Os mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes serão julgados a partir desta terça, 24 de fevereiro, no STF. Leia em TVT News.
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Quem são os réus acusados de terem mandado matar Marielle Franco e Anderson Gomes
Os réus acusados de serem mandantes do assassinato de Marielle e Anderson são o ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, Domingos Brazão; o ex-deputado federal e irmão dele, Chiquinho Brazão; o delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa; e o ex-policial militar, Ronald Paulo de Alves. O ex-assessor do TCE, Robson Calixto Fonseca, ainda responde pelo crime de organização criminosa junto com os irmãos Brazão.

Fevereiro coloca o Brasil diante de um marco: o julgamento dos mandantes do assassinato de Marielle e Anderson
O julgamento dos mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes está agendado para os dias 24 e 25 de fevereiro, no Supremo Tribunal Federal (STF). Após quase oito anos de espera, o processo entra em um momento decisivo, com impacto direto para a democracia brasileira, ou seja, a responsabilização dos mandantes é condição fundamental para o compromisso do país com a verdade, a justiça e a proteção do voto popular.
O julgamento de terça-feira será na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, com sessões agendadas para manhã e tarde, além da manhã de quarta-feira (25). O relator é o ministro Alexandre de Moraes.
Apesar de crimes contra a vida serem de competência do Tribunal do Júri, como Chiquinho Brazão era deputado federal na época dos assassinatos, o caso ficou no Supremo.
Conforme a delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa, que foi condenado por ter disparado os tiros que mataram Marielle e Anderson, os irmãos Brazão e Barbosa atuaram como mandantes do crime, e Rivaldo Barbosa teria participado dos preparativos da execução.
Já Ronald é acusado de realizar o monitoramento da rotina da vereadora e repassar as informações para o grupo. Robson Calixto teria entregado a arma utilizada no crime para Lessa.
De acordo com a investigação realizada pela Polícia Federal, o assassinato de Marielle está relacionado ao posicionamento contrário da parlamentar aos interesses do grupo político liderado pelos irmãos Brazão, que têm ligação com questões fundiárias em áreas controladas por milícias no Rio.

Ações em memória de Marielle
No mês em que o julgamento será realizado — e no ano em que se completam dez anos da eleição de Marielle Franco — o Instituto Marielle Franco (IMF) retoma o debate público sobre a importância histórica do caso. Recentemente, o Instituto comunicou organismos internacionais de direitos humanos, entre eles a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), destacando a realização do julgamento e seu significado para o enfrentamento da violência política.
A iniciativa foi conduzida por Luyara Franco, filha de Marielle e diretora executiva do Instituto, enfatizando que o caso se tornou emblemático da violência política, sobretudo contra mulheres negras e defensoras de direitos humanos, e que a decisão do STF terá repercussão que ultrapassa as fronteiras do país – uma referência internacional no enfrentamento à impunidade.

“Fevereiro chega como um marco que o Brasil demorou anos para alcançar. O que está em jogo é a capacidade do Estado de responder a um crime político que tentou silenciar o voto e a representação popular. A responsabilização dos mandantes é o que pode afirmar, de forma concreta, o compromisso do país com a democracia”, afirma Luyara Franco, diretora executiva do Instituto Marielle Franco.
O Instituto ressalta que o julgamento representa um marco por expressar a resposta do Estado brasileiro a um crime cometido para silenciar uma mulher negra eleita e um trabalhador. Ao dialogar com instâncias nacionais e internacionais, o IMF busca garantir visibilidade, monitoramento e compromisso institucional com a realização de um julgamento justo, à altura da gravidade do crime.
Relembre o caso do assassinato Marielle Franco e Anderson Gomes
Marielle Franco foi uma vereadora negra e lésbica do Rio de Janeiro, reconhecida internacionalmente como defensora dos direitos humanos e crítica contundente da violência policial e do racismo estrutural no Brasil. Em 14 de março de 2018, ela foi assassinada juntamente com seu motorista, Anderson Gomes, um trabalhador em exercício de sua função de forma digna, em um ataque direcionado no centro do Rio de Janeiro.

O crime rapidamente se tornou emblemático da violência política no Brasil, especialmente contra mulheres negras, autoridades eleitas e defensoras de direitos humanos. Após anos marcados por atrasos, tentativas de obstrução e perguntas sem resposta, as autoridades federais brasileiras identificaram os supostos mandantes do crime, e o caso está marcado para julgamento no Supremo Tribunal Federal, nos dias 24 e 25 de fevereiro de 2026.

Marielle Franco era Socióloga com mestrado em Administração Pública. Foi eleita Vereadora da Câmara do Rio de Janeiro, com 46.502 votos. Foi também Presidente da Comissão da Mulher da Câmara.
No dia 14 de março de 2018, foi assassinada em um atentado ao carro onde estava. 13 Tiros atingiram o veículo, matando também o motorista Anderson Pedro Gomes. Quem mandou matar Marielle mal podia imaginar que ela era semente, e que milhões de Marielles em todo mundo se levantariam no dia seguinte.
Marielle se formou pela PUC-Rio, e fez mestrado em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Sua dissertação teve como tema: “UPP: a redução da favela a três letras”.
Iniciou sua militância em direitos humanos após ingressar no pré-vestibular comunitário e perder uma amiga, vítima de bala perdida, num tiroteio entre policiais e traficantes no Complexo da Maré.
Trabalhou em organizações da sociedade civil como a Brasil Foundation e o Centro de Ações Solidárias da Maré (Ceasm). Coordenou a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e construía diversos coletivos e movimentos feministas, negros e de favelas.
Aos 19 anos, se tornou mãe de uma menina. Isso a ajudou a se constituir como lutadora pelos direitos das mulheres e debater esse tema nas favelas.
O Instituto Marielle Franco foi criado pela sua família com a missão de inspirar, conectar e potencializar milhares de jovens, negras, LGBTQIA+ e periféricas a seguirem movendo as estruturas da sociedade.
Com informações do Instituto Marielle Franco

