O que eu ganho com isso? Isenção do IR, mais tempo e futuro para os trabalhadores

Metalúrgico da Volkswagen relata como fim do desconto para salários de até R$ 5 mil alivia o orçamento, fortalece a economia e corrigem distorções históricas
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"Dá para dar um alívio nas contas, dá para fazer algum curso, dá para me planejar". Foto: Reprodução

A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda segue produzindo efeitos concretos no cotidiano dos trabalhadores brasileiros. No mais recente episódio da série especial da TVT sobre o tema, o depoimento do metalúrgico Fernando Gomes, funcionário da Volkswagen há 18 anos no setor de pintura, ajuda a traduzir em exemplos práticos o impacto da medida anunciada pelo governo federal. Leia em TVT News.

Para Fernando, a redução do imposto retido na fonte representa mais do que um ajuste contábil. “Quanto menos imposto a gente consegue pagar, mais dinheiro sobra para o nosso bolso. Dá para dar um alívio nas contas, dá para fazer algum curso, dá para me planejar, fazer algum investimento e mais para frente usar esse dinheiro para comprar algum bem”, afirmou. Segundo ele, trata-se de um recurso que amplia possibilidades no presente e no futuro, seja para qualificação profissional, seja para a conquista de patrimônio.

A política de isenção estabelece que trabalhadores com renda mensal de até R$ 5.000 passem a ter isenção total do Imposto de Renda. Já para quem recebe entre R$ 5.000 e R$ 7.350, o benefício é aplicado de forma gradual, com redução parcial do imposto devido. Pelas faixas adotadas, quem ganha R$ 3.500 por mês deixa de pagar R$ 39,76; salários de R$ 4.000 passam de um desconto de R$ 114,76 para zero; rendas de R$ 4.500 deixam de recolher R$ 200,39; e quem recebe R$ 5.000 tem uma redução mensal de R$ 312,89 para R$ 0. Acima desse valor, a redução diminui progressivamente até se encerrar em R$ 7.350. Para rendas superiores, permanece a alíquota máxima de 27,5%.

Fernando avalia que a medida corrige uma injustiça histórica do sistema tributário brasileiro. “Quem recebe menos, se conseguir a isenção e pagar menos, é melhor. E quem ganha mais é justo que pague mais. Da onde tem mais, realmente tem que sair mais”, afirmou. Para ele, a progressividade do imposto é fundamental para reduzir desigualdades e ampliar oportunidades. “É mais justo pegar aquelas pessoas que já recebem mais mesmo.”

O metalúrgico também destacou o efeito multiplicador da política sobre a economia. Segundo ele, quando o trabalhador tem mais renda disponível, o dinheiro circula com mais intensidade. “Quanto mais dinheiro gira, mais economia. As pessoas têm mais oportunidade de realizar sonhos, conquistar sua casa própria, seu carro, planejar mais algumas coisas para o futuro ou até mesmo para o presente”, disse.

A fala dialoga com uma das premissas centrais defendidas pelo governo ao justificar a ampliação da isenção: o fortalecimento do consumo popular como motor da economia. Ao aliviar o orçamento de quem ganha menos, a política tende a impulsionar setores como comércio, serviços e indústria, especialmente nas periferias urbanas e regiões onde o salário é destinado majoritariamente a gastos essenciais.

Fernando também lembrou que a medida atende a uma promessa histórica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Em 2022, o Lula chegou a vir aqui na fábrica e prometeu que ia ajustar a tabela do Imposto de Renda para ajudar os trabalhadores. Isso sempre foi uma luta nossa”, recordou. Segundo ele, a conquista é resultado direto da mobilização sindical. “Foi pela luta conjunta do sindicato com os trabalhadores. Juntos somos mais fortes.”

O depoimento reforça a dimensão política e social da isenção do IR, vista não apenas como um benefício individual, mas como fruto da organização coletiva. Para Fernando, a redução do imposto representa reconhecimento do papel central do trabalho na economia e na produção de riqueza.

Ao dar voz a trabalhadores como Fernando Gomes, a série especial da TVT evidencia que a mudança na tabela do Imposto de Renda não se resume a números. Ela se traduz em alívio financeiro, mais planejamento, acesso à qualificação, consumo consciente e maior qualidade de vida. Em um país marcado por profundas desigualdades, a correção da tabela do IR aparece, para quem vive do salário, como um passo concreto em direção à justiça social e à valorização do trabalho.

Calcule quanto você vai economizar com o imposto de renda zero

Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região lançou uma calculadora que permite aos trabalhadores simular quanto podem economizar a isenção do imposto de renda para salários de até R$ 5 mil e com os descontos progressivos para quem ganha até R$ 7.350 que está valendo desde o início de janeiro de 2026.

Coloque seu salário na calculadora e veja quanto você vai economizar por mês e quanto pode juntar em um ano.
A calculadora tem como objetivo informar a classe trabalhadora sobre os impactos positivos desta lei do Governo Lula.

Os exemplos práticos ajudam a dimensionar o alcance da mudança e evidenciam o alívio imediato no orçamento mensal de quem vive do próprio trabalho.

Exemplos de como fica o Imposto de renda

Salário MensalImposto AntigoImposto NovoRedução
Até R$ 3.036IsentoIsentoMantém isenção
R$ 3.500R$ 39,76R$ 0-R$ 39,76
R$ 4.000R$ 114,76R$ 0-R$ 114,76
R$ 4.500R$ 200,39R$ 0-R$ 200,39
R$ 5.000R$ 312,89R$ 0-R$ 312,89
R$ 5.500R$ 436,80R$ 190,48-R$ 246,32
R$ 6.000R$ 574,30R$ 394,55-R$ 179,75
R$ 6.500R$ 711,80R$ 598,63-R$ 113,17
R$ 7.000R$ 849,30R$ 802,70-R$ 46,60
R$ 7.349R$ 881,69R$ 881,55-R$ 0,14
R$ 7.350 a R$ 50.000Alíquota de 27,5%Alíquota de 27,5%Sem alteração

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