O próximo dia 8 de janeiro marca três anos desde os ataques golpistas às sedes dos Três Poderes em Brasília, em 2023. A data promete ser um ponto de convergência entre memoria institucional, discursos públicos de defesa da democracia e uma decisão política de grande impacto: o veto presidencial ao PL da Dosimetria. Nos bastidores, aliados próximos e setores da base governista debatem a estratégia em torno do anúncio. Saiba mais em TVT News.
8 de janeiro: presidente Lula veta PL da dosimetria na cerimônia em Defesa da Democracia
8 de janeiro em Brasília
O Supremo Tribunal Federal (STF) programou uma série de atividades para recordar a tentativa de golpe que resultou em depredação de prédios públicos e agressões a ministros. A programação, intitulada “Democracia Inabalada: 8 de janeiro – Um dia para não esquecer”, inclui a abertura da exposição “8 de janeiro: Mãos da Reconstrução”, a exibição de um documentário sobre o episódio, uma roda de conversa com jornalistas e uma mesa-redonda no salão nobre da Corte. A iniciativa é parte da tradição anual da instituição em relembrar os ataques e reforçar o compromisso com a ordem constitucional.
No Palácio do Planalto, o governo federal organizou uma cerimônia institucional para a manhã de quinta-feira (8), com presença prevista de ministros de Estado, representantes do Judiciário e autoridades civis. Embora o Congresso Nacional não tenha programado uma agenda própria para a data, a solenidade contará com convidados para reafirmar a defesa da democracia, o respeito às instituicoes republicanas e a memoria dos eventos de 2023. A ausência confirmada dos presidentes da Câmara e do Senado reforça a tensão entre os poderes em torno do tema.
Veto ao PL da Dosimetria: Sem Anistia
As atenções políticas estão focadas no anunciado veto presidencial ao PL da Dosimetria, que foi aprovado pelo Congresso Nacional ao final de 2025 e tende a alterar regras de dosagem de penas que podem reduzir punições de condenados pelos atos golpistas, inclusive em casos de tentativa de golpe de Estado. A proposta foi aprovada tanto na Câmara como no Senado em dezembro de 2025, com apoio expressivo de parlamentares de centro e de direita, o que alimentou debates sobre a sua capacidade de reduzir penas de condenados.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), confirmou em entrevista à Rádio Sociedade da Bahia que “Sou contra a dosimetria, o PT é contra a dosimetria, o governo é contra a dosimetria, e dia 8 o presidente vai vetar aquilo que foi aprovado, e vai depender do Congresso se derruba ou não [os vetos]”. Essa declaração tem sido interpretada como sinal claro de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende fazer o veto presidencial no dia da efeméride, dando à decisão um forte componente simbólico atrelado à defesa da democracia.
Apesar dessas declarações, parte da base aliada tem aconselhado cautela. Alguns setores defendem que o veto não seja anunciado exatamente durante a cerimônia alusiva ao 8 de janeiro, por temor de agravar tensoes com a Câmara e o Senado, onde a proposta foi aprovada e pode vir a ter o veto derrubado por maioria legislativa. A discussão interna gira em torno do risco politico de usar um ato institucional para formalizar uma decisao que pode provocar um conflito adicional com o Legislativo.
Paralelamente , movimentos sociais devem promover mobilizacoes em Brasília e em outras cidades. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), desempenhou papel central na articulação de um ato reforcado pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que deverão se concentrar de frente ao Palácio do Planalto. A mobilização é apresentada como complemento à cerimônia oficial, com foco na defesa da democracia e na rejeição de qualquer forma de anistia ou redução de penas a golpistas.
o ato dos movimentos sociais pretende reforçar a condenação aos ataques golpistas e pedir apoio ao veto do PL da Dosimetria, com presença de centrais sindicais, partidos, coletivos e militantes de esquerda. A agenda política fora do Palácio do Planalto está sendo promovida em conjunto com a programação formal, criando um cenário de mobilização ampla neste 8 de janeiro.
A expectativa é de que o evento do dia 8, combinando memoria, discurso institucional e possível anuncio do veto, seja um dos momentos mais significativos da agenda politica de 2026 no Brasil, moldando debates sobre justiça, responsabilizacao e os limites institucionais entre poderes. A data, em si, consolidou-se como um marco anual de reafirmacao democrática desde os ataques de 2023 e, neste ano, também poderá ser lembrada como o ponto de partida de uma nova rodada de embates politico-institucionais.
