações contra o desmatamento e defesa de direitos trabalhistas
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28.05.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante almoço oferecido pelo Presidente da República à Presidente da República do Suriname , Jennifer Simons, no Palácio Itamaraty. Brasília - DF. Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta quinta-feira (28), em Brasília, a presidenta do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons, para uma visita de Estado que consolida meio século de relações diplomáticas entre as duas nações vizinhas. O encontro bilateral resultou na assinatura de 13 acordos de cooperação mútua em áreas estratégicas, englobando infraestrutura, defesa, segurança pública, ciência e tecnologia, desenvolvimento sustentável e políticas sociais de combate à pobreza. Leia em TVT News.

Durante o pronunciamento oficial direcionado à imprensa, o chefe do Executivo brasileiro ressaltou o caráter histórico da representação política da mandatária surinamesa, que lidera o país vizinho após cinquenta anos de sua independência.

A presidenta Simons é símbolo da força das mulheres em nossa região e no mundo”, afirmou Lula, manifestando o entusiasmo do governo brasileiro perante o novo ciclo de crescimento socioeconômico vivido pelo território surinamês.

Políticas públicas de assistência social e combate à fome

Um dos principais eixos da agenda bilateral concentrou-se no compartilhamento de tecnologias governamentais de inclusão social e erradicação da miséria. O presidente brasileiro relembrou o interesse demonstrado pela governante estrangeira durante o primeiro diálogo entre ambos, ocorrido na COP30 em Belém, no Pará, a respeito dos programas de distribuição de renda e segurança alimentar desenvolvidos no Brasil.

Lula ressaltou os recentes indicadores internacionais obtidos pelo país na área social para justificar a importância desse intercâmbio de experiências institucionais.

“Em 2025, o Brasil saiu novamente do Mapa da Fome. Esta semana, a ONU divulgou que o Brasil alcançou o seu maior índice de desenvolvimento humano (IDH) da história. Agora fazemos parte do patamar mais elevado da escala do IDH”, pontuou o presidente.

O petista complementou expressando a disposição do Estado em cooperar com outras administrações regionais: “Por isso, nos enche de orgulho poder compartilhar com outros países as políticas públicas que tiraram milhões de pessoas da fome e da pobreza, ampliaram acesso à saúde, à educação e à habitação, e reduziram a desigualdade social”.

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28.05.2026 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia oficial de chegada da Presidenta da República do Suriname, Jennifer Simons, ao Palácio do Planalto. Brasília – DF.

Foto: Ricardo Stuckert / PR

Como parte da programação oficial da visita de Estado na capital federal, a presidenta Simons realizará visitas técnicas a equipamentos públicos de atendimento à população vulnerável e centros de desenvolvimento tecnológico.

Amanhã, a presidenta Simons conhecerá unidades do programa Minha Casa, Minha Vida e dos nossos Centros de Referência em Assistência Social”, informou Lula, detalhando ainda que a comitiva estrangeira visitará a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para constatar metodologias nacionais passíveis de aplicação na agricultura familiar, sistemas agroflorestais e segurança alimentar do Suriname.

Redução da jornada de trabalho

Aproveitando o espaço institucional ao lado da líder estrangeira, o presidente brasileiro pautou temas centrais da agenda doméstica voltados ao mundo do trabalho e aos direitos humanos das mulheres. Lula admitiu que, a despeito dos avanços nos índices socioeconômicos, o país ainda demanda reformas profundas para assegurar condições dignas de vida à classe trabalhadora.

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“Apesar de nossas conquistas, presidenta, ainda temos muito trabalho pela frente para aumentar o bem-estar da nossa população. Quero garantir que todo trabalhador e toda trabalhadora brasileira tenha mais dignidade e mais tempo com a família”, sublinhou o chefe do Executivo.

Ele mencionou as articulações em andamento junto ao Poder Legislativo para a alteração da rotina de trabalho fabril e comercial no país: “Com o apoio do Congresso Nacional, meu governo está colocando fim à escala 6×1, com o fim da jornada de 44 para 40 horas semanais”.

28.05.2026 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia oficial de chegada da Presidenta da República do Suriname, Jennifer Simons, ao Palácio do Planalto. Brasília – DF. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Combate a violência de gênero

O pronunciamento também tratou das medidas governamentais recentes focadas na segurança pública e na integridade das mulheres frente aos crimes de ódio e assassinatos motivados por gênero.

Também queremos acabar, de uma vez por todas, com a violência contra as mulheres e com o feminicídio. Assinei, na semana passada, um conjunto de medidas que vão ampliar a proteção das mulheres, fortalecer mecanismos de responsabilização de agressores e reforçar a segurança digital”, declarou o presidente.

Lula classificou como intolerável a impunidade nos ambientes virtuais: “É inaceitável que mulheres continuem sendo atacadas na internet sem nenhuma consequência aos perpetradores, ou sendo assassinadas pelo simples fato de serem mulheres”.

Integração econômica

A infraestrutura de transporte e a conectividade logística foram apontadas como gargalos que limitam a integração econômica da América do Sul, com destaque para a extensão fronteiriça de mais de 600 quilômetros compartilhada entre os dois países.

Dentro do planejamento estratégico nacional, o governo brasileiro destacou as obras rodoviárias projetadas para ligar de forma perene os territórios vizinhos. “O eixo 1 do projeto Rotas de Integração Sul-Americana prevê a modernização e pavimentação de estradas que ligam nossos países”, indicou o mandatário.

A consolidação de novas rotas de escoamento de mercadorias envolve também a cooperação de outros Estados soberanos da região de fronteira, a exemplo da Guiana. No diálogo diplomático, foram compartilhados os progressos de infraestrutura regional na região setentrional do continente:

“A presidenta Simons me relatou o estágio em que se encontra a construção da ponte sobre o rio Corentine, entre a Guiana e o Suriname. Ela será fundamental para integrar todo o espaço regional e conectá-lo aos mercados caribenhos”.

Para além das ligações terrestres, as duas delegações firmaram um tratado direcionado aos modais hidroviários e aéreos para impulsionar o comércio bilateral, considerado excessivamente baixo pelas autoridades e situado na casa de 55 milhões de dólares em 2025.

“Concordamos sobre a importância de aumentar a frequência de voos e estabelecer linhas marítimas diretas para aumentar nosso intercâmbio bilateral. Por isso, nesta visita, assinamos um instrumento de cooperação sobre portos, transportes marítimos e hidrovias”, apontou Lula.

O presidente criticou a timidez das trocas comerciais atuais e anunciou a abertura de tratativas para reformular o marco regulatório comercial existente:

“Nosso comércio ainda é muito pequeno e concentrado em poucos produtos. Em 2025, foi de apenas 55 milhões de dólares, ou seja, quase nada. O único acordo comercial que temos é extremamente restrito. Com esta visita, conseguimos aprovar termos de referência para aumentar os fluxos entre Brasil e Suriname. As negociações vão começar no segundo semestre e devem ampliar as medidas de facilitação do comércio e incluir novos setores”.

Transição energética e Amazônia

Os presidentes debateram a ampliação dos investimentos no setor produtivo de energia e extração mineral, apontando para a necessidade de superar velhos modelos coloniais de mera exportação de insumos brutos sem valor agregado nacional.

No campo dos hidrocarbonetos e fontes limpas de energia, Lula destacou a aproximação entre as corporações estatais de petróleo dos dois países, iniciada há dois anos.

“A Petrobras estabeleceu, em 2024, uma parceria com a estatal surinamesa Staatsolie, para intercâmbios sobre petróleo, energias renováveis e segurança nas atividades de exploração de hidrocarbonetos”, pontuou.

O presidente brasileiro também identificou o potencial mineral de ambas as nações para a transição ecológica global:

“Assim como o Brasil, o Suriname também se sobressai pelo potencial em minerais críticos. Temos a oportunidade de cooperar em mineração sustentável, industrialização local e agregação de valor, contribuindo para superar modelos históricos baseados apenas na exportação de matérias-primas”.

Na área de segurança pública e defesa das florestas tropicais da Amazônia, bioma que ocupa metade do solo brasileiro e 95% do território do Suriname, os chefes de Estado firmaram convênios para repressão a organizações criminosas transnacionais de contrabando, narcotráfico e extração ilegal de recursos.

“O novo acordo com a Polícia Federal vai ampliar nossa cooperação no combate a ilícitos transnacionais, com destaque aos crimes ambientais e de mineração”, ressaltou Lula, formalizando ainda uma convocação técnica às forças policiais surinamesas:

Convidei o Suriname a se unir ao programa ‘Ouro-Alvo’, da Polícia Federal, que permitirá rastrear com precisão a origem dos minérios e mapear as redes de contrabando ilegal”.

Por fim, o chefe do Executivo federal celebrou a retração dos indicadores de devastação florestal no Brasil e exaltou o engajamento internacional do Suriname nos fundos de preservação ecológica.

Dados divulgados ontem pelo MapBiomas indicam que, em 2025, o desmatamento no Brasil, em seus seis biomas atingiu o menor nível em sete anos”, assinalou Lula. O presidente concluiu enfatizando a importância do multilateralismo em tempos de instabilidade global: “A adesão do Suriname ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre, o famoso TFFF, é testemunho da valorização de nosso patrimônio.”

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