Mpox avança no Brasil: entenda a doença, sintomas e formas de transmissão

País já registra 149 notificações neste início de ano, com concentração de casos em São Paulo; veja como se prevenir
Mpox-avanca-no-Brasil-entenda-o-que-e-a-doenca-sintomas-e-formas-de-transmissao-debora-f-barreto-vieira-ioc-fiocruz-tvt-news
Até hoje, o Brasil contabilizava 149 notificações, sendo 140 casos confirmados de mpox. Foto: Débora F. Barreto-Vieira/IOC/Fiocruz

O Brasil registrou um aumento nos casos de mpox neste início de 2026, que acendeu o alerta das autoridades sanitárias e levantou dúvidas sobre a doença. Apesar da aceleração recente nas notificações, o Ministério da Saúde afirma que o cenário ainda está sob controle e que o Sistema Único de Saúde (SUS) tem capacidade para diagnosticar e acompanhar os pacientes. Entenda a doença e como se prevenir com a TVT News.

Até esta terça-feira (10), o país contabilizava 149 notificações, sendo 140 casos confirmados e nove classificados como prováveis. O número representa um crescimento significativo em relação à segunda quinzena de fevereiro, quando o total de infecções mais que dobrou em cerca de 20 dias.

Mesmo com a alta recente, os registros ainda são menores do que os observados no mesmo período de 2025. No primeiro trimestre daquele ano, foram 394 notificações, e o acumulado anual chegou a 1.079 casos e dois óbitos. Em 2026, não houve mortes registradas até agora.

Onde estão os casos no Brasil

O estado de São Paulo concentra a maior parte das infecções, com cerca de 93 casos, o equivalente a aproximadamente 66% das confirmações nacionais.

Depois de São Paulo, os estados com mais registros são:

  • Rio de Janeiro: entre 18 e 19 casos;
  • Minas Gerais: cerca de 11 casos;
  • Rondônia: cerca de 11 casos.

Também há ocorrências em outros estados, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio Grande do Norte, Paraná, Ceará, Sergipe, Pará, Amazonas e no Distrito Federal. O Amazonas, por exemplo, registrou recentemente o primeiro caso em 2026.

A média de idade dos infectados é de 31 anos, com predominância entre homens. Entre os pacientes confirmados, pelo menos 50 apresentavam coinfecção com HIV e 31 com outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

O que é a mpox

A mpox é uma doença viral causada pelo vírus mpox, pertencente ao gênero Orthopoxvirus. Trata-se de uma zoonose, uma doença que pode circular entre animais e humanos, mas atualmente a transmissão ocorre principalmente entre pessoas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) adotou o nome mpox para substituir a antiga denominação “varíola dos macacos”, com o objetivo de evitar estigmatização e ataques a animais.

Como ocorre a transmissão

O vírus pode entrar no organismo por pequenas lesões na pele, pelas vias respiratórias ou por mucosas, como olhos, nariz e boca. A transmissão acontece principalmente por contato próximo e direto.

As formas mais comuns de contágio incluem:

  • Contato físico direto, como abraços, beijos e relações sexuais;
  • Contato com lesões na pele ou fluidos corporais de pessoas infectadas;
  • Gotículas respiratórias, em interações próximas e prolongadas;
  • Compartilhamento de objetos contaminados, como toalhas, roupas de cama ou utensílios;
  • Transmissão da gestante para o feto durante a gravidez ou parto.

Especialistas apontam que o contato íntimo foi um dos principais motores do surto global registrado em 2022.

Quais são os sintomas

A mpox costuma se desenvolver em duas fases principais.

Na fase inicial, chamada de pródromo, os sintomas mais comuns são:

  • febre;
  • dor de cabeça intensa;
  • dores musculares e nas costas;
  • cansaço extremo;
  • inchaço dos linfonodos (ínguas).

Depois surge a fase eruptiva, marcada pelo aparecimento de lesões na pele. As feridas podem evoluir para bolhas e crostas e aparecem com frequência no rosto, nas mãos, nos pés e nas regiões genitais.

Em geral, a doença dura entre duas e quatro semanas e muitos casos evoluem de forma leve. No entanto, complicações podem ocorrer, especialmente em crianças, gestantes e pessoas imunocomprometidas.

Entre os possíveis agravamentos estão pneumonia, infecções bacterianas secundárias, problemas oculares e inflamações neurológicas.

>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp

Existe vacina ou tratamento?

O Brasil não adota vacinação em massa contra a mpox. A imunização é direcionada a grupos considerados de maior risco.

Entre eles estão:

  • pessoas que vivem com HIV com contagem baixa de células CD4;
  • profissionais de laboratório que manipulam o vírus;
  • pessoas que tiveram contato de alto risco com pacientes infectados (vacinação pós-exposição).

Não há um medicamento específico para curar a doença, embora o antiviral tecovirimat possa ser utilizado em casos graves. Na maioria das situações, o tratamento envolve controle dos sintomas, cuidados com as lesões e isolamento do paciente até a cicatrização completa da pele.

Novas variantes em monitoramento

Especialistas também acompanham o surgimento de novas linhagens do vírus. Entre elas está o clado 1b, identificado inicialmente na República Democrática do Congo e considerado potencialmente mais transmissível.

Uma variante híbrida detectada no Reino Unido, que combina características de diferentes clados do vírus, também está sendo monitorada pelas autoridades de saúde.

O que fazer para se proteger

As principais medidas de prevenção incluem:

  • lavar as mãos com frequência com água e sabão ou álcool em gel;
  • evitar contato direto com pessoas que apresentem lesões suspeitas;
  • não compartilhar objetos pessoais, como toalhas e roupas de cama;
  • procurar atendimento médico em caso de sintomas.

Segundo o Ministério da Saúde, o momento é de vigilância e prevenção, não de crise sanitária. A identificação rápida dos sintomas e o isolamento dos casos suspeitos continuam sendo as principais estratégias para interromper a cadeia de transmissão da doença no país.

Leia mais notícias na TVT News

Assuntos Relacionados