No ato organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, realizado nesta sexta-feira (1º/05), lideranças políticas e sindicais pautaram o debate sobre o fim da escala 6×1 e a necessidade de redução da jornada de trabalho sem redução nos salários. Marcaram presença Fernando Haddad, Marina Silva e Simone Tebet. Leia em TVT News.
O evento, sediado no bairro da Liberdade, serviu como plataforma para discutir a regulamentação do trabalho por aplicativos, o fortalecimento das negociações coletivas e a igualdade salarial entre gêneros.
Marina Silva lamenta derrota de Messias
A ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, utilizou o palco para comentar o cenário político nacional, especificamente a recente rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado. Marina classificou o resultado como um revés para a institucionalidade do país.
“Quem perdeu não foi o presidente Lula. A derrota foi para o Brasil. E ninguém pode derrotar mais de 200 milhões de pessoas impunemente”, declarou Marina.
A ex-ministra destacou que o momento exige a defesa da democracia e a atenção para as pautas urgentes da classe trabalhadora, citando especificamente a igualdade salarial entre homens e mulheres e o combate à fome.
Marina também ressaltou a importância do diálogo interno para o fortalecimento da democracia em um cenário de polarização. “A melhor conversa que a gente faz é aquela que a gente faz dentro de casa, para poder acertar os ponteiros. Quando a gente acerta os ponteiros dentro de casa, a gente conversa melhor pra fora”, explicou, referindo-se à necessidade de unidade nas frentes progressistas.
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Simone Tebet defende nova jornada de trabalho e justiça tributária
A ex-ministra do Planejamento, Simone Tebet, foi a primeira a discursar para o público presente. Em sua fala, Tebet focou na viabilidade econômica de mudanças nas leis trabalhistas, argumentando que a economia brasileira possui histórico de absorção de novos direitos sem gerar instabilidade sistêmica.
Ao abordar a resistência de setores empresariais contra o fim da escala 6×1, Tebet relembrou a implementação de conquistas históricas. “A economia brasileira já absorveu direitos como o 13º salário e as férias sem prejuízo à atividade e, por isso, a adoção de uma nova jornada não levaria o país a uma crise”, afirmou a ex-ministra.
Além da pauta laboral, Tebet elogiou medidas de inclusão social, como a ampliação da isenção do Imposto de Renda. A ex-ministra defendeu uma estrutura tributária mais equilibrada, declarando que “quem ganha menos tem que pagar menos e quem ganha mais deve pagar mais”.
Haddad critica agenda da direita
Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, encerrou os discursos focando na contraposição de modelos de gestão. Haddad criticou as diretrizes defendidas pela oposição, relacionando-as à perda de garantias fundamentais.
Segundo Haddad, o país passa por um processo de retomada de políticas públicas que haviam sido descontinuadas anteriormente. “A extrema-direita só tem duas agendas: vender patrimônio público e retirar direitos dos trabalhadores”, afirmou o pré-candidato. Ele também recebeu elogios de Marina Silva por medidas adotadas na Fazenda, como a taxação de camadas mais ricas da população.
Pautas do Sindicato dos Metalúrgicos de SP e Mogi das Cruzes
Além do fim da escala 6×1, o ato na Liberdade consolidou uma lista de reivindicações que devem nortear as negociações coletivas nos próximos meses:
- Direito de negociação para servidores públicos;
- Combate à pejotização e precarização do trabalho;
- Inclusão da saúde mental nas relações laborais;
- Enfrentamento ao feminicídio e defesa dos direitos das mulheres;
- Regulamentação profissional para trabalhadores de aplicativos.
